Reportagens

Índice Reportagens

Diário de Natal 16/07/2006
Da Equipe de O POTI

 

Ernani Alves da Silveira é patrimônio dos natalenses

Aos 80 anos, Ernani Alves da Silveira não admite pensar em ficar em casa
Quarenta e dois anos depois de ser impedido pela ditadura de continuar à frente da Secretaria de Desenvolvimento do Governo Djalma Maranhão, Ernani Alves da Silveira, aos 80 anos, sai de casa para dar dois expedientes na Construtora Flor. Ex-prefeito de Natal, presidente do ABC nos idos da década de 1950 e da Federação de Esporte de Natal (Fenat) dez ano depois, o desportista conserva o amor pela música, arte que começou a estudar no Seminário São Pedro, e atualmente rege o coral Renascer.

Além da fé cristã, este é o motivo que o leva aos sábados à tarde a ensaiar com os colegas da Igreja Bom Jesus, na Ribeira, desde 1982. São 24 anos de coral, 28 de Construtora Flor, 55 anos de casado com Darque Saraiva da Silveira, com quem começou a namorar em meio às aulas de pilotagem do Aeroclube. Presidente do Conselho Deliberativo do ABC, Ernani da Silveira recebeu a equipe de’O Poti quinta-feira, numa manhã de trabalho. E na parede ao lado do birô do ‘‘doutor Ernani’’ (forma pela qual é chamada por funcionários da empresa onde trabalha) estão as fotografias dos familiares. Pessoas próximas àquele que, quando estudante de Direito, em 1952, fez com que cerca de 40 pessoas ligadas à diretoria ABC, o ‘‘levassem’’ à presidência do clube mais popular de Natal.

A missão do então comerciário de Marpas (concessionária de veículos Wolksvagen) era substituir o diretor da Ferrovia Sampaio Correia, Edílson Fonseca. ‘‘Aceitei. Fui para lá com a consciência de que, como presidente, deveria fazer alguma coisa pelo clube’’, conta. E juntamente com esta idéia estavam a sede social da Avenida Potengi e o Centro de Treinamento de Morro Branco, inaugurado em 13 de junho de 1960. Embarcaram neste projeto figuras como José Reis (vice-presidente do Alvinegro); Evaldo Reis (diretor de futebol); e Severino Moura. Este, de acordo com Ernani da Silveira, quebrou a caminhonete de tanto carregar material para a construção da primeira ‘‘casa’’ do Mais Querido. Além deles, lembra o desportista, havia Geraldo Costa, Alberto Amorim, Luiz Gonzaga dos Santos e muitos outros.

Formado em Direito pela UFRN desde outubro de 1959, Ernani da Silveira participou das contratações de craques da história do ABC como Alberi, Edmílson Piromba, Cocó, Paulo Esídio e Jorge Tavares de Morais, o Jorginho. ‘‘Esses vestiam a camisa’’, ressalta o dirigente. Antes de informar sobre o futuro do time da Vila Olímpica, revela ser também torcedor do Vasco da Gama e do Santa Cruz. ‘‘Este ano o ABC vai se dedicar exclusivamente à construção do estádio, para, somente em 2007, entrar com o futebol. Essa é a idéia’’. Afora a trajetória como desportista e política, Ernani dirigiu o Banco do Comércio e da Indústria Norte-rio-grandense e trabalhou por sete anos nas Confecções Reis Magos.

É pai da bióloga Moná Saraiva da Silveira, professora e funcionária do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente (Idema), tem dois netos - um deles de nome Ernani Alves da Silveira Neto, dado em sua homenagem. O outro, aliás, a outra é Jule Vasconcelos. Respeitado tanto pela torcida como também por membros da diretoria, o desportista diz que o segredo para que as pessoas o tratem bem é ‘‘tratar todo mundo da mesma forma. Em compensação, há o reconhecimento deste pessoal’’.

POLÍTICO
Não dá para escrever uma Memória do Esporte sobre Ernani Alves da Silveira sem mencionar sua carreira política. Entre 1960 e 1964 foi secretário municipal de Desenvolvimento, à época em que Natal tinha como prefeito Djalma Maranhão. Dois anos depois, compõe a chapa que concorre a eleição. A subseqüente vitória representava a volta dele ao Palácio Felipe Camarão. Desta vez como vice de Agnelo Alves. E assim foi por três anos.

É que em 1969, com a cassação de Agnelo Alves, Ernani da Silveira, assumiria a prefeitura até o ano seguinte. Antes disso, foi o primeiro presidente da Federação de Esporte de Natal (Fenat). Era integrante da equipe que tocou o início da construção do Estádio Marechal Humberto Castelo Branco, o ‘‘Castelão’’, que, mais tarde, foi batizado como João Cláudio Vasconcelos Machado. Em 1972, quando da inauguração do substituto do Juvenal Lamartine como palco maior do futebol em Natal, Ernani diz que sequer foi convidado. ‘‘Não mandaram convite para mim e nem para Agnelo’’.

Depois de deixar a prefeitura, que seria assumida mais tarde por Jorge Ivan Cascudo, Ernani deixou a política. O motivo: ‘‘É mais difícil do que a vida de desportista. No futebol, as pessoas são mais honestas e leais’’, comenta. De lá para cá, dedica-se ao ABC. Considera a conclusão do Estádio Maria Lamas Farache como um coroamento daquilo que foi pensado em Petrópolis, saiu de Morro Branco e foi parar na Vila Olímpica.