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Há 30 anos, José
Nilson de Sá foi
recebido no
aeroporto com
charanga e uma
uma carreata.
Dia
28 de janeiro de
1977, há 30
anos, portanto.
Se o engenheiro
José Nilson de
Sá tiver uma boa
memória, com
certeza vai
ainda recordar a
grandiosa
recepção que
teve quando de
sua chegada
Natal, vindo de
Brasília, para
assumir a
presidência do
ABC FC. Sem
favor algum, foi
uma das maiores
acolhidas já
acontecidas com
um dirigente
esportivo,
talvez até no
Brasil, por
motivo de
eleição para a
presidência de
um clube. José
Nilson de Sá -
um dos diretores
de maior
projeção da
Construtora EIT,
era um dos
grandes
beneméritos do
Alvinegro, amigo
pessoal do
presidente que
saía - deputado
federal Aluísio
Bezerra, e do
vice de futebol,
empresário Bira
Rocha.
Eleito por
aclamação, Zé
Nilson tinha
tudo para se
tornar um dos
grandes cartolas
do ABC. Jovem
ainda na época
(50 anos), líder
de uma das
grandes empresas
do Nordeste -
Empresa
Industrial
Técnica, um dos
seus projetos
era iniciar a
construção da
Vila Olímpica
(hoje, complexo
“Maria Lamas
Farache”.) Por
isso, o próprio
clube tinha
interesse em
aproveitar o
entusiasmo
revelado por Zé
Nilson,
organizando para
ele uma recepção
digna de um
chefe de estado.
Naquele 27 de
janeiro de 1977,
a “Frasqueira”
se preparou para
receber o novo
presidente. O
clube
providenciou a
ida de Bira
Rocha e o
presidente que
saía, Aluísio
Bezerra ao
Recife, onde
tomariam o mesmo
avião que trazia
o presidente
eleito. Tudo
certinho, o
velho e acanhado
aeroporto
Augusto Severo
lotado de
dirigentes,
amigos e
torcedores.
Dezenas de
faixas com
dizeres do tipo
“Zé Nilson, a
Frasqueira
confia em
você!”, “Zé
Nilson, queremos
o bi!”, “Bira e
Aluísio, a
Frasqueira lhes
agradece!”,
entre outras
tantas
enaltecendo o
dirigente.
Vários ônibus
levaram centenas
de torcedores.
A recepção ao
novo dirigente
abecedista foi
assunto nas
colunas sociais,
até pelo
prestígio do
recepcionado,
empresário mais
do que
vitorioso, um
dos donos da
hoje extinta
Maísa (Mossoró
Agro-Industrial
SA). Uma
carreata com
mais de 100
veículos ocupou
parte da BR 101,
fogos de
artifício,
charangas, carro
de som. A
impressão que se
tinha era de que
José Nilson
pleiteava
candidatar-se a
algum posto
político, o que
não era verdade.
Nunca se
candidatou a
deputado,
senador ou
governador. Anos
depois, seu
filho Múcio Sá
candidatou-se e
foi eleito
deputado
federal. Hoje, é
ex deputado.
Se a recepção no
aeroporto foi
grandiosa, a
posse foi
cercada também
da mesma
grandiosidade,
tendo acontecido
na própria sede
alvinegra, em
Morro Branco,
com discursos de
Aluísio Bezerra,
Bira Rocha e do
presidente
eleito. Este,
conforme havia
prometido,
anunciou um
“segredo” que
vinha guardando
a sete chaves:
dali a 15 dias
iniciaria as
obras da futura
Vila Olímpica,
onde hoje está o
“Maria Lamas
Farache”. Como o
local era apenas
só morro de
areia, tudo
andou lentamente
com as máquinas
fazendo a
terraplenagem,
um trabalho que
consumiu meses
e muito
dinheiro. Que o
clube não tinha,
dependendo da
realização de
gigantescos
bingos que eram
a coqueluche do
momento.
Além de prometer
o imediato
início das obras
da Vila
Olímpica. José
Nilson de Sá
afirmou que tudo
faria para dar o
bicampeonato ao
ABC. Nesse
ponto, não pôde
cumprir o
prometido, já
que o campeão de
77 foi o
América. O ABC
retomaria as
rédeas em 78,
mas de 79 a 82 o
América
sagrou-se
tetracampeão.
Aí, Zé Nilson
não era mais o
presidente.
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