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Calendário da
CBF, falta de
recursos e
planejamento
prejudicam o
esporte local
DE
FÉRIAS -
Apesar de
toda estrutura
montada pelo
ABC, nada
funciona, já que
o clube está de
fora da Série C.
“Com o
brasileiro, não
há quem possa!".
A marchinha
ufanista não
embalou apenas a
primeira
conquista
mundial da
seleção
brasileira, em
1958. Cantada
nos quatro
cantos do país,
ela mergulhou o
futebol no mar
da rica cultura
popular
nacional. A
partir de então,
o futebol virou,
literalmente, “a
alegria do
povo". E não é
só.
O cordão
umbilical do
Brasil com o
futebol é tão
forte que o país
é mais lembrado
lá fora pela
“produção" de
craques que
exporta, desde
sempre - mais
acentuadamente
nos últimos
anos.
Passado meio
século do
primeiro de
cinco títulos
mundiais, o
futebol
brasileiro virou
refém do mercado
capitalista,
onde só os
fortes
sobrevivem. A
frágil economia
brasileira
reflete nos
clubes e
federações, que
são incapazes,
mesmo estando no
“país do
futebol", de
concorrer com o
mercado externo.
Resultado: com a
globalização e a
abertura do
mercado externo,
o Brasil se
transformou no
maior exportador
de jogadores do
mundo, o que
acaba ajudando a
esvaziar os
estádios
brasileiros.
Até países bem
menos
desenvolvidos do
que o Brasil,
caso do Leste
europeu mais
recentemente,
tem conseguido
levar nossos
craques, graças
a força de
mercado, formado
por empresários
inescrupulosos e
investidores
milionários. É a
Lei de
mercado... (na
semana passada a
revista Veja
publicou uma
reportagem, que
revelava a
“compra” da
seleção
argentina por um
milionário
russo).
Com o propósito
de salvar a
“paixão
nacional", a
CBF, no início
deste século,
instituiu a nova
ordem do futebol
brasileiro. A
idéia era
louvável:
modernizar o
futebol
canarinho e
tentar
aproximá-lo do
Europeu, bem
mais organizado
e estruturado. O
problema é que
Ricardo Teixeira
e Cia.
“desenharam" o
novo mapa do
futebol nacional
com os mesmos
traços da
pirâmide social
do país. Ou
seja, garantindo
privilégios a
poucos em
detrimento da
maioria, menos
favorecida.
Para atender,
exclusivamente,
aos interesses
do mercado
(lê-se: Rede
Globo de
Televisão), a
Confederação
Brasileira de
Futebol acabou
vestindo a
carapuça de
“madrasta",
cavando a cova
de milhares de
clubes
espalhados pelo
Brasil,
principalmente,
pelas regiões
Norte e
Nordeste.
"O
grande problema
é a CBF, o
calendário é
péssimo" Judas
Tadeu (ABC)
No Rio Grande do
Norte, por
exemplo, os
clubes ainda
estão bem longe
de cumprirem a
Lei - de acordo
com o Estatuto
do Torcedor,
promulgado em
2003 com o
objetivo de
moralizar o
futebol, um
clube
profissional tem
que estar
“produzindo", no
mínimo, durante
dez meses no
ano. Os clubes
do RN, quando
muito,
funcionam, em
sua maioria,
durante o
primeiro
semestre do ano
apenas, o que os
tornam frágeis e
sazonais.
“O grande
problema é a
CBF. O
calendário tem
sido péssimo
para o ABC, que
foi obrigado a
ficar parado
neste semestre”,
reclamou o
presidente do
ABC, Judas
Tadeu, que
sugeri como
saída uma
reformulação no
calendário. “A
sugestão é ter
calendário para
jogar. De outro
jeito temos mais
é que vencer os
torneios locais
para nos
garantir nas
competições
nacionais”,
completou o
dirigente.
