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Aos 80 anos,
Ernani Alves da
Silveira não
admite pensar em
ficar em casa
Quarenta
e dois anos
depois de ser
impedido pela
ditadura de
continuar à
frente da
Secretaria de
Desenvolvimento
do Governo
Djalma Maranhão,
Ernani Alves da
Silveira, aos 80
anos, sai de
casa para dar
dois expedientes
na Construtora
Flor.
Ex-prefeito de
Natal,
presidente do
ABC nos idos da
década de 1950 e
da Federação de
Esporte de Natal
(Fenat) dez ano
depois, o
desportista
conserva o amor
pela música,
arte que começou
a estudar no
Seminário São
Pedro, e
atualmente rege
o coral
Renascer.
Além da fé
cristã, este é o
motivo que o
leva aos sábados
à tarde a
ensaiar com os
colegas da
Igreja Bom
Jesus, na
Ribeira, desde
1982. São 24
anos de coral,
28 de
Construtora
Flor, 55 anos de
casado com
Darque Saraiva
da Silveira, com
quem começou a
namorar em meio
às aulas de
pilotagem do
Aeroclube.
Presidente do
Conselho
Deliberativo do
ABC, Ernani da
Silveira recebeu
a equipe de’O
Poti
quinta-feira,
numa manhã de
trabalho. E na
parede ao lado
do birô do
‘‘doutor
Ernani’’ (forma
pela qual é
chamada por
funcionários da
empresa onde
trabalha) estão
as fotografias
dos familiares.
Pessoas próximas
àquele que,
quando estudante
de Direito, em
1952, fez com
que cerca de 40
pessoas ligadas
à diretoria ABC,
o ‘‘levassem’’ à
presidência do
clube mais
popular de
Natal.
A missão do
então
comerciário de
Marpas
(concessionária
de veículos
Wolksvagen) era
substituir o
diretor da
Ferrovia Sampaio
Correia, Edílson
Fonseca.
‘‘Aceitei. Fui
para lá com a
consciência de
que, como
presidente,
deveria fazer
alguma coisa
pelo clube’’,
conta. E
juntamente com
esta idéia
estavam a sede
social da
Avenida Potengi
e o Centro de
Treinamento de
Morro Branco,
inaugurado em 13
de junho de
1960. Embarcaram
neste projeto
figuras como
José Reis
(vice-presidente
do Alvinegro);
Evaldo Reis
(diretor de
futebol); e
Severino Moura.
Este, de acordo
com Ernani da
Silveira,
quebrou a
caminhonete de
tanto carregar
material para a
construção da
primeira
‘‘casa’’ do Mais
Querido. Além
deles, lembra o
desportista,
havia Geraldo
Costa, Alberto
Amorim, Luiz
Gonzaga dos
Santos e muitos
outros.
Formado em
Direito pela
UFRN desde
outubro de 1959,
Ernani da
Silveira
participou das
contratações de
craques da
história do ABC
como Alberi,
Edmílson Piromba,
Cocó, Paulo
Esídio e Jorge
Tavares de
Morais, o
Jorginho.
‘‘Esses vestiam
a camisa’’,
ressalta o
dirigente. Antes
de informar
sobre o futuro
do time da Vila
Olímpica, revela
ser também
torcedor do
Vasco da Gama e
do Santa Cruz.
‘‘Este ano o ABC
vai se dedicar
exclusivamente à
construção do
estádio, para,
somente em 2007,
entrar com o
futebol. Essa é
a idéia’’. Afora
a trajetória
como desportista
e política,
Ernani dirigiu o
Banco do
Comércio e da
Indústria
Norte-rio-grandense
e trabalhou por
sete anos nas
Confecções Reis
Magos.
É pai da bióloga
Moná Saraiva da
Silveira,
professora e
funcionária do
Instituto de
Desenvolvimento
Econômico e Meio
Ambiente (Idema),
tem dois netos -
um deles de nome
Ernani Alves da
Silveira Neto,
dado em sua
homenagem. O
outro, aliás, a
outra é Jule
Vasconcelos.
Respeitado tanto
pela torcida
como também por
membros da
diretoria, o
desportista diz
que o segredo
para que as
pessoas o tratem
bem é ‘‘tratar
todo mundo da
mesma forma. Em
compensação, há
o reconhecimento
deste pessoal’’.
POLÍTICO
Não dá para
escrever uma
Memória do
Esporte sobre
Ernani Alves da
Silveira sem
mencionar sua
carreira
política. Entre
1960 e 1964 foi
secretário
municipal de
Desenvolvimento,
à época em que
Natal tinha como
prefeito Djalma
Maranhão. Dois
anos depois,
compõe a chapa
que concorre a
eleição. A
subseqüente
vitória
representava a
volta dele ao
Palácio Felipe
Camarão. Desta
vez como vice de
Agnelo Alves. E
assim foi por
três anos.
É que em 1969,
com a cassação
de Agnelo Alves,
Ernani da
Silveira,
assumiria a
prefeitura até o
ano seguinte.
Antes disso, foi
o primeiro
presidente da
Federação de
Esporte de Natal
(Fenat). Era
integrante da
equipe que tocou
o início da
construção do
Estádio Marechal
Humberto Castelo
Branco, o ‘‘Castelão’’,
que, mais tarde,
foi batizado
como João
Cláudio
Vasconcelos
Machado. Em
1972, quando da
inauguração do
substituto do
Juvenal
Lamartine como
palco maior do
futebol em
Natal, Ernani
diz que sequer
foi convidado.
‘‘Não mandaram
convite para mim
e nem para
Agnelo’’.
Depois de deixar
a prefeitura,
que seria
assumida mais
tarde por Jorge
Ivan Cascudo,
Ernani deixou a
política. O
motivo: ‘‘É mais
difícil do que a
vida de
desportista. No
futebol, as
pessoas são mais
honestas e
leais’’,
comenta. De lá
para cá,
dedica-se ao
ABC. Considera a
conclusão do
Estádio Maria
Lamas Farache
como um
coroamento
daquilo que foi
pensado em
Petrópolis, saiu
de Morro Branco
e foi parar na
Vila Olímpica.
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