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Quando
foi anunciado como novo treinador do ABC, o nome de
Leandro Campos foi envolto em uma nuvem de desconfiança
por grande parte dos torcedores alvinegros, já que seu
trabalho era pouco conhecido no Rio Grande do Norte.
Depois de 20 dias comandando o time, as desconfianças
acabaram com os bons resultados conseguidos pelo ABC
dentro de campo.
Nesta entrevista concedida à TRIBUNA DO NORTE, Leandro
Campos, de 46 anos, gaúcho de Porto Alegre, fala sobre
suas expectativas no comando do ABC, o projeto para a
série C do campeonato brasileiro, o bom início à frente do
time, a discussão com o lateral-direito Acácio e seu modo
de trabalhar no futebol.
Como está sendo sua adaptação ao futebol nordestino, já
que é a primeira vez que você trabalha aqui?
É verdade que estamos trabalhando pela primeira vez aqui
no Nordeste, mas já jogamos várias vezes aqui na região.
Não só em Natal, mas em Maceió, Pernambuco, Bahia... Já
trabalhei no Paysandu e Belém é quase Nordeste. Já estamos
acostumados com esse ambiente, com esse calor, então, não
podemos dar tanta importância a região que trabalhamos, e
sim a condição que queremos dar ao trabalho. Temos que ter
objetivos bem planificados, organizados.
Está encontrando isso no ABC?
O clube está dando essa condição. A estrutura física, as
condições de trabalho são muito boas. O grupo de atletas,
agora com um pouquinho mais de organização, no aspecto de
formatação de grupo, está nos dando uma condição boa de
opções. E até no âmbito geral, no que diz respeito a
qualificação do grupo. Então, tudo isso somado, está nos
dando uma tranquilidade para o que queremos desenvolver no
ABC.
Você já sabia alguma coisa do ABC, antes de
acertar com o clube?
Antes do acerto final com o clube, entrei no site para
saber informações daqui, condições do clube, estrutura
física, essas coisas. Não poderia tomar nenhuma decisão
sem antes saber as condições de trabalho do clube. E foi
muito satisfatório o que vi. Meus contatos com o
Ricardo (Morais, superintendente de futebol), com o Flávio
(Anselmo, vice-presidente de futebol), foram muito
positivos. Os dirigentes todos são muito bem esclarecidos.
O próprio presidente é uma pessoal muito sóbria, séria, em
se tratando de negócios. Ele tem tudo definido do que quer
realizar dentro do ABC e somando isso tudo, me deu o
empurrão que faltava para acertar com o ABC.
Muito se fala do estilo gaúcho de praticar o
futebol. Que é mais de pegada, marcação. Vai adotar esse
estilo no ABC ou vai prezar pelas características
individuais de cada jogador?
Não vamos alterar as características dos jogadores. Vamos
respeitá-las, mas, é lógico que também existem as
características do técnico. Na nossa equipe vamos procurar
ter esse equilíbrio. Vamos dar liberdade para os jogadores
trabalharem na parte ofensiva. Mas, os jogadores vão ter
que marcar. Agora, eles vão aprender a marcar no estilo da
minha escola, que é a gaúcha, que é mais de pegada, mais
voluntariosa, no aspecto de marcação. Então, estamos
tentando incutir aos poucos nos atletas, para que possamos
ter um equilíbrio realmente bom no aspecto ofensivo e
defensivo.
Não foi você quem montou este elenco, mas, em
pouco tempo os resultados apareceram. Isso dá uma
tranquilidade maior para o decorrer do campeonato?
Sempre é importante iniciar um trabalho vencendo jogos.
Felizmente, tivemos dois jogos difíceis e com nosso
empenho, conseguimos buscar os resultados. Mas, a briga
pela classificação vai continuar até as últimas rodadas.
Então, a equipe, em hipótese alguma pode se acomodar pelo
que vem acontecendo. O grupo precisa lembrar-se do
primeiro turno e tirar como lição. Começou bem, com um
empate e duas vitórias e posteriormente o time não foi
bem. Não podemos deixar que isso se repita para não haver
um descontrole no andamento da competição. Queremos uma
estabilização. Sabemos que estamos em uma condição boa,
mas é importante que todos estejam conscientes para não
deixar a equipe declinar na sequência do campeonato.
Qual o estilo de Leandro Campos no trato com
os jogadores? Mais disciplinador ou mais boa praça?
Hoje no futebol não podemos ser nenhuma coisa nem outra.
Temos que usar o bom senso. Na hora em que for necessária
uma conversa mais amigável com o atleta, um diálogo mais
aberto, estarei sempre à disposição. Mas, na hora que
tiver que chamar a atenção, ser um pouco mais duro, iremos
ser mais duro. Então, temos que saber o tempo certo de
exercer nosso comando e também, o momento certo de criar
uma abertura com o grupo.
