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Tribuna do Norte
04
/02/2007
Everaldo Lopes
Repórter e Pesquisador
 

 

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“Cartola” do ABC é recebido como ídolo no aeroporto

VISIONÁRIO - José Nilson acalentou o sonho da Vila Olímpica.

Há 30 anos, José Nilson de Sá foi recebido no aeroporto com charanga e uma uma carreata.
Foto: Marcelo BarrosoDia 28 de janeiro de 1977, há  30 anos, portanto. Se o engenheiro José Nilson de Sá tiver uma boa memória, com certeza vai ainda recordar a grandiosa recepção que teve quando de sua chegada Natal, vindo de Brasília, para assumir a presidência do ABC FC. Sem favor algum, foi uma das maiores acolhidas já acontecidas com um dirigente  esportivo, talvez até no Brasil, por motivo de eleição para a presidência de um clube. José Nilson de Sá - um dos diretores de maior projeção da Construtora EIT, era um dos grandes beneméritos do Alvinegro, amigo pessoal do presidente que saía - deputado federal Aluísio Bezerra, e do vice de futebol, empresário Bira Rocha.

Eleito por aclamação, Zé Nilson tinha tudo para se tornar um dos grandes cartolas do ABC. Jovem ainda na época (50 anos), líder de uma das grandes empresas do Nordeste - Empresa Industrial Técnica,  um dos seus projetos era iniciar a construção da Vila Olímpica (hoje, complexo “Maria Lamas Farache”.) Por isso, o próprio clube tinha interesse em aproveitar o entusiasmo revelado por Zé Nilson, organizando para ele uma recepção digna de um chefe de estado. Naquele 27 de janeiro de 1977, a “Frasqueira” se preparou para receber o novo presidente. O clube providenciou a ida de Bira Rocha e o presidente que saía, Aluísio Bezerra ao Recife, onde tomariam o mesmo avião que trazia o presidente eleito. Tudo certinho, o velho e acanhado aeroporto Augusto Severo lotado de dirigentes, amigos e torcedores. Dezenas de faixas com dizeres do tipo “Zé Nilson, a Frasqueira confia em você!”, “Zé Nilson, queremos o bi!”, “Bira e Aluísio, a Frasqueira lhes agradece!”, entre outras tantas enaltecendo o dirigente. Vários ônibus levaram centenas de torcedores.

A recepção ao novo dirigente abecedista  foi assunto nas colunas sociais, até pelo prestígio do recepcionado,  empresário mais do que vitorioso, um dos donos da hoje extinta Maísa (Mossoró Agro-Industrial SA). Uma carreata com mais de 100 veículos ocupou parte da BR 101, fogos de artifício, charangas, carro de som. A impressão que se tinha era de que José Nilson pleiteava candidatar-se a algum posto político, o que não era verdade. Nunca se candidatou a deputado, senador ou governador. Anos depois, seu filho Múcio Sá candidatou-se e foi eleito deputado federal. Hoje, é ex deputado.

Se a recepção no aeroporto foi grandiosa, a posse foi cercada também da mesma grandiosidade, tendo acontecido na própria sede alvinegra, em Morro Branco, com discursos de Aluísio Bezerra, Bira Rocha e do presidente eleito. Este, conforme havia prometido, anunciou um “segredo” que vinha guardando a sete chaves: dali a  15 dias iniciaria as obras da futura Vila Olímpica, onde hoje está o “Maria Lamas Farache”. Como o local era apenas só morro de areia, tudo andou lentamente com as máquinas fazendo a terraplenagem, um trabalho que consumiu  meses e muito dinheiro. Que o clube não tinha, dependendo da realização de gigantescos bingos que eram a coqueluche do momento.

Além de prometer o imediato início das obras da Vila Olímpica. José  Nilson de Sá  afirmou que tudo faria para dar o bicampeonato ao ABC. Nesse ponto, não pôde cumprir o prometido, já que o campeão de 77 foi  o América. O ABC retomaria as rédeas em 78, mas de 79 a 82 o América sagrou-se tetracampeão. Aí, Zé Nilson não era mais o presidente.