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DECACAMPEÕES - Com o elenco da foto, o
ABC sagrou-se campeão do RN dez vezes,
de 1932 a 41
Hoje,
um clube ao se sagrar campeão estadual
uma vez chega a usar até 30 jogadoress.
Apenas dois clubes brasileiros ostentam
o título invejável de decacammpeão de
futebol estadual: o ABC FC no Rio Grande
do Norte, de 1932 a 41, e o América
Mineiro, de 1916 a 25. O Alvinegro
potiguar chegou a essa façanha numa
época em que imperava o puro e romântico
amadorismo, acumulando 10 campeonatos
seguidos lançando mão de apenas 50
jogadores, todos eles amadores, até
porque o profissionalismo somente
chegou ao RN no começo dos anos 50. A
maioria dos jogadores era constituída de
rapazes pobres, que, talvez, recebessem
alguma ajuda material de diretores e às
vezes até colegas do próprio elenco. É
sabido que, nos primórdios do futebol
nesta capital muitos jogadores do ABC,
Santa Cruz (já extinto) e América eram
de famílias abastadas.
No decampeonato do Alvinegro há detalhes
que seriam praticamente impossíveis
hoje, salvo um ou outro caso de
excepcionalidade, como ocorre com o
goleiro Rogério Ceni, atuando no São
Paulo desde 1991. Nos 10 anos do ABC os
maiores exemplos de amor ao clube foram
dados pelo goleador Xixico e o volante
Simão (únicos realmente decacampeões, de
32 a 41), Nezinho e Dorcelino, com nove
anos dos 10 campeonatos, Hermes (de 35 a
1940), Mário Crise (de 32 a 39), e ainda
outros campeões que variaram suas
participações com menos tempo de clube.
São os casos de Mário Mota (38 a 41),
Adalberto (32 a 36), o goleiro Edgar em
temporadas alternadas de 35, 36, 40 e
41, provavelmente por estar fora de
Natal. Como curiosidade registrar que
nos 10 títulos consecutivos o ABC contou
com seis goleiros entre reservas e
titulares, revezando-se nas 10
temporadas.
Outro fenômeno no deca campeonato
abecedista foi a presença única do
treinador Vicente Farache, um misto de
diretor de futebol (na época tratado
como diretor técnico) e treinador
durante os 10 anos. Farache tinha sido
apenas um esforçado ponta direita, um
jovem advogado formado no Rio de
Janeiro, com apenas 27 anos quando
chegou para o clube. Logo cedo pendurou
as chuteiras e passou a dedicar sua vida
ao clube do seu coração. Quando casou
com Maria Lamas Farache, os dois
participavam na faina diária dentro do
clube. A loja de calçados de Farache,
na rua doutor Barata, Ribeira, era uma
espécie de quartel general do clube.
Dois balconistas da loja eram jogadores
ABC. Farache continuou treinando o ABC,
somente parando quando notou que a idade
já não permitia “se entregar” ao clube
como fazia quando era mais jovem.
Mesmo tendo em alguns tetracampeonatos
seus feitos maiores, o América teve
também alguns jogadores que quase se
perpetuaram defendendo a camisa
vermelha. Na era Juvenal Lamartine os
mais conhecidos foram Renato
Magalhães, Gerin, Rossini, Leônidas
Bonifácio, Gilvandro, Dieb,
Pernambucano. Na fase Castelão/Machadão,
ninguém superou Ivan Silva, com seus
mais de 10 anos somente vestindo a
camisa do América, ora como ala, outras
vezes zagueiro central, até parar com a
bola. O que se vê, hoje, é o jogador
demorar de três a seis meses num clube,
logo trocando de clube na próxima oferta
maior.
Além do fiel elenco dos anos 30, o ABC
contou com outros jogadores de extremo
amor ao clube, como Jorginho, de 45 a
65, 20 anos de ABC, Gageiro, Biró,
Ribamar, Cadinha, Paulo Isidro, Albano,
Tidão, Ney Nadrade, Ereivan, Piaba,
Otávio, o próprio Alberi, de 68 a 75 com
rápidas saídas para o Rio Negro e,
posteriormente América e Alecrim, Noé
Soares, Danilo Menezes, entre outros.
Conheça todos que ganharam o
deca
Os 50 decampeões pelo ABC FC,
de 1932 a 41 são estes: goleiros, Tarzã,
Diógenes, Edgar, Nené, Daniel, Nunes e
Jônatas, e demais posições os titulares
e suplentes Bicudo, Zé Maria, Pedrinho,
Albano, Mário Mota, Pageú, Vilarim,
Nezinho 1o., Nezinho 2o. , Netinho,
Cesário, Neguinho, Nenéo, Gageiro,
Joãozinho, Zé Lins, Tico, Saravotti,
Enéas, Barbalho, Paulino, Elias, Xixico,
Dorcelino, Adalberto, Pereirão, Augusto
Lourival, Mário Crise, Soldado, Romano,
Arlindo, Zeca, Hermes, Acácio, Valter,
Teixeira, Osvaldo, Edvard, Nepó e
Novinho. Técnico, Vicente Farache nos
10 títulos. |