Muita coisa foi dita sobre a dispensa do
lateral direito Acácio. O que aconteceu na verdade dentro
do vestiário na partida contra o Coríntians de Caicó?
Houve uma discussão entre você e o atleta?
Discussão normal após o jogo, por questão até por
rendimento técnico. Você pode ter certeza que
nós vamos discutir muito, vamos brigar muito no
vestiário na intenção de arrumar e ajustar a equipe. A
saída do Acácio não foi nada por questão de discutir com o
técnico. Considero normal a discussão de um atleta com o
técnico. A questão foi mais técnica e isso é bom de
ressaltar. Foi mais um critério técnico do que
disciplinar.
Como foi seu acerto com o ABC? Foi para o
Estadual ou para montar um time para a série C?
Meu principal objetivo era a série C. O acerto foi até o
final do brasileiro. Mas, sabemos como funcionam esses
contratos de treinador. Às vezes se faz um contrato mais
longo e não se cumpre, até em função dos resultados.
Espero, dentro desse contrato, conseguir os resultados
dentro do campeonato estadual e que possamos da essa
sequencia na série C, já que foi acordado dessa forma.
Como montar um time para a Série C, já que o
clube vai ficar cerca de dois meses inativo, entre o
Estadual e o Brasileiro? Já existem contatos com
jogadores?
Com certeza. O objetivo do ABC é o acesso à série B
neste ano. Nós temos que nos preparar convincentemente. É
importante que o clube monte um time forte e para isso
reforços precisam ser contratados. Temos vários nomes
agendados, atletas contactados, para que, acabando seus
campeonatos regionais, já se possa fazer os acertos e na
reapresentação do time para a preparação visando a série
C, tudo possa estar dentro do esperado.
O torcedor do ABC anda meio desconfiado com o
time, por tudo que aconteceu em 2009 e pelo primeiro turno
do Estadual. É importante que a torcida volte a incentivar
o time?
Não existe futebol sem torcida. Nós fazemos futebol para o
torcedor. É importante que o torcedor entenda que é o seu
clube do coração e que ele se conscientize de que o
trabalho não é feito só pela comissão técnica nem pela
diretoria, nem pelos jogadores. O torcedor tem uma
participação muito grande, a imprensa tem uma participação
muito grande. Então, a junção desses fatores, tanto
internos quanto externos é que vai, realmente, definir a
grandeza de um clube e , naturalmente, as pretensões de um
clube em qualquer competição.
Como é seu relacionamento com a direção do
ABC?
Não tenho tanto contato com o presidente do clube (Rubens
Guilherme Dantas), já que mantenho contato diário com o
Flávio Anselmo e o Ricardo Morais. Sei que o presidente
tem muito o que resolver na administração do clube e o
Flávio é o homem de confiança dele e como todas as funções
ligadas ao futebol quem responde é o Flávio, então tenho
mais contato com ele, e isso é normal. Estou muito
satisfeito com o trabalho realizado pelo pessoal que
trabalha nos bastidores e isso tem dado um suporte muito
bom para que nosso trabalho possa se desenvolver da melhor
maneira possível.
Com o elenco que o ABC tem, dá para disputar o
título e começar bem na Série C?
Isso é muito relativo. Queremos o título do estadual, os
atletas estão se entregando ao máximo, buscando os
objetivos. Todos nós estamos trabalhando com seriedade e
espero que esse clima, essa determinação do grupo continue
e que possamos buscar a vaga na Copa do Brasil já nesse
turno e, consequentemente, brigar em igualdade de
condições na decisão do campeonato.
Você disse que a responsabilidade de um
técnico não passa de 15%. Isso não é deixar tudo nas
costas dos atletas?
O futebol é assim. Não existe técnico sem jogadores. Pode
até acontecer de existir jogadores em o técnico. Temos que
ser humildes e entender como funciona o futebol. Não sou
eu o salvador da pátria. Se os jogadores não tiverem
qualidade técnica, o treinador inexiste, então, é
importante nós sabermos da nossa limitação e é preciso
saber que precisamos muito da qualidade dos jogadores. É
isso que interessa neste momento, é darmos uma estrutura
tática, uma organização para a equipe, um padrão de jogo
para o time, para que possamos como auxílio deles, com a
qualidade deles, chegarmos ao nosso objetivo.
Pretende utilizar jogadores das categorias de
base do clube?
Todos os atletas das categorias de base do clube serão
observados. Nós gostamos muito desse trabalho de
valorização de jovens atletas. No nosso grupo de
profissionais temos vários das categorias de base do
clube. Temos que ter uma relação muito saudável com as
bases do ABC. Não existe equipe profissional sem
categorias de base forte. É dessa forma que nós pensamos e
vamos procurar sempre dar o suporte e o apoio
necessário para os jovens atletas. |