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Final do segundo
turno do
Campeonato
Estadual de
1973. Machadão
lotado para
assistir ao
clássico
ABC
e América. O
jogo estava
duro, empatado
em 1 a 1, quando
uma tabela
surpreendente,
iniciada no meio
de campo por
Maranhão e
Danilo Menezes,
resultou no gol
da vitória
alvinegra. Mais
tarde, o ‘‘Mais
Querido’’ viria
a derrotar
novamente o
América por 4 a
2, vencendo o
terceiro e
derradeiro turno
do campeonato,
sagrando-se
tetra-campeão
estadual.
O gol descrito
acima, que tirou
do fundo da
garganta o grito
dos abecedistas,
foi marcado pelo
próprio
Maranhão, um
volante arrojado
que junto com
Danilo Menezes e
Alberi formou,
talvez, o melhor
meio de campo do
ABC de todos os
tempos. Líder
nato dentro de
campo e
reconhecido pelo
companheirismo
fora de jogo,
José Ribamar
Celestino (nome
de registro)
morreu aos 65
anos, domingo
passado, quando
participava da
‘‘pelada’’
semanal, no Rio
de Janeiro.
Um infarto tirou
a vida do homem
que armava o
tripé de
meio-campo mais
idolatrado da
história do ABC.
Maranhão
desembarcou no
clube em 1972,
vindo com o
grupo de
jogadores do
Vasco da Gama
trazido pelo
técnico Célio de
Souza para
disputar o
Campeonato
Nacional, cuja
atuação da
equipe potiguar
rendeu a
17ªcolocação.
Apesar de ter
feito apenas
quatro gols pelo
ABC, comandava a
maioria dos
ataques e
praticamente não
perdia disputas
individuais.
O fato de fazer
poucos gols
gerou entre os
colegas de clube
gozações que
Maranhão sempre
conseuguia sair
com uma boa
tirada: ‘‘O meu
gol é para
ganhar jogo’’,
dizia ele,
realmente
fazendo jus aos
seus gols, que
sempre decidiam
jogos como a
final do segundo
turno do
Estadual narrada
no início da
matéria. ‘‘Era
um grande
jogador,
profissional
correto como
poucos, mas
principalmente
um grande
amigo’’, relata
o ex-zagueiro
José Edson Gomes
da Silva.
Depois do
tetra-campeonato
estadual de 73,
Maranhão
continuou
atuando no
meio-campo do
ABC por pouco
mais de um ano,
quando foi
convidado para
assumir o
comando das
divisões de base
da equipe (na
principal, teve
apenas uma
passagem rápida
como
substituto).
‘‘Quando o clube
voltou da
excursão na
Europa e África,
convidamos
Maranhão para
ser técnico por
causa do seu
espírito de
liderança,
caráter e
personalidade’’,
conta o
empresário
Abelírio Rocha,
que na época
integrava a
junta
governativa que
dirigia o clube.
Em 1976,
Maranhão chegou
a dirigir em
conjunto com
Wallace a
seleção juvenil
do Rio Grande do
Norte. Mas no
mesmo ano
retornou ao Rio
de Janeiro, sua
cidade de
origem. Na
capital carioca,
o ex-jogador
trabalhava na
parte
administrativa
do Vasco da Gama
e mantinha uma
frota de táxi.
‘‘Toda semana
ele participava
dessa pelada.
Nessa última,
teve um infarto
dentro de campo
e depois outro
dentro do carro
que ia para o
hospital’’,
contou Danilo
Menezes.
A dupla com
Maranhão foi
magistral na
lembrança de
Danilo. ‘‘Nessa
tabelinha que
fizemos contra o
América, no
campeonato de
73, saímos do
meio-campo e
quando chegamos
na área ele teve
a tranqüilidade
de tocar na
saída do
goleiro’’,
lembra o jogador
urugaio que fez
história no ABC.
Para ele, uma
das maiores
características
de Maranhão está
no comportamento
dentro e fora de
campo. ‘‘Era um
grande amigo,
caseiro e
tranqüilo’’,
recorda. |