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Uma
vida dedicada ao
ABC, desde as
categorias de
base.
Seu negócio era
jogar do
meio-campo para
a frente. Tanto
deu certo que
esteve no
bicampeonato de
1984. Quem?
Paulo Rômulo
Nogueira de
Paiva - ou
simplesmente o
meia-atacante
Rômulo.
‘‘Nasci no dia 7
de janeiro de
1963, aqui em
Natal mesmo, na
Policlínica do
Alecrim, às
7h30’’, começa,
preciso. ‘‘Morei
no Alecrim até
uns 12 anos, aí
fui para
Potilândia. Lá
comecei a me
destacar nas
‘peladas’, eu
jogava no
Alvorada, de
Alcyr e
Américo’’.
Foi aí que notou
que seu negócio
era atacar.
‘‘Sempre fui
meia direita
avançado e
centroavante, de
tanto jogar como
ponta-de-lança...
é, eu era
atacante
mesmo!’’,
admite.
Sequência
Destacou-se a
ponto de chamar
a atenção do
então massagista
alvinegro
Aluísio. ‘‘Ele
me viu e me
levou para jogar
no infantil do
ABC. Lá estavam
Geraldo,
Marquinhos - que
mais tarde jogou
futsal pelo
América - ,
Mário Júnior,
Artur, Fábio...
quase todos
‘desviaram o
caminho’, fui o
único que
‘subi’. Aliás,
hoje é muito
raro ver aqui um
jogador subir
sequencialmente
das bases até a
categoria de
seniores...’’
Era o ano de
1977, e o
técnico dessa
equipe era
Reginaldo Lins -
que pode ser
encontrado hoje
no Salesiano, a
escola da
Ribeira que já
teve entre seus
professores-técnicos,
por exemplo,
Eloy Simplício e
Geraldo
‘‘Safena’’ Sá
Filho, que já
desfiaram suas
memórias nesta
mesma página...
Certo é que, sob
o comando de
Reginaldo,
Rômulo conheceu
seu primeiro
título - em 1977
mesmo, o ABC foi
campeão estadual
da categoria
infantil. ‘‘Aí
ascendi para a
equipe
infanto-juvenil,
também sob o
comando de
Reginaldo; e
logo em seguida
para os
‘juvenis’, que
hoje chamam de
juniores, com o
técnico
Maranhão, que
foi volante do
próprio ABC. Eu
tinha apenas 15
anos! Estava lá,
junto com
Sílvio, Ademir,
Sérgio Maria,
Marquinhos,
André...’’
Pelos juvenis,
foi campeão em
1979, em decisão
contra o América
- ‘‘Gol de
Gilmar’’ - e
bicampeão em
1980. Como
estava se
destacando na
categoria, um
dos jogadores da
equipe principal
resolveu dar-lhe
uma forcinha -
‘‘Foi o Jonas,
que hoje é
pastor’’. E
aí...
Subindo!
...Rômulo
estreou no meio
da equipe
principal em
1980. ‘‘ABC x
Central-PE, jogo
em Recife! O ABC
venceu, 1 a
zero, gol de
Joel Celestino.
Jonas ‘deu’ a
vaga dele no
time para mim.
Aquele time
tinha, além de
Jonas e Joel,
Caetano
(goleiro), Jorge
Luiz...’’
Detalhe: até
aqui era atleta
amador.
E veio 1981.
Chegou a época
do Serviço
Militar.
Escolheu a
Marinha e, como
todo marinheiro
que se preze,
passou uma
temporada no Rio
de Janeiro. Quem
disse que ficou
longe da bola?
‘‘Ah, joguei nas
bases do
Fluminense. E o
Matsubara estava
de olho em mim,
fez vários
contatos...mas,
cadê que o ABC
me liberava?
Ainda assim, com
passe preso ao
ABC, joguei uns
quatro jogos no
Fluminense, que
tinha Lula como
técnico. Estive
ao lado de
Branco, Paulo
Vítor,
Cristóvão... não
houve acordo com
o ABC e voltei a
Natal’’.
Voltou mesmo. E
se
profissionalizou
pelo ‘‘Mais
Querido’’ em
1982, sob
comando de
Erandyr
Montenegro.
‘‘Mas o ABC
perdeu aquele
Estadual para o
América’’. Logo,
foi emprestado
ao Potyguar de
Currais Novos,
início de 1983.
‘‘Era um bom
time, vários
jogadores do
Potyguar vieram
depois para o
ABC, como Dedé
de Dora. O
técnico era
Veto, e além de
Dedé aquele time
possuía Naldo,
Givanilson,
Gilvan, Zé Neto,
Luciano...’’ O
título ficou com
o ABC, de onde
recorda uma
passagem curiosa
- ‘‘O técnico
era Erandyr
(Montenegro).
Certa vez o ABC
perdia para o
Potyguar, e ele
comentou
‘Estamos
perdendo por 1 a
zero para um tal
de... Dedé de
Dora?!?’ Depois
disso, para onde
ia, Erandyr
levava Dedé, e
os dois semrpe
eram campeões.
Isso jamais me
saiu da
cabeça’’.
