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Tribuna do Norte
27/01/2008

Da sala de aula aos gramados

Revelação aos 19 anso de idade, o meia Rodriguinho em uma difícil missão no ABC: substituir o ídolo Wallysson; adaptado no ataque alvinegro, o jovem valor não decepcionou e já é artilheiro do campeonato estadual

Foto: Rodrigo Sena

A Faculdade de Educação Física era o caminho natural na vida de Rodrigo Eduardo Costa Marinho. Mas, a reprovação no primeiro vestibular incentivou-o a seguir o seu sonho, mesmo contra a vontade de sua mãe, que na condição de educadora, insistia para que o filho caminhasse à passos largos nos estudos. Esforço em vão. Dois anos depois, o natalense Rodriguinho virou a mais nova aposta do ABC.

“O futebol sempre foi meu sonho. Fiz vestibular para Educação Física, mas não passei. Foi aí que resolvi me dedicar ao futebol”, confessou Rodriguinho, nascido em 27 de março de 1988 (bem próximo de completar 20 anos). “Hoje, graças a Deus, minha mãe já está mais compreensiva e me apoia bastante junto com meu pai, que está sempre do meu lado”, completou Rodriguinho.

Artilheiro provisório do campeonato estadual com três gols ao lado de Casagrande, do Potiguar de Parnamirim, o meia que virou atacante no início dessa temporada, espera continuar fazendo gols. “Gosto mais de jogar de frente para o gol. É bem diferente do que jogar de costas, na posição de atacante. Mas, na verdade, estou aqui para ajudar ao ABC e em qualquer posição que o treinador me colocar estarei pronto para jogar. Eu quero é jogar (risos)”, comentou o meia. “Acho que estou me entendendo bem com o Papel (Valdir) ali na frente”, completou Rodriguinho.

A vocação para atacante não surpreendeu o técnico Ferdinando Teixeira, que aposta muito no jogador desde o ano passado, quando Rodriguinho começou a ganhar espaço no elenco de profissionais, chegando, inclusive, a marcar um gol de placa no Frasqueirão contra o rival América - o único na goleada (5 a 1) sofrida para o Alvirubro pela Copa RN.

“Rodriguinho é um jogador habilidoso, um menino de muito valor e que tem um futuro muito grande pela frente. Ele tem se adaptado bem lá na frente e, por enquanto, não temos a intenção de mudar. Enquanto, tiver dando certo...”, declarou Ferdinando.

Vocação
Meia habilidoso, mas com vocação para fazer gols - vem provando isso no campeonato estadual desse ano -, Rodriguinho já vem sendo comparado a grande ídolos do futebol brasileiro, que mesmo atuando com a camisa 10, conquistou a fama de goleador, geralmente, dedicada aos donos da camisa 9. Pelé, Zico, Ronaldinho Gaúcho e Alberi, são apenas alguns bons exemplos, aos quais a jovem revelação alvinegro pode se inspirar na sua nova função no time.

Mas, a sua principal inspiração, segundo ele, usa a camisa 1. Isso mesmo é goleiro. “Sou um grande admirador de Rogério Ceni (goleiro do São Paulo)”, revelou Rodriguinho, que guarda outra qualidade de um camisa 10: cobrança de falta - um dos três gols no Estadual 2008, inclusive, foi marcado em cobrança de falta (o gol da vitória sobre o Potyguar de Currais Novos).

“Treino exaustivamente cobrança de faltas, porque numa partida difícil, por exemplo, uma cobrança de bola parada pode definir uma partida. E isso é muito importante. Por isso, me esforço para aperfeiçoar este fundamento cada vez mais”, comentou o meia, revelando de onde vem sua admiração pelo goleiro do São Paulo. “Rogério Ceni é o maior cobrador de faltas da atualidade. Espelho-me nele”.

Origem do futsal é explicação para habilidade
Antes de se transformar em promessa nos gramados, Rodriguinho ensaiou dribles no futsal, também, pelo ABC. “O futsal me deu um suporte importante em alguns fundamentos, como a movimentação, o passe, o drible curto”, explicou Rodriguinho.

