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"Do time titular
do ABC que fez a
última partida
contra o
Bragantino,
foram mantidos
para esta
temporada oito
jogadores". Esta
afirmação do
técnico
Ferdinando
Teixeira traduz
bem a diferença
existente entre
os dois
principais
clubes do Rio
Grande do Norte.
Enquanto o ABC
busca a todo
custo manter seu
elenco principal
- apenas três
estão fora em
2008, dois
negociados e um
com contrato não
renovado - o
América
estabeleceu ao
longo do ano
passado a
estultice de
contratar
dezenas de
jogadores, entre
eles, bondes e
cabeças de
bagre, vários
técnicos dentro
de uma única
competição. O
resultado não
podia ser outro:
o ABC fez bonito
na série "C" e o
América fechou
2007 segurando
de forma
vergonhosa a
lanterna da
série "A".
Os números
mostram que o
ABC realizou uma
extraordinária
campanha na
série "C"
jogando dentro
de casa. Foi no
"Frasqueirão"
que o time
comandado por
Ferdinando
Teixeira
conseguiu sua
passagem para a
série "B" - de
16 jogos
realizados,
venceu 15 e
empatou apenas
1. O êxito
alcançado se
deve a um
criterioso
trabalho de base
que vem sendo
desenvolvido na
Vila Olímpica
"Vicente Farache"
e a capacidade
profissional do
técnico. Antes
do começo da
série "C", a
direção do clube
realizou um
processo de
rejuvenescimento
do elenco,
visando tornar o
time mais
resistente e
competitivo.
Para Ferdinando,
seu time precisa
ter uma pegada
forte - daí
muitos
inadvertidamente
o acharem
retranqueiro - e
uma saída de
bola veloz para
o ataque. "O ABC
tornou-se um
time onde o
coletivo
sobrepujou o
individualismo
e, por isso,
conseguiu a
almejada
ascensão para a
série "B",
afirma.
A PARTIDA
CHAVE DE 2007
A história de
sucesso do ABC
em 2007 deve ser
contada a partir
da vitória na
decisão do
Campeonato
Estadual, no dia
29 de abril, por
5x2, contra seu
principal
adversário, o
América. O
alvinegro chegou
aquele jogo
precedido de uma
fraca campanha
no Estadual e de
uma derrota
vergonhosa
dentro do seu
estádio para o
time de Açu, por
5x0. Após essa
derrota, a
direção do clube
de Natal teve a
maturidade
necessária para
repensar os
rumos do time e
trouxe para o
comando da
comissão técnica
o consagrado
profissional
norte-riograndense,
Ferdinando
Teixeira.
Essa simples
mudança teve um
efeito
revitalizador -
tanto no elenco,
quanto na
torcida e na
própria direção
do clube. Isso
porque
Ferdinando, além
de sua bagagem
no futebol, é um
técnico
carismático que
passa
confiabilidade
ao atleta,
conhece com
profundidade a
preparação
física,
comporta-se com
ética e exerce a
liderança com
naturalidade. "O
fator
psicológico teve
grande
influência no
resultado da
final do
campeonato".
Afirma Teixeira.
De fato, tanto a
imprensa quanto
o América
alardeavam que o
ABC era apenas
um mero
coadjuvante na
festa que seria
alvirubra.
Entretanto, se
esqueceram que
algo de
importante
estava mudando
no ABC.
"Enquanto o
América nos
subestimava,
encaramos aquele
jogo com muita
seriedade e isso
ficou
evidenciado
dentro de
campo", lembra
Ferdinando.
Um dos motes
para o trabalho
de animação
psicológica
junto aos
jogadores, conta
Ferdinando, foi
uma entrevista
dada pelo
técnico do
América na
época, Estevão
Soares, dizendo
que o ABC era
apenas um "timezinho
raçudo". A
gravação dessa
entrevista foi
repetida várias
vezes para os
jogadores com o
objetivo de
mostrar que eles
precisavam dar
uma resposta
dentro de campo.
O resultado
disso tudo foi
uma vitória
contundente do
alvinegro sobre
o alvirubro,
pelo elástico
placar de 2x0.
RETRANQUEIRO
QUE NADA,
FERDINANDO É O
12o. JOGADOR EM
CAMPO
Ferdinando, que
tinha chegado ao
ABC um mês e
meio antes,
conseguia assim,
partir para o
campeonato
brasileiro da
série "C" com um
time cheio de
moral - campeão
estadual em cima
de seu principal
rival e com uma
goleada. Estava,
dessa forma,
começando a ser
escrita a
história de
sucesso do ABC
em 2007. Depois
do título
estadual,
reconhece o
técnico, a
diretoria passou
a acreditar mais
nas
possibilidades
do time e a
torcida também
chegou junto
incentivando e
enchendo o
estádio "Frasqueirão".
SURGE UM NOVO
ÍDOLO
A partida contra
o América também
sacramenta o
surgimento de um
novo craque e
ídolo alvinegro
- o atacante
Wallysson, jovem
filho de Macaíba,
projetado para o
futebol dentro
da Vila Olímpica
"Vicente Farache".
Jogando com
simplicidade e
de forma
divertida,
Wallisson marcou
quatro tentos na
histórica
vitória
alvinegra. Sua
atuação serve
também para
mostrar o acerto
do ABC em
apostar na
formação de
novos talentos e
investir na
infra-estrutura
de seu futebol
de base. Segundo
Ferdinando
Teixeira,
Wallisson é um
jogador
diferenciado,
bom caráter e
dedicado aos
treinamentos.
Apesar de sua
categoria, joga
sempre pensando
no coletivo. "A
fama não subiu a
sua cabeça e ele
tem se mantido
humilde",
garante o
técnico.
