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Tribuna do Norte 12/11/2006
 
Everaldo Lopes Repórter e pesquisador

 

 

Ney Andrade, o filho pródigo do ABC

Durante sete anos ele foi titular absoluto, líder e capitão da equipe; jogou ainda no sport, Bahia e Flu/RJ

FLUMINENSE - Jogou no Rio, ao lado de grandes nomes tricolores (foto)
Quando o ABC resolveu licenciar-se da Federação Norte-rio-grandense de Desportos (antecessora da atual FNF)  em 1952 por discordar da administração do major Fernando Leitão, para não desativar por completo seu departamento de futebol o Alvinegro resolveu manter em atividade uma equipe mista denominada  de “Expressinho, aproveitando seu pequeno estádio (Maria Lamas Farache) construído no quadrilátero entre a rua Potengi e Seridó, e avenidas  Afonso Pena e Campos Salles, em Petrópolis. Ali, todos os domingos, capitaneados pelo “lider”  Ney Andrade os juniores alvinegros faziam amistosos contra times menores da federação e da várzea natalense. O time base era formado por Zózimo, Mauro, Miro, Jorge Menezes e Ney Andrade, Dé e Nenzito, Osir, Araken e Fred (Jurandir). No final do ano, o ABC  tinha mais ou menos uma base para retornar ao campeonato metropolitano.

SELEÇÃO DO RN - Craque de bola, ocupou lugar de destaque(foto)
E foi o que aconteceu. Ao entrar nas disputas do campeonato o ABC já tinha uma equipe à altura do América, Alecrim e Santa Cruz. No Torneio Início, ganho pelos rubros, o ABC formou com Edson, Toré, Gonzaga, Ney Andrade e Tatá, Badidiu e Peti, Baiano, Leninho, Renê e Pevê. O treinador era o gaúcho Álvaro Barbosa, nome já respeitável no Nordeste. Logo depois chegaria para compor o elenco aquele que seria, anos depois, o maior ídolo na história do clube, o mossoroense Jorge Tavares, o  professor Jorginho.  Àquela altura, o líder da equipe era Ney Andrade, mesmo ainda quase um júnior feito nas bases do clube. No mesmo ano do retorno o ABC sagrou-se campeão metropolitano (ainda não era Estadual), com o detalhe de que, devido os jogos do Brasileiro de Seleções Estaduais o campeonato só terminaria em 54, o jogo decisivo ganho pelo ABC diante do América por 3x2, dia 02/05/54, gols de  Jorginho, Oliveira e Pauylo Isidro, anotando  Abel os dois gols dos Rubros. O ABC foi campeão com Edson, Badidiu, Toré, Tatá e Ivanildo, Cadinha, Gonzaga e Jorginho, Sileno, Oliveira e Paulo Isidro.  Contundido, Ney Andrade não pôde atuar. Antes da decisão   do título de 53 reunindo América e ABC, a federação promoveu uma temporada com o São Cristóvão, que era ainda um clube médio do futebol carioca. Chamado também de clube cadete, o SC enfrentou duas vezes o ABC, perdendo na estréia por 4x0, gols de Mota (2), Abel e Paulo Isidro, derrotou o América por 2x0 e, numa revanche contra o ABC empatou em 1x1. Para os saudosistas, eis as duas equipes: o ABC com Edson, Toré, Tatá, Gonzaga e Cadinha, Badidiu, Ney Andrade e Jorginho, Mota, Abel (Dorian) e Paulo Isaidro. O São Cristovão com Hélio, Manfredo, Ivan, Alves e Décio, Ivan II e Severino, Milton, Cosme (Sarcinelli), Cabofrio e Carlinhos.

O grande mérito de Ney Andrade foi nunca ter sido reserva nos quatro clubes por onde passou no futebol brasileiro.


SPORT - Em Recife, seguiu caminho de líder no Rubro Negro (foto)

Mesmo sem contar com a divulgação maciça dos dias atuais com televisão, Internet, rádio dispondo de transmissão por Satélite,  grandes jornais e revistas,  e sem a figura  popular do empresário  o natalense Ney Andrade conseguiu romper fronteiras e ter seu grande futebol reconhecido. Tanto é que, quando deixou o ABC seguiu direto para ser titulara do Sport Club do Recife, jogando ao lado do goleiro Manga, Zé Maria e Pacoti, que logo se transferiria para o Vasco da Gama, no Bahia com seu timaço da época e no Fluminense, com o Tricolor carioca contando com  Castilho, Clovis, Altair, Valdo, Robson,Escurinho,entreoutros.