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Alberí José Ferreira de Matos, o
atacante Alberí, destacou-se no futebol nordestino mas jamais
quis defender clubes de maior
investimento do futebol
brasileiro. Nos anos 70, quando estava no auge, temia que um
eventual insucesso vestindo uma camisa pesada do eixo Rio-São
Paulo fizesse com que os cartolas retivessem seu passe e
atrapalhassem o prosseguimento da carreira. Por isso, este
recifense nascido em 28 de janeiro de 1945 recusou uma
proposta do Fluminense logo após ganhar a Bola de Prata de
Placar em 1972. Preferiu a consagração defendendo Santa
Cruz-PE, onde começou em 1968, ABC-RN (onde mais jogou entre
1969 e 1974 e 1982 e 1983), Rio Negro-AM, Sergipe, CRB,
América-RN, Alecrim-RN, Baraúnas-RN, Campinense e Icasa-CE.
Parou no ABC em 1983, e escolheu Natal para fixar moradia.
Casado, pai de nove filhos e avô de 11 netos, trabalha na
secretaria de Esportes da capital potiguar dando aulas de
futebol para crianças.
Quando jovem, a bola não era prioridade em sua vida. Tanto que
só começou a jogar aos 23 anos. Alberí alega que naquele tempo
não existia uma
cobertura
massificada da
imprensa dos
campeonatos, e
nem tantos
empresários
colocando
atletas ruins em
clubes grandes.
“Só troquei o
emprego fixo
pelos gramados
depois de muita
insistência dos
cartolas do
Santa Cruz, que
foram me buscar
em
casa
várias vezes”.
O investimento valeu a pena. Em 1972, defendendo o ABC, ganhou
a Bola
de Prata de Placar, concedida até hoje aos melhores
jogadores de cada Campeonato Brasileiro. Juntou-se a grandes
feras no
dia da entrega do prêmio, como Leão (goleiro do
Palmeiras), Figueroa (zagueiro do Internacional-RS), Marinho
Chagas (lateral do Botafogo-RJ), Piazza (volante do Cruzeiro),
Ademir da Guia (meia do Palmeiras) e Paulo César Caju
(atacante do Flamengo). Por sinal, com a camisa do alvinegro
natalense marcou 79 gols. É lembrado até hoje pelos
torcedores, especialmente quando o time vai mal das pernas.
“Eles pedem para eu entrar em campo por pelo menos durante 20
minutos”.
No total, Alberí comemorou seis títulos estaduais, sendo
quatro pelo ABC, um pelo América-RN e outro pelo Campinense da
Paraíba. Parou aos 38 anos.
“Quando as pessoas começam a olhar
para você com desconfiança por causa da idade, é melhor deixar
a bola de lado. Foi exatamente o que eu fiz”. |
Aeroporto Augusto Severo, em
1972, Natal/RN.
Alberi é recebido com muita festa após ganhar a "Bola de
Prata" da Revista Placar |
Em pé: Floriano,
Sabará, Edson, Denilson, Gonzaga e Maranhão. Agachados:
Libanio, Edvaldo, Alberi, Danilo e Morais. |
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