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Ele esteve no
‘‘olho do
furacão’’ em
pelo menos dois
momentos
importantes do
futebol potiguar
-
quando a
Seleção
Brasileira jogou
no (hoje)
estádio Machadão,
no início de
1982, e quando o
ABC conquistou o
título de 1983,
lembrado pelos
gols a rodo. ‘‘O
ABC não fazia
menos de três
gols por
partida’’,
lembra o
ex-dirigente Rui
Barbosa.
Quem? Rui
Barbosa da Costa
nasceu em fins
de setembro de
1946, em João
Câmara -
‘‘Naquele tempo
ainda dse
chamava Baixa
Verde’’,
principia. Veio
a Natal com 5
anos de idade: a
família se fixou
na região de
Lagoa Seca.
‘‘Era distante
de tudo, era o
último bairro de
Natal. O último
mesmo’’.
Estudava -
passou pelo
então Grupo
Escolar (hoje E
E) Mascarenhas
Homem e pelo
Atheneu - ,
trabalhava -
ajudando a tirar
leite de vaca,
entre outras
coisas - e
brincava.
Brincava, onde?
O esporte entrou
bem cedo em sua
vida. Afinal, o
que mais havia
em Lagoa Seca
era terreno. Aí
era juntar os
colegas e
arranjar uma
bola -
‘‘Formávamos
times. As
camisas eram
feitas com sacos
de farinha! As
bolas eram de
meia, com elas a
gente aprendia a
ter
habilidade’’.
Onde hoje
funcionam um
posto de
gasolina
(cruzamento da
Bernardo Vieira
com a Prudente
de Morais) e o
Hiper Bompreço
(na Prudente),
antigamente eram
descampados,
onde se batia
bola à beça.
‘‘O ‘estádio’ do
Palmeiras da
(Avenida) 16 era
onde está hoje o
Hiper. Foi no
Palmeiras, de
‘Seu Ciço’,
cortador de
carne nas Rocas,
onde tive meu
primeiro contato
com a bola’’ -
não apenas o
contato, mas a
primeira emoção:
rapidamente se
destacou na
equipe, por ser
exímio nos
chutes com o pé
esquerdo. ‘‘Foi
ali que me
tornei um louco
pelo futebol’’.
Também jogou
pelo Ipiranga
local, pelo
Fluminense e
pelo Bardahl.
Até ajudou a
criar uma equipe
- a Sociedade
Padre
Miguelinho.
Achou pouco:
teve uma
passagem rápida
pelo Atlético,
de João Machado
e do técnico
Coqueiro.
Emserv
Mas ele
estudava,
paralelamente ao
futebol. Fez o
curso de
Administração, e
em 1972 ‘‘meteu
a cara’’ no
mercado - criou
a Emserv, a
primeira empresa
de segurança no
Rio Grande do
Norte. Não teve
jeito, a coceira
esportiva foi
mais forte -
‘‘Aí eu criei,
com os
funcionários
mesmo, a
Associação
Esportiva Emserv!
Sempre acreditei
no esporte como
meio para
motivar e formar
o caráter’’.
A associação se
embrenhou no
futebol e no
futsal. Ora
jogava, ora
dirigia.
‘‘Jogávamos
contra a
Guararapes, o
Sesi, a
Algodoeira São
Miguel... até
tínhamos planos
maiores, de
entrar em outras
modalidades, mas
naquele tempo
outras
federações
amadoras estavam
desorganizadas...’’
FNF
Um dia, e muitas
competições
depois, decidiu
filiar a Emserv
à Federação
Norte-Rio-Grandense
de Futebol (FNF).
Foi entre 1977 e
1978. Pouco
depois, a FNF
entrou em
período
eleitoral.
‘‘Havia uma
chapa. Rui
Soares para
presidente e
Manuel Leonardo
Nogueira para
vice. Não havia
divisão amadora!
Na hora da
votação,
conversei com os
presidentes de
clubes amadores,
que logo
lançaram minha
candidatura’’ -
candidatura à
vice-presidência!
No fim das
contas, teria os
votos dos clubes
amadores, contra
os votos dos
clubes
profissionais.
Na apuração...
‘‘14 votos
contra 14!
Empate! O
presidente da
FNF na época
considerou que,
pela idade, a
vice-presidência
era de Leonardo,
mas apareceu um
advogado dizendo
que pelo
estatuto deveria
haver outra
eleição...’’