"
O caminho é o
patrocínio e a
transmissão pela
TV" - Ricardo
Bezerra
(América)
Para Ricardo
Bezerra, diretor
de futebol do
América, a única
alternativa para
evitar o pior é
apostar na
transmissão do
Campeonato
Estadual pela
TV. “O caminho é
o patrocínio. E
a transmissão
dos jogos pela
TV, neste caso,
é fundamental
para a captação
de recursos”,
disse Ricardo.
“Antigamente, as
receitas dos
clubes vinham em
grande parte do
social. O
América tinha
receita dos
sócios e das
festas no clube,
Carnaval, etc.
Hoje, conta com
300 sócios, que
pagam vinte
reais por mês.
Este formato de
clube acabou.
Hoje, o futebol
só funciona com
patrocínio”.
Os grandes
clubes
brasileiros (que
já nem são mais
tão grandes
assim, se
comparado com o
futebol do resto
do mundo),
privilegiados
pelo calendário
da CBF, cumprem
o que reza a
lei: Campeonato
Estadual, Copa
do Brasil e Taça
Libertadores
(para os mais
fortes) no
primeiro
semestre;
Campeonato
Brasileiro das
Séries A, B e C
e Copa
Sul-Americana
(para os
medianos) no
segundo
semestre. Tudo
certo. Mas, e a
maioria, que
engloba mais de
2/3 de um
universo de
cerca de, pelo
menos, 1.500
clubes
espalhados pelo
país?
Amadorismo:
“vírus” letal do
futebol
Dirigentes da
maioria dos
clubes e das
associações não
possuem visão
empresarial
sobre o esporte
Como se não
bastasse o
relaxamento da
CBF para com o
Nordeste, vários
fatores internos
também
contribuem para
levar o futebol
do Rio Grande do
Norte ao fundo
do poço.
Dependente,
exclusivamente,
de “forças
externas", o
futebol do
Estado é mal
administrado e
ainda sobrevive
de dirigentes
abnegados que
investem nos
times até com
recursos do
próprio bolso,
apenas por pura
paixão ao clube
de coração.
O RN está
poluído com
dirigentes
amadores, muitos
até sem
credibilidade, e
clubes que só
são taxados de
profissionais
porque mantêm
contratos
trabalhistas com
jogadores e
técnicos. Itens
suficientes para
afastar qualquer
investidor
interessado no
futebol.
Isso, sem falar
no dirigente que
tenta se
autopromover às
custas do
esporte,
transformando o
clube em “curral
eleitoral", fato
muito comum no
Brasil e que
acaba
influenciando e
muito na hora de
promover o
espetáculo. Há
ainda àqueles
que vestem a
“cartola” com
interesses
financeiros.
DESMOTIVAÇÃO -
Conselho
Arbitral
reúne-se para
definir o
calendário 2007
Somado
a tudo isso há a
desmotivação
coletiva dos
dirigentes, que
deixam seus
afazeres
profissionais
para quebrar a
cabeça pensando
numa saída para
o futebol local
- mais uma
triste prova do
amadorismo.
Organização e
planejamento
foram riscados
do dicionário do
futebol
potiguar.
Na primeira
reunião do
Conselho
Arbitral da FNF,
realizada no
início do mês
passado com o
propósito de
estabelecer o
calendário do
futebol do
Estado para a
próxima
temporada, ficou
claro o desanimo
dos
representantes
dos clubes, que
não conseguiram
encontrar uma
fórmula ideal
para resgatar o
futebol em curto
prazo, sendo
obrigados à
reportarem-se ao
“velho”, à
mesmice.
A dependência de
recursos do
governo estadual
é considerada
pela FNF como a
única
alternativa
para, pelo
menos, manter o
campeonato do
Estado. “Não há
possibilidade de
haver campeonato
no Rio Grande do
Norte se não
houver um
investimento do
poder público",
ressaltou
Alexandre
Cavalcanti,
presidente da
Federação, que
considera o
futebol, um
esporte de
massa, educativo
e, portanto, de
interesse
público.
Nem tudo
está perdido no
futebol do
Estado
Nem tudo está
perdido no
futebol do Rio
Grande do Norte.
Segundo Tiago
Cavalcanti,
filho do
presidente da
FNF e secretário
executivo da
entidade, está
sendo montado,
em parceria com
uma agência de
publicidade de
Natal, um
projeto de
captação de
recursos junto a
iniciativa
privada.