No ano seguinte,
estava mais uma
vez de volta ao
alvinegro, que
agora buscava o
bi. Para os
adversários,
aquele ABC não
era um time, era
uma potência,
uma
monstruosidade,
parecia bicho do
outro mundo.
Pudera: ‘‘O ABC
estava armado
com Dedé de
Dora, Nicácio,
Curió, Marinho
Apolônio,
Silva... quer
mais? Para
‘segurar’ esse
povo todo,
Ferdinando
(Teixeira) era o
técnico’’. E não
deu outra - ‘‘O
ABC foi bi. Fui
um dos
artilheiros ao
lado de Marinho
e de Dedé de
Dora’’.
Curiosamente,
sua imagem não
aparece na foto
oficial do
título, por não
ter jogado as
duas partidas
finais, opção
vinda de cima...
Joelhos e pés no
mundo
Entrou o ano de
1985. ‘‘O ABC
esteve no
Brasileiro. E eu
junto. A mesma
base de 1983-84,
com mais uns
reforços, como
Valério e
Arildo’’. Após o
Brasileiro,
passou uma
temporada no
Baraúnas -
‘‘Seis meses
junto com
Cláudio
Oliveira,Gelson,
Biro, João
Chaves, Railton,
Nonato - que
nessa época
andava de
bicicleta - mais
o técnico era
Renê Dantas e o
presidente
Edmilson
Teixeira’’.
Estava indo tudo
bem, até que no
finzinho do ano
as coisas
começaram a
desgringolar.
‘‘Realmente,
tive poucas
contusões,
apenas três na
carreira, mas
foram bem
sérias’’. Um
lance rápido,
uma dividida, um
drible, um
adversário
desequilibrado
nas pernas, uma
queda... e lá se
foi o joelho
direito de
Rômulo - ‘‘O
cara ‘sentou’ no
meu joelho!’’.
Um entorse,
daqueles
invocados.
Precisou afastou
por um bom tempo
para se
recuperar.
Começou a
peregrinar por
outros times. Em
1986 foi para o
Auto Esporte-PB,
juntando-se a
Noronha,
Esmerino e
Valter (irmão de
Hélcio Jacaré);
em 1987, estava
no Riachuelo,
sob comando de
Hélio Lopes,
atuando ao lado
de Mirabeau,
Álvaro, Teo e
Tito, entre
outros - ‘‘Ainda
fiz uns 7 ou 8
gols naquele
campeonato’’.
No ano seguinte,
estava de volta
à Paraíba, agora
pelo Botafogo -
‘‘Minha ida do
RAC ao Botafogo
foi facilitada
por Garrinchha
(já falecido),
que era o
presidente do
RAC. Agora,
analise: um
Botafogo, que
tinha potencial
para pegar
aualquer atleta
de ABC ou
América, vai
buscar um cara
lá de um time
pequeno? Eu
devia ter algum
potencial...’’
Em 1990 estava
no Alecrim -
‘‘Com Leto, Nito
Galo Branco,
Emanuel... o
técnico era
Marcos Pintado,
e o preparador
físico era
Betinho! Fiquei
pouco tempo’’.
Mas nesse pouco
tempo... ‘‘Tive
outra contusão,
agora no joelho
esquerdo. De
novo aquela
perna ‘travada’,
torta, uma
dooooooooor...’’
Mais uma pausa
para
recuperação.
Ainda esteve em
1991 no Atlético
- ‘‘Aquele
mesmo, com
Marinho,
Sandoval, Tinho,
Álvaro, Jorge
Demolidor,
Alberi, Danilo,
o técnico
Esmerino. E é
verdade, cada
jogador tinha um
patrocínio
diferente!’’; em
1992, o
Guarabira-PB -
‘‘com Severinho,
Lúcio Sabiá,
Gilson
Sergipano,
Severinho...
quase o grupo
todo do
Atlético’’ - o
Matriz-AL - ‘‘do
técnico Pompéia,
falecido,
ex-goleiro do
América’’. Seu
último clube foi
o Vênus da
Cidade da
Espernaça, em
1993.
Histórias
ABC, década de
1980, cercado de
“meninos
bonzinhos‘‘ e
ainda por cima
tendo Furão -
que está de
volta a Natal -
como
massagista...
não podia dar
outra: Rômulo
testemunhou
muita presepada
e até um,
digamos,
acidente
aéreo... “Foi
num jogo que o
ABC estava indo
para Manaus
(AM). Durante o
vôo, teve uma
hora que Furão
foi levar uns
comprimidos para
Jorge
Demolidor... só
que na hora
houve uma
turbulência, e
lá Furão acabou
derrubando tudo,
água,
comprimidos...‘‘
Além disto,
havia um prato
interessantíssimo
na Vila Olímpica
- o feijão com
chuteira!
“Explico, é um
código conhecido
dos atletas: a
’chuteira’,
aqui, significa
a carne. Uma
vez, Joca chegou
a Furão pedindo
’feijão com
muita chuteira’.
O que Furão fez?