Seria outro
empate. De novo?
Nããão... Tratou
de se mexer mais
um pouco. Deu
certo. ‘‘Venci
por dois votos
de diferença, um
de Ranilson (Cristino)
e outro de ‘Seu’
Bastos
(Santana)’’.
Algum tempo
depois, Rui
Soares teve que
se afastar da
FNF. ‘‘Sobrou
para mim. Fiz o
que pude.
Mantive um bom
relacionamento
com ABC, América
e Alecrim, mesmo
eu sendo
ABC...’’,
confessou.
Seleção
Foi em seu
período no
comando da FNF
que teve que
cuidar do maior
abacaxi possível
e imaginável -
um amistoso da
Seleção
Brasileira de
futebol. Brasil
x Alemanha
Oriental. O
primeiro e até
hoje único jogo
da Seleção por
estes lados. Foi
em janeiro de
1982.
Como? ‘‘A
primeira grande
dififuldade foi
trazer o
amistoso para
cá’’. Todo mundo
queria, aí numa
reunião o
‘‘funil’’
apertou - apenas
o Ceará, a
Paraíba e o Rio
Grande do Norte
estavam no
páreo. Tratou de
conquistar a
confiança do
então presidente
da CBF, Giulitte
Coutinho.
Considerou que o
Ceará já havia
recebido a
Seleção antes,
não fazia muito
tempo, e a
Paraíba não
tinha condições
para tanto. Por
eliminação...
Com o sinal
verde, teve que
correr contra o
tempo. Até
algumas contas
foram feitas
para saber se o
Machadão (a
época Castelão),
projetado para
comportar até 40
mil pessoas,
aguentaria
receber mais de
50 mil pessoas.
‘‘Uma
organização
enorme.
Segurança,
transporte,
hospedagem no
Ducal, tudo
feito nos
mínimos
detalhes. Depois
me disseram que,
de todos os
lugares por
odnde a Seleção
havia passado,
aqui foi onde
teve a recepção
mais bem
organizada.
Graças a Deus,
deu tudo
certo’’, conta,
sem esquecer que
para tanto
contou com ajuda
de muita gente,
como o capitão
Amaral. Foi
negócio para
subir pelas
paredes, por
dias. ‘‘Só me
acalmei mesmo
quando vi o
avião da Seleção
partindo. Pensei
‘Missão
cumprida!’ e dei
um suspiro...’’
Golpe de
mestre
Da FNF ao ABC
foi um pulo.
‘‘Eu era
torcedor do ABC.
Fui mais ou
menos
influenciado
pelo meu pai’’.
O alvinegro
vinha de uma
‘‘seca’’ de
quatro anos, só
dava América!
‘‘Fui eleito em
dezembro de
1982, e assim
que começou
1983, renuniciei
a FNF para
assumir o ABC.
Meu
vice-presidente
era Sebastião
Medeiros’’.
Mas o negócio
era evitar que o
ABC levasse a
quinta cacetada
seguida. Teve
uma idéia.
‘‘Convidei a
imprensa, e pedi
que formassem a
seleção do
campeoanto
anterior (1982).
Aí saíram nomes
como Djalminha,
Marinho, Silva,
Dedé de Dora,
Curió, Joel,
Sérgio Poty...’’
Ninguém
imaginava que
aquela lista de
jogadores fazia
parte de um
plano para tirar
o ABC da má
fase. Uma
simplicidade
desconcertante.‘‘Com
todos estes
nomes em mãos, o
que fiz? Quem
não era do ABC,
saí contratando
dos outros
clubes’’. Por
exemplo, Dedé de
Dora veio do
Potyguar de
Currais Novos, e
Silva (cuja
negociação foi a
mais complicada
de todas) estava
no futebol
carioca,
emprestado pelo
América. Pronto,
a seleção estava
formada. ‘‘Com
isto, o ABC
‘matou’ os
adversários.
Silva fez 36
gols; Marinho,
35; Dedé de
Dora, que era
meio-campo, fez
26; Djalminha
fez 16...
artilharia
absoluta’’ -
mais de 100
gols, exatos 117
pelas contas
dele. O ABC
tornou-se
campeão em 1983
e bi em 1984,
tudo a partir de
uma inocente
lista... um
golpe de mestre. |