“Por enquanto
ainda não
podemos entrar
em detalhes para
não atrapalhar
as negociações.
Mas, a partir da
próxima semana
começaremos a
fazer os
primeiros
contatos com
algumas empresas
que se mostraram
interessadas em
investir",
confirmou Tiago.
A iniciativa da
FNF é louvável,
diante da
incapacidade dos
clubes. Aos
poucos,
organização e
planejamento
começam a ficar
mais nítidos,
pelo menos, no
dicionário da
Federação
Norte-rio-grandense.
As
publicitárias,
Melissa Cirne e
Yahonna
Cavalcanti, da
agência Virttus
Multimídia,
“compraram” a
idéia da FNF e
serão
responsáveis
pelas
estratégias de
marketing,
necessárias para
captar os
recursos no
mercado
potiguar.
“Estamos
tentando
encontrar os
problemas e, ao
mesmo tempo, as
oportunidades”,
refletiu Melissa
Cirne.
“A idéia inicial
é procurar
espaços, o
tempero para que
o investidor
possa interagir,
ser inserido no
contexto do
futebol e que
possa satisfazer
tanto o
investidor,
quanto o
consumidor do
esporte. Foi um
ponta pé que foi
dado”, destacou,
animada, a
publicitária,
que criticou a
falta de atitude
e de iniciativa
dos dirigentes
de clubes na
prospecção de
patrocínio.
Segundo Tiago,
algumas empresas
manifestaram
interesse em,
pelo menos,
escutar as
propostas da
Federação, o que
já pode ser
considerado um
avanço. Do poder
público, a FNF
espera contar
com uma verba
superior aos R$
300 mil
negociados com o
governo atual,
mas que não
foram
repassados. “Sem
dinheiro é muito
difícil fazer
futebol”, disse
o presidente da
FNF, Alexandre
Cavalcanti, que
revelou uma
dívida com a
arbitragem em
torno de R$ 16
mil.
Com a recente
auditoria
realizada pela
própria
Federação
revelou um
déficit nos
cofres da
entidade, que já
passa dos R$ 1,2
mi. Metade deste
valor, segundo
Alexandre,
corresponde à
dívida da
Federação com o
INSS - herança
de gestões
desastrosas e
amadoras de um
passado bem
recente.
Credibilidade
suspeita é o
grande mal
A falta de
credibilidade do
produto “futebol
do Rio Grande do
Norte” e o
imediatismo dos
empresários
locais, que
querem retorno
rápido e
garantido de
imagem no
investimento em
marketing, são
apenas alguns
dos entraves
encontrados para
captar recursos
junto a
iniciativa
privada do
Estado, segundo
a publicitária
Melissa Cirne,
da agência
Virttus.
“Patrocinar é
acreditar”, diz.
“Há uma
descrença em
torno do produto
como gerador de
retorno de
imagem.
Independente do
negócio, o
empresário quer
um retorno
tangível. Para
eles, investir
no marketing
esportivo não dá
retorno
imediato. O
nosso mercado é
formado por
varejistas, que
querem esse
retorno
imediato,
baseado em ações
promocionais na
mídia
tradicional
(Rádio, TV e
jornal)”,
explicou Melissa
Cirne.
A falta de
planejamento dos
empresários com
as agências de
publicidade de
Natal para médio
e longo prazo e
o desinteresse
dos agentes
envolvidos em
procurar novas
alternativas de
exploração de
imagem, também,
foram inseridos
pela
publicitária no
rol de barreiras
anti-futebol no
Estado.
Melissa aponta
um item
importante na
negociação de
verbas privadas
para o futebol,
mas que também
dependeria do
poder público:
os incentivos
fiscais. “Acho
que no futebol,
também, deveria
haver incentivos
fiscais. O
futebol é um
esporte de massa
e está na
cultura do
brasileiro. Com
incentivos
fiscais, talvez,
as empresas se
interessassem
mais em investir
no futebol”,
disse Melissa,
ressaltando a
importância da
renúncia fiscal
do governo para
incentivar a
cultura - Lei
(estadual)
Câmara Cascudo,
que isenta de
impostos as
empresas
investidoras dos
projetos
culturais.
