Tribuna do Norte

Tribuna do Norte
21 de Março de 2010
Felipe Gurgel
Repórter de Esportes
Foto: Rodrigo Sena

 

ÍNDICE

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Entrevista - Leandro Campos: “Agora, eles vão aprender a marcar”

 

Quando foi anunciado como novo treinador do ABC, o nome de Leandro Campos foi envolto em uma nuvem de desconfiança por grande parte dos torcedores alvinegros, já que seu trabalho era pouco conhecido no Rio Grande do Norte. Depois de 20 dias comandando o time, as desconfianças acabaram com os bons resultados conseguidos pelo ABC dentro de campo.
Nesta entrevista concedida à TRIBUNA DO NORTE, Leandro Campos, de 46 anos, gaúcho de Porto Alegre, fala sobre suas expectativas no comando do ABC, o projeto para a série C do campeonato brasileiro, o bom início à frente do time, a discussão com o lateral-direito Acácio e seu modo de trabalhar no futebol.

Como está sendo sua adaptação ao futebol nordestino, já que é a primeira vez que você trabalha aqui?

É verdade que estamos trabalhando pela primeira vez aqui no Nordeste, mas já jogamos várias vezes aqui na região. Não só em Natal, mas em Maceió, Pernambuco, Bahia... Já trabalhei no Paysandu e Belém é quase Nordeste. Já estamos acostumados com esse ambiente, com esse calor, então, não podemos dar tanta importância a região que trabalhamos, e sim a condição que queremos dar ao trabalho. Temos que ter objetivos bem planificados, organizados.

Está encontrando isso no ABC?

O clube está dando essa condição. A estrutura física, as condições de trabalho são muito boas. O grupo de atletas, agora com um pouquinho mais de organização, no aspecto de formatação de grupo, está nos dando uma condição boa de opções. E até no âmbito geral, no que diz respeito a qualificação do grupo. Então, tudo isso somado, está nos dando uma tranquilidade para o que queremos desenvolver no ABC.

Você já sabia alguma coisa do ABC, antes de acertar com o clube?
Antes do acerto final com o clube, entrei no site para saber informações daqui, condições do clube, estrutura física, essas coisas. Não poderia tomar nenhuma decisão sem antes saber as condições de trabalho do clube. E foi muito satisfatório o que vi.  Meus contatos com o Ricardo (Morais, superintendente de futebol), com o Flávio (Anselmo, vice-presidente de futebol), foram muito positivos. Os dirigentes todos são muito bem esclarecidos. O próprio presidente é uma pessoal muito sóbria, séria, em se tratando de negócios. Ele tem tudo definido do que quer realizar dentro do ABC e somando isso tudo, me deu o empurrão que faltava para acertar com o ABC.

Muito se fala do estilo gaúcho de praticar o futebol. Que é mais de pegada, marcação. Vai adotar esse estilo no ABC ou vai prezar pelas características individuais de cada jogador?
Não vamos alterar as características dos jogadores. Vamos respeitá-las, mas, é lógico que também existem as características do técnico. Na nossa equipe vamos procurar ter esse equilíbrio. Vamos dar liberdade para os jogadores trabalharem na parte ofensiva. Mas, os jogadores vão ter que marcar. Agora, eles vão aprender a marcar no estilo da minha escola, que é a gaúcha, que é mais de pegada, mais voluntariosa, no aspecto de marcação. Então, estamos tentando incutir aos poucos nos atletas, para que possamos ter um equilíbrio realmente bom no aspecto ofensivo e defensivo.


Não foi você quem montou este elenco, mas, em pouco tempo os resultados apareceram. Isso dá uma tranquilidade maior para o decorrer do campeonato?
Sempre é importante iniciar um trabalho vencendo jogos. Felizmente, tivemos dois jogos difíceis e com nosso empenho, conseguimos buscar os resultados. Mas, a briga pela classificação vai continuar até as últimas rodadas. Então, a equipe, em hipótese alguma pode se acomodar pelo que vem acontecendo. O grupo precisa lembrar-se do primeiro turno e tirar como lição. Começou bem, com um empate e duas vitórias e posteriormente o time não foi bem. Não podemos deixar que isso se repita para não haver um descontrole no andamento da competição. Queremos uma estabilização. Sabemos que estamos em uma condição boa, mas é importante que todos estejam conscientes para não deixar a equipe declinar na sequência do campeonato.

Qual o estilo de Leandro Campos no trato com os jogadores? Mais disciplinador ou mais boa praça?
Hoje no futebol não podemos ser nenhuma coisa nem outra. Temos que usar o bom senso. Na hora em que for necessária uma conversa mais amigável com o atleta, um diálogo mais aberto, estarei sempre à disposição. Mas, na hora que tiver que chamar a atenção, ser um pouco mais duro, iremos ser mais duro. Então, temos que saber o tempo certo de exercer nosso comando e também, o momento certo de criar uma abertura com o grupo.