Colocou dois
pares de
chuteiras, bem
grandes e
velhas, ao lado
do panelão do
feijão. Joca
ficou
desconfiado...‘‘
E da vez que
Lúcio Sabiá pôs
o dinheiro para
correr atrás
dele? “Ele foi
pegar um
dinheiro lá no
caixa, descalço.
Pegou aquele
bolo de notas,
amarrou com um
barbante nas
costas e disse
para o dinheiro
- ’Olha, eu vivo
correndo atrás
de você... agora
você vai é
correr atrás de
mim!’ ‘‘
Hoje é festa
Relembrando:
hoje é 7 de
janeiro. Então,
Rômulo faz
aniversário, 43
anos. E recebe
como presente o
reconhecimento
que aguardava de
longa data.
‘‘Hoje me sinto
realizado,
através deste
reconhecimento
hoje, pois fiz
do futebol minha
vida. É até uma
glória! A falta
de
reconhecimento,
lá atrás, me
magoou...’’
E vai além.
‘‘Fiz o que
idealizava na
vida, desde
menino queria
ser jogador de
futebol. Foi
inclusive o
sonho de meu pai
(Paulo Xavier de
Paiva), ele
queria me ver
jogador
profissional,
mas faleceu
quando eu tinha
11 anos’’ - e
assim a mãe,
‘‘Dona’’ Maria
Dantas Nogueira
de Paiva, hoje
com 76 anos,
teve que se
desdobrar em
dois.
Além disto, não
é qualquer um
que concretiza
um sonho por
inteiro, e por
tanto tempo.
‘‘Sempre fui
torcedor do ABC,
é até uma
satisfação ter
sido atleta do
ABC que me
projetou. Hoje
sou corretor,
mas ainda tem
muita gente que
lembra de mim do
tempo que eu era
jogador’’ E se
arrisca até a um
‘‘último
pedido’’, tal a
paixão que tem
pelo clube -
‘‘Quando eu
morrer, quero
estar com a
bandeira do
ABC!’’.
Vendendo
seguros para
automóveis
Mas, voltando à
carreira...
falávamos do
Vênus, da Cidade
da Esperança -
‘‘O técnico era
Armando Viana
(aquele mesmo do
Jogo Aberto, da
Rádio Poti); ali
jogaram o
goleiro Pavão,
Adalberto, Tião,
Leto, Clóvis,
Dedé de
Dora...’’.
Aí foi procurar
algo além do
futebol.
‘‘Trabalhei na
Transbrasil, lá
no Aeroporto
(Augusto
Severo). Também
fui vendedor de
pronta-entrega’’.
Desde 1997 está
na área de
seguros, obra de
um certo Edílio
Lobo - Rômulo
está hoje na
Homer Corretora,
na parte de
seguros para
automóveis. Mas
não abandonou o
futebol por
inteiro. Tanto,
que continua
defendendo o ABC
- precisamente,
o ABC-VarigLog,
no Estadual de
Masters.
E a família?
Casou-se há 10
anos com Lilian
Cilene Lima da
Silva - e veio
uma filha:
Nayara Ruhany, 8
anos.
Bate-bola
O Poti - Consta
que você aguarda
até hoje uma
placa devido a
um jogo em
Mossoró...
Rômulo - Foi uma
passagem que
tive no
Baraúnas, em
1985. Jogo
contra o
Potiguar de
Mossoró.
Perdíamos, 1 a
zero, quando
Nonato (hoje no
Cruzeiro-MG),
pela direita,
cruzou para
Carlinhos que
passou para mim
pela esquerda.
Chutei de voleio,
quase fora da
área. Baraúnas 1
a 1. A imprensa
de Mossoró
considerou que
aquele era um
gol digno de
placa. Só que o
tempo passou, e
esqueceram de
fazer a tal
placa... Se
alguém lembrar
da placa, por
favor, estou
aqui para
recebê-la...
E o gol mais
bonito?
Foi um Riachuelo
2 x 1 ABC. Eu
jogava no
Riachuelo, fiz
um dos gols: de
voleio,
meia-bicicleta
na área. O outro
gol foi de
Mirabeau. Aquele
foi o meu gol
mais bonito.
Mas seu grande
jogo foi...
.. um ABC x
América no JL!
Joguei ao lado
de Marinho
(Apolônio) e
Dedé (de Dora).
O ABC venceu
esse jogo, 2 a
1. Fiz o segundo
gol, de
cobertura sobre
Eugênio!
Nomes, nomes,
nomes... Com
quem você tinha
mais afinidade?
E os amigos?
Quem você
apontaria como
um grande
técnico? E como
atleta?
Sempre tive
muita afinidade
com Dedé de
Dora. Como
grandes amigos,
Álvaro e Jonas.
Eu considero
Ferdinando
Teixeira um
grande técnico;
e quanto aos
grandes
jogadores, cito
Alberi e Dedé de
Dora.
O que você acha
do trabalho que
vem sendo feito
atualmente no
ABC?
Olha, muitos por
aí criticam (o
presidente)
Judas Tadeu. Mas
na condição de
ex-atleta eu o
vejo como um
grande
dirigente, pois
tem se dedicado
e ainda se
dedica às coisas
do ABC, e merece
todo apoio da
torcida e da
imprensa. |