Campeonato do
Nordeste é a
redenção dos
clubes?
A resposta para
o título acima é
sim. A volta do
Campeonato do
Nordeste é
consenso entre
clubes e
federações da
região. A "boa
intenção" da CBF
em tentar
moralizar o
futebol
brasileiro
acabou
prejudicando
sobremaneira o
futebol
nordestino. O
retorno do
lucrativo
torneio pode ser
a redenção. De
acordo com
Alexandre
Cavalcanti,
presidente da
FNF, há um forte
movimento,
capitaneado
pelas federações
baiana e
pernambucana,
para revitalizar
o torneio.
"A grande
solução seria o
retorno do
Campeonato. Mas,
depende muito do
entendimento dos
presidentes das
federações, que
juntos teriam
força para
reivindicar à
CBF um lugar
para a
competição no
calendário",
destacou Ricardo
Rocha, diretor
de marketing do
ABC.
Para Ricardo
Bezerra, diretor
de futebol do
América, a volta
do torneio
garante receita
certa para os
clubes. "No
último ano, o
campeonato
rendeu cerca de
500 mil reais
aos clubes, o
que viabilizou o
primeiro
semestre de cada
um dos 16
participantes.
Acho que o
torneio deveria
voltar paralelo
aos Estaduais",
declarou
Bezerra.
O fim do
Campeonato do NE
rendeu uma queda
de braço na
justiça entre os
clubes e a TV
Globo, que
quebrou o
contrato e não
pagou a multa
rescisória. De
acordo com
Ricardo Rocha, o
processo está em
fase de
execução. "A
Globo tem que
pagar trinta
milhões de reais
(R$30 mil) de
multa. Mas, o
ideal era entrar
num consenso
para a emissora
voltar a apoiar
o campeonato".
ABC fecha as
portas por um
semestre
inteiro.
O que dizer do
ABC? Clube
tradicional do
Estado, que
depois de montar
uma estrutura de
fazer inveja a
alguns dos
clubes do
Norte/Nordeste,
foi obrigado,
pela segunda vez
num intervalo de
três anos, a
fechar às portas
do departamento
profissional de
futebol por todo
o segundo
semestre. O
calendário da
CBF e o
consequente
fracasso dentro
de campo -
perdeu uma das
vagas oferecidas
ao RN para a
Série C do
Brasileiro -
foram os grandes
vilões.
Diretor de
marketing do
ABC, o
empresário
Ricardo Rocha,
diz acreditar
que os clubes
também precisam
procurar saídas
com suas
próprias pernas.
"Não adianta
ficar esperando
pela federação
ou por ajuda do
poder público.
Os clubes
precisam
procurar se
estruturar. Os
clubes de
Mossoró, o São
Gonçalo e o
América
investiram num
Centro de
Treinamento. Já
é alguma coisa",
comentou
Ricardo.
"Hoje o ABC não
está preocupado
com receita. O
clube tem um
milhão (R$1 mil)
em caixa. O que
o ABC quer é
jogar. E, com a
estrutura que
foi construída
na Vila, hoje o
ABC é um clube
que tem como
gerar receita
própria, como as
parcerias
publicitárias,
os camarotes e
cadeiras do
estádio e
aluguel dos
bares".
concluiu.
E não pára por
aí. A crise no
futebol da
região pode
ficar ainda pior
se Fortaleza e
Santa Cruz, que
estão na zona de
rebaixamento da
Série A do
Campeonato
Brasileiro,
caírem para a
segundona e o
Ceará despencar
para a terceira
divisão de
braços dados com
o Remo e São
Raimundo, ambos
da região Norte.
Náutico e Sport
seriam a última
esperança do
Nordeste na
divisão de elite
do futebol
brasileiro. Os
clubes
pernambucanos
continuam
brigando com
todas as forças
para voltar à
Série A; América
e CRB correm por
fora.
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