|
Tinho relembra
as peladas do
campo do Força e
Luz, o futsal de
Olinto Galvão e
até o
Independente de
Edival .
Natal,
9 de abril de
1959. Bem ali,
no Centro,
nascia um certo
Carlos Maurício
Ribeiro dos
Santos - que se
fez atacante,
aprontando no
ABC e no
Náutico-PE. Por
estes lados,
esteve entre os
‘‘novos’’
promovidos pelo
então técnico
alvinegro
Valdemar
Carabina; em
terras
pernambucanas
foi reserva
(digamos) de
luxo de Reinaldo
Francisco e Dadá.
‘‘Não nasci em
maternidade, foi
de parteira... a
infância foi
tranquila, com
muita pelada!’’,
conta.
‘‘Batíamos bola
no campo do
antigo Força e
Luz, naquele
tempo de vez em
quando ficava
alagado. Depois,
joguei na Santa
Cruz da Bica. É,
ali na cruz
mesmo!’’ - para
quem não sabe, é
uma praça que há
ao pé da Cidade
Alta, próximo ao
escritório da
Cosern, que tem
justamente por
característica
um cruzeiro,
antigo limite
sul da cidade no
século XVI. Mas
esta é uma outra
história!
ABC
Aos 14 anos, já
estava no ABC.
‘‘Ninguém me
descobriu. Na
verdade, saiu
num jornal que
iria haver um
peneirão no ABC.
Naquele tempo o
ABC ficava em
Morro Branco. O
técnico (dos
profissionais)
era João
Avelino, e o dos
juvenis era
Maranhão.
Passei!’’
Naturalmente,
ingressou na
equipe de
juniores. Quando
viu, já estava
entre os
profissionais.
‘‘Foi tudo
rápido demais.
Maranhão e
Valdemar
Carabina (o novo
técnico dos
profisisonais)
deram a chance.
Maranhão me
indicou a
Carabina, que
confiou em mim e
me botou para
jogar. Foi um
bocado de gente
nesse tempo:
Berg, Gelson,
Arié, Willame,
Dão...’’ O ano?
1976,
aproximadamente.
‘‘Sou péssimo
com datas’’,
confessa.
Se bem que
lembra do
gostinho da
glória. Foi em
1978. Uma final
inesquecível.
‘‘Fui campeão.
Na decisão, ABC
x América, o ABC
jogava pelo
empate.
Perdíamos por 1
a zero, quando
Ubirani falhou e
passei-lhe a
bola entre as
pernas. ABC 1 a
1’’.
Náutico
Tinho permaneceu
no alvinegro até
1979. ‘‘Nesse
ano fui para o
Náutico-PE.
Cheguei lá
através de
Pedrinho da Dom
Vital, um
ABCdista que
ajudou vários
atletas’’. O
início e o fim
de sua
temporada, cerca
de um ano, na
equipe
pernambucana não
foram lá muito
agradáveis...
mas, primeiro, o
início -
‘‘Primeiro,
passei dois
meses sem poder
jogar, por que
não havia
chegado a
papelada de
minha
transferência!
Só quando chegou
um técnico
chamado Brecha
foi que o
problema foi
resolvido’’.
Passado este
problema
inicial,
tornou-se o que
se chama hoje de
‘‘reserva de
luxo’’. ‘‘No
ataque tinham
Reinaldo
(Francisco, seu
conhecido do ABC
desde 1976) e
Dadá. Com esse
dois era muito
difícil alguém
entrar! Também
tinha outro
jogador no
ataque,
Marquinhos, na
ponta esquerda.
Eu entrava mais
no lugar de
Marquinhos, mas
sempre que saía
um deles eu
assumia. Era
preciso muito
talento mesmo
para
substituí-los!
Praticamente, eu
entrava em todas
as partidas,
apesar de não
ser titular’’.
E a saída? ‘‘Não
fiquei no
Náutico. Vou
explicar o
porquê’’. Houve
mudança na
direção do
clube; e os
novos dirigentes
- picuinha! -
não queriam
ouvir falar de
nada da
administracão
anterior...‘‘Wilson
Campos (o novo
presidente)
disse mesmo na
minha cara que
não queria nada
com gente da
‘outra
diretoria’. E
nem pagaria
salário!’’
Claro, a
pendenga acabou
na Justiça. ‘‘Só
não passei fome
porque comia na
casa de
Reinaldo’’. E,
algum tempo (e
uns
‘‘borrachudos’’)
depois, recebeu
tudo que o clube
lhe devia.
