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Diário de Natal
08/08
/2007
Victor Vidal

Morre Maranhão, o companheiro do maestro

Volante técnico, que tratava a bola com elegância, Maranhão treina ao lado de Alberi e Noé Soares

Final do segundo turno do Campeonato Estadual de 1973. Machadão lotado para assistir ao clássico ABC e América. O jogo estava duro, empatado em 1 a 1, quando uma tabela surpreendente, iniciada no meio de campo por Maranhão e Danilo Menezes, resultou no gol da vitória alvinegra. Mais tarde, o ‘‘Mais Querido’’ viria a derrotar novamente o América por 4 a 2, vencendo o terceiro e derradeiro turno do campeonato, sagrando-se tetra-campeão estadual.

O gol descrito acima, que tirou do fundo da garganta o grito dos abecedistas, foi marcado pelo próprio Maranhão, um volante arrojado que junto com Danilo Menezes e Alberi formou, talvez, o melhor meio de campo do ABC de todos os tempos. Líder nato dentro de campo e reconhecido pelo companheirismo fora de jogo, José Ribamar Celestino (nome de registro) morreu aos 65 anos, domingo passado, quando participava da ‘‘pelada’’ semanal, no Rio de Janeiro.

Um infarto tirou a vida do homem que armava o tripé de meio-campo mais idolatrado da história do ABC. Maranhão desembarcou no clube em 1972, vindo com o grupo de jogadores do Vasco da Gama trazido pelo técnico Célio de Souza para disputar o Campeonato Nacional, cuja atuação da equipe potiguar rendeu a 17ªcolocação. Apesar de ter feito apenas quatro gols pelo ABC, comandava a maioria dos ataques e praticamente não perdia disputas individuais.

O fato de fazer poucos gols gerou entre os colegas de clube gozações que Maranhão sempre conseuguia sair com uma boa tirada: ‘‘O meu gol é para ganhar jogo’’, dizia ele, realmente fazendo jus aos seus gols, que sempre decidiam jogos como a final do segundo turno do Estadual narrada no início da matéria. ‘‘Era um grande jogador, profissional correto como poucos, mas principalmente um grande amigo’’, relata o ex-zagueiro José Edson Gomes da Silva.

Depois do tetra-campeonato estadual de 73, Maranhão continuou atuando no meio-campo do ABC por pouco mais de um ano, quando foi convidado para assumir o comando das divisões de base da equipe (na principal, teve apenas uma passagem rápida como substituto). ‘‘Quando o clube voltou da excursão na Europa e África, convidamos Maranhão para ser técnico por causa do seu espírito de liderança, caráter e personalidade’’, conta o empresário Abelírio Rocha, que na época integrava a junta governativa que dirigia o clube.

Em 1976, Maranhão chegou a dirigir em conjunto com Wallace a seleção juvenil do Rio Grande do Norte. Mas no mesmo ano retornou ao Rio de Janeiro, sua cidade de origem. Na capital carioca, o ex-jogador trabalhava na parte administrativa do Vasco da Gama e mantinha uma frota de táxi. ‘‘Toda semana ele participava dessa pelada. Nessa última, teve um infarto dentro de campo e depois outro dentro do carro que ia para o hospital’’, contou Danilo Menezes.

A dupla com Maranhão foi magistral na lembrança de Danilo. ‘‘Nessa tabelinha que fizemos contra o América, no campeonato de 73, saímos do meio-campo e quando chegamos na área ele teve a tranqüilidade de tocar na saída do goleiro’’, lembra o jogador urugaio que fez história no ABC. Para ele, uma das maiores características de Maranhão está no comportamento dentro e fora de campo. ‘‘Era um grande amigo, caseiro e tranqüilo’’, recorda.