“Se você analisar direitinho, os maiores jogadores do futebol brasileiro saíram do futsal. Robinho, Ronaldinho... A adaptação do futsal para o futebol de campo não é fácil. Por isso, quanto mais novo você vai para o campo, mais fácil é a adaptação. Isso não quer dizer que depois de mais velho você não possa conseguir”, disse o meia, tentando explicar o porquê de Falcão, ídolo das quadras, não ter dado certo (ou desistido) nos gramados. “No caso de Falcão, acho que se ele tivesse insistindo um pouco mais teria conseguido. Mas, ele preferiu voltar para o futsal”, avaliou.

De nível médio completo, oriundo da classe média o meia demonstra um bom grau de instrução, diferenciando-se da maioria dos jogadores de futebol, que, por vir de família pobre, geralmente, possuem baixo nível de escolaridade. Fora das quatro linhas, Rodriguinho se define uma pessoa comum de hábitos comuns. “Eu gosto de ir à praia, sair com os amigos, a namorada e curtir minha família, que é o alicerce para tudo”, finalizou.

Bate Bola
Rodriguinho - Meia do  ABC

Como você está encarando a missão de substituir Wallyson, que se transformou em ídolo da Frasqueira no ano passado?
Wallyson fez a sua história no ABC e eu quero fazer a minha. Não gosto muito desta comparação, na verdade. Wallyson é Wallyson e eu sou Rodriguinho. Espero conquistar essa torcida maravilhosa do ABC, trabalhando muito e fazendo meu papel bem feito dentro de campo.

Muita polêmica já envolveu seu nome em relação ao seu passe. A quem pertence seus direitos federativos, até para evitar o que aconteceu com Wallyson, que, por pouco, não teve a negociação para o Atlético Paranaense prejudicada por causa de uma briga entre empresário e clube?
Ao ABC. Pelo menos, até onde eu sei, é do ABC.

Quais são seus objetivos no futebol?
Espero desempenhar um bom papel aqui no ABC, fazer história, ser campeão e depois seguir minha carreira por um grande clube, no Brasil ou no exterior.

Qual é o grande clube do país que você gostaria de jogar caso pudesse escolher?
O São Paulo, sem dúvidas. É um grande clube e acho que todo jogador sonha em jogar lá.

É o seu time de coração?
Eu sou profissional e não posso ser torcedor. Hoje, sou ABC. Mas, prefiro dizer que torço por mim, Rodriguinho.

Especulou-se, no início do ano, que o São Paulo teria interesse em levá-lo para o Morumbi. É verdade?
Seria um sonho realizado. Mas, ainda não tem nada certo. Foi apenas especulação. Quero jogar no ABC esse Campeonato Estadual e ser campeão.

Então, você não fica para o Campeonato Brasileiro?
Tudo vai depender. Não posso afirmar nem que sim, nem que não. Vamos ver. Minha cabeça, no momento, está no ABC.

E jogar na Europa. Faz parte dos seus planos?
Claro. Todo jogador de futebol sonha em estar num grande centro do futebol mundial, como a Europa, onde está os grandes jogadores. Comigo não é diferente.

Tem preferência por algum time, em especial?
Não. Mas, gostaria de atuar pelo futebol espanhol, italiano ou português, onde estão os grandes time da Europa.

E a seleção brasileira?
Outro sonho que tenho e que vou perseguir. Afinal, não se paga nada para sonhar, não é verdade? Quero continuar sonhando com essa possibilidade, enquanto for jogador de futebol.

Qual a sua opinião sobre as categorias de base do ABC?
Acho muito importante o investimento nas categorias de base. É o futuro do clube. O ABC está no caminho certo.

Quem você poderia destacar desse time que disputou a Copa São Paulo de Futebol Juniores?
A molecada é muito boa. Assisti ao jogo contra o Santos na estréia, mas não assisti aos outros dois porque estava treinando. Mas, tem muita gente boa que, muito em breve, pode se destacar.

Qual a sua opinião sobre Ferdinando Teixeira, que tem dado muita oportunidade aos jogadores das categorias de base?
Ferdinando Teixeira dispensa comentários. É só analisar o currículo dele. Um treinador vencedor, que vem fazendo um excelente trabalho aqui no ABC. Ele não só dá oportunidade aos jogadores da base, mas os incentiva e os orienta também.  

Em quem você se espelha? Qual o seu ídolo no futebol?
Admiro muito Zidane, Riquelme e Ronaldinho Gaúcho.