Foto:
Jogando pelo
ABC, contra o
Riachuelo,
enfrentando
Paulinho, um
ex-colega de rua
e do
Independente da
Cidade Alta.
A
parada e a
parada
Voltou ao
ABC em 1980.
‘‘Voltei,
trazido por
Ferdinando
Teixeira. Nem
vinha para jogar
bola mais...’’.
Ainda assim,
sobrou talento
pelas pontas até
1985, quando
pendurou as
chuteiras.
‘‘Deixei de
jogar, disseram
que foi porque
me machucuquei,
não foi isso. Eu
estava me
sentido
desvalorizado’’
- ficou azedo de
ver ‘‘amigo-de-técnico’’,
com menos
intimidade com a
bola que ele e
outros atletas
da casa,
assumindo vaga
de titular, e
doía-lhe o
tratamento
diferente às
pratas-da-casa -
‘‘Sabe o que é
renovar o
contrato
recebendo o
mesmo valor do
ano anterior?’’
- isso num tempo
em que a
inflação
‘‘comia’’ tudo,
a ponto de se
precisar de um
saco cheio de
dinheiro para
comprar um mero
quilo de feijão
(alguém lembra
do samba de Beth
Carvalho?), e
tendo que
comprar logo
senão a grana
não daria para
comprar uma
balinha-xaxá...
(hoje,
procurando bem,
dá para
encontrar um bom
quilo de feijão
carioquinha a
partir de R$
1,90)
Mas, quem disse
que deixaram
Tinho quieto?
‘‘Ainda teve o
Atlético.
Ranilson
Cristino me
chamou para lá.
Didi Duarte e
Ivan Silva
estavam tentando
formar um time
com ex-atletas,
e o técnico era
Esmerino. Só
tinha cobra no
time - Ramos,
eu, Gelson,
Alberi...’’
Depois disso é
que realmente
parou com o
futebol
profissional.
‘‘Eu havia me
preparado para
parar’’.
Foto:
Vuca, Noronha,
Carlos Augusto
(em cima), Tinho
e Berg
agachados.
Cobrador
de ônibus a
policial civil
Mas, e aí, o que
o jogador Tinho
foi fazer?
"Quando parei
mesmo. fui
cobrador de
ônibus.
Trabalhei na
Pirangy (atual
Reunidas) e na
Guanabara, por
uns cinco anos".
Nem assim se
afastou da bola
- "Joguei muitas
vezes nos
campeonatos do
Rodoviáriows",
comenta,
lembrando que
muitas vezes uma
equipe não tinha
o número
suficiente de
atletas e aí o
grupo se juntava
a outro.. fora a
surpresa de um
ou outro
torcedor nas
"borboletas"
dos ônibus Natal
afora -
"Chegavam um ou
outro dizendo,
"Como é que
pode, você aqui?
Jogava tanto e
agora está como
cobrador?..." e
eu respondia "Se
você me pagar,
juro que saio
daqui agora!".
Em seguida,
montou para si
uma mercearia -
"Foi na minha
casa. Nesse
tempo eu morava
na Avenida Três
(atual
presidente José
Bento, no
Alecrim)". Um
dia, surgiu-lhe
uma oportunidade
interessante -
"Um concurso
para a Polícia
Civil. Fiz,
passei, esperei
ser chamado. Sou
agente há 16
anos". E a
família, como
vai? "Sou casado
há 24 anos",
frisa. Casou-se
com Antonia
Deuza Alves
Martins do
Santos - "Ela
também é
policial. É
delegada!". Daí
vieram três
filhos: Gabriel,
23 anos ("Está
para concluir
Fisioterapia");
Gabriela, 22
("Ela faz
Direito"); e
Graciele, 19
("Também faz
Direito").
Netos? Nenhum.
"É por enquanto,
mas com certeza
vem..."
BATE-BOLA
O POTI - De
onde surgiu o
apelido "tinho"?
Tinho - Sabe
que nem eu sei?
Só quem talvez
pudessem
explicar fosse
papai e mamãe.
Acredito que
tenha sido
assim... meu pai
também se chama
Maurício, e
minha mãe me
chamava de
Mauricinho, e
daí, talvez -
com aquela
pronúncia de
criança pequena
- eu só falava "tinho"...
Eu acho que foi
assim, não tenho
certeza!!
O POTI -
Consta que o
técnico João
Avelino era,
digamos, meio
esquecido das
idéias....
Tinho - O
homem era tão
"louco" que me
selecionou num
dia e, no dia
seguinte ele me
perguntou "Ué, e
eu te
selecionei?...
Se fosse outro
jogador, da
entrada do clube
teria