FOCO NO
ESTADUAL
Com as
estratégias
sendo delineadas
visando uma boa
campanha na
série "B", o
foco do ABC
neste início de
ano é o
Campeonato
Estadual. "Vamos
lutar pelo
biccampeonato e
fazer uma boa
Copa do Brasil",
promete.
Nesse sentido, o
time que perdeu
seu principal
jogador -
Wallisson, para
o Atlético
Paranaense, e
Nego para o
Atlético Mineiro
-, reforçou-se
para o certame
estadual com as
contratações de
Marcelinho,
Alysson, Ronildo,
Waldir Papel,
Bosco, Marco
Antônio, Fábio
Costa e Audálio.
Presidente
Judas Tadeu e
diretor Cláudio
Porpino festejam
vitória.
DIRIGENTE COM
PAIXÃO E
SERIEDADE
O
presidente do
ABC, Judas Tadeu
Gurgel, atribui
ao trabalho,
tanto da equipe
quanto da
direção, o êxito
alvinegro no ano
de 2007. Judas
conta que o
início do
campeonato do
ano passado foi
turbulento e que
após do jogo
contra o ASSU,
onde o ABC
perdeu por 5x0,
ficou
evidenciado que
algumas medidas
precisavam ser
tomadas para que
o time reagisse.
Nesse sentido,
ressalta a
coragem que a
diretoria teve
para mudar de
rumo e aponta o
êxito da
contratação de
Ferdinando
Teixeira em
substituição a
Roberval Davino.
"O jogo contra o
ASSU foi um
divisor de
águas, mas com a
chegada de
Ferdinando o
time embalou",
ressalta.
A vitória
histórica contra
o América na
decisão do
campeonato é
vista, também
pelo presidente
alvinegro, como
fundamental para
a reconquista da
confiança do
torcedor na
diretoria e no
time. "Com
aquele placar
reconquistamos a
auto-estima da
torcida",
reforça Tadeu.
ESTRUTURA
ALVINEGRA
Judas Tadeu
afirma que a
construção da
Vila Olímpica
tem ligação
direta com a
coragem da
diretoria em
enfrentar o
desafio de
tornar um
patrimônio
físico de grande
dimensão - mas
sem maior
utilidade - numa
infra-estrutura
futebolística
que funciona em
prol do ABC.
"Isso tem sido
feito também
contando com o
apoio e o
acompanhamento
do Conselho
Deliberativo do
Clube", acentua.
Para tornar
possível a
façanha da Vila
Olímpica
"Vicente Farache",
o ABC permutou
3.75 hectares de
um total de 15,
com uma empresa
de construção
civil. Na
permuta, diz
Judas Tadeu, o
ABC recebeu o
equivalente a
70% das obras
existentes na
estrutura de seu
centro de
esportes.
A atual Vila
Olímpica conta
com o Estádio
"Maria Lamas
Farache"
(conhecido por
Frasqueirão) com
18 mil lugares e
a
infra-estrutura
necessária para
o bom
funcionamento;
centro de
treinamento de
formação de
novos atletas -
com dois campos
de futebol e
alojamento para
50 jovens, com
dormitórios e
refeitório; e um
centro de
treinamento
profissional com
campo de futebol
e concentração
qualificada. O
ABC tem
investido em sua
Vila Olímpica a
soma de dez
milhões de
reais.
No momento, após
o êxito do ABC
em 2007 e com
sua presença
assegurada na
Série "B" deste
ano, o alvinegro
conta com os
patrocÍnios da
SAM'S (desde
1998), Ster Bom,
Livraria Câmara
Cascudo, Café
Santa Clara, e
mais cerca de 15
empresas que
fazem parte da
mídia estática
do Frasqueirão.
PRESERVAÇÃO
DA BASE
"No futebol quem
contrata menos
leva uma certa
vantagem", diz
Judas Tadeu.
Seguindo essa
fórmula
simples
e eficaz, a base
do ABC tem sido
preservada desde
a conquista do
campeonato de
2007, passando
pela série "C" e
chegando agora
na "B".
Entretanto, o
presidente
alvinegro
reconhece que
essa manutenção
da base foi
possível também
devido à
existência de um
calendário no
futebol do Rio
Grande do Norte.
Paralelo a isso,
destaca Tadeu, o
ABC passou
também a
negociar atletas
com equipes da
elite do futebol
nacional, como
foram os casos
de Wallisson
(Atlético
Paranaense) e
Nêgo (Atlético
Mineira). O
dinheiro
arrecadado com
essas duas
negociações,
cerca de um
milhão de reais,
foi aplicado na
própria
estrutura da
Vila Olímpica,
com a construção
do módulo quatro
do estádio e
implantação de
21 cabines para
a imprensa
esportiva.
ELENCO
ALVINEGRO
Contando com uma
diretoria
liderada por
Judas Tadeu
Gurgel
(presidente)
Fernando Antônio
Brandão Suassuna
(vice-presidente),
ABC conta com os
serviços
profissionais de
Ferdinando
Teixeira
(técnico),
Flávio Paiva e
Ranielle Ribeiro
(preparadores
físicos),
Eugênio Dantas
(preparador de
goleiros),
Amaral
(massagista) e
Joca (roupeiro).
Formam o elenco
de jogadores:
Raniere, Aloísio
e Diego
(goleiros);
Ben-Hur, Alan,
Audálio e
Fabiano
(zagueiros);
Bosco, Thiago,
Rogerinho,
Alysson e Márcio
Gama (laterais);
Adelmo, Jean,
Marcelinho e
Danilo Lopes
(volantes);
Rodriguinho,
Fábio Costa e
Ronildo (meias-atacantes);
e Waldir Papel,
Marco Antônio,
Ivan, João Paulo
e Gabriel
(atacantes).
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