Muita coisa foi dita sobre a dispensa do lateral direito Acácio. O que aconteceu na verdade dentro do vestiário na partida contra o Coríntians de Caicó?  Houve uma discussão entre você e o atleta?
Discussão normal após o jogo, por questão até por rendimento técnico. Você pode ter certeza  que  nós vamos discutir  muito, vamos brigar muito no vestiário na intenção de arrumar e ajustar a equipe. A saída do Acácio não foi nada por questão de discutir com o técnico. Considero normal a discussão de um atleta com o técnico. A questão foi mais técnica e isso é bom de ressaltar. Foi mais um critério técnico do que disciplinar.

Como foi seu acerto com o ABC? Foi para o Estadual ou para montar um time para a série C?
Meu principal objetivo era a série C. O acerto foi até o final do brasileiro. Mas, sabemos como funcionam esses contratos de treinador. Às vezes se faz um contrato mais longo e não se cumpre, até em função dos resultados. Espero, dentro desse contrato, conseguir os resultados dentro do campeonato estadual e que possamos da essa sequencia na série C, já que foi acordado dessa forma.

Como montar um time para a Série C, já que o clube vai ficar cerca de dois meses inativo, entre o Estadual e o Brasileiro? Já existem contatos com jogadores?
Com certeza. O objetivo do ABC é o acesso à série  B neste ano. Nós temos que nos preparar convincentemente. É importante que o clube monte um time forte e para isso reforços precisam ser contratados. Temos vários nomes agendados, atletas contactados, para que, acabando seus campeonatos regionais, já se possa fazer os acertos e na reapresentação do time para a preparação visando a série C, tudo possa estar dentro do esperado.

O torcedor do ABC anda meio desconfiado com o time, por tudo que aconteceu em 2009 e pelo primeiro turno do Estadual. É importante que a torcida volte a incentivar o time?
Não existe futebol sem torcida. Nós fazemos futebol para o torcedor. É importante que o torcedor entenda que é o seu clube do coração e que ele se conscientize de que o trabalho não é feito só pela comissão técnica nem pela diretoria, nem pelos jogadores. O torcedor tem uma participação muito grande, a imprensa tem uma participação muito grande. Então, a junção desses fatores, tanto internos quanto externos é que vai, realmente, definir a grandeza de um clube e , naturalmente, as pretensões de um clube em qualquer competição.

Como é seu relacionamento com a direção do ABC?
Não tenho tanto contato com o presidente do clube (Rubens Guilherme Dantas), já que mantenho contato diário com o Flávio Anselmo e o Ricardo Morais. Sei que o presidente  tem muito o que resolver na administração do clube e o Flávio é o homem de confiança dele e como todas as funções ligadas ao futebol quem responde é o Flávio, então tenho mais contato com ele, e isso é normal. Estou muito satisfeito com o trabalho realizado pelo pessoal que trabalha nos bastidores e isso tem dado um suporte muito bom para que nosso trabalho possa se desenvolver da melhor maneira possível.

Com o elenco que o ABC tem, dá para disputar o título e começar bem na Série C?
Isso é muito relativo. Queremos o título do estadual, os atletas estão se entregando ao máximo, buscando os objetivos. Todos nós estamos trabalhando com seriedade e espero que esse clima, essa determinação do grupo continue e que possamos buscar a vaga na Copa do Brasil já nesse turno e, consequentemente, brigar em igualdade de condições na decisão do campeonato.

Você disse que a responsabilidade de um técnico não passa de 15%. Isso não é deixar tudo nas costas dos atletas?
O futebol é assim. Não existe técnico sem jogadores. Pode até acontecer de existir jogadores em o técnico. Temos que ser humildes e entender como funciona o futebol. Não sou eu o salvador da pátria. Se os jogadores não tiverem qualidade técnica, o treinador inexiste, então, é importante nós sabermos da nossa limitação e é preciso saber que precisamos muito da qualidade dos jogadores. É isso que interessa neste momento, é darmos uma estrutura tática, uma organização para a equipe, um padrão de jogo para o time, para que possamos como auxílio deles, com a qualidade deles, chegarmos ao nosso objetivo.

Pretende utilizar jogadores das categorias de base do clube?
Todos os atletas das categorias de base do clube serão observados. Nós gostamos muito desse trabalho de valorização de jovens atletas. No nosso grupo de profissionais temos vários das categorias de base do clube. Temos que ter uma relação muito saudável com as bases do ABC. Não existe equipe profissional sem categorias de base forte. É dessa forma que nós pensamos e vamos procurar sempre dar o suporte e  o apoio necessário para os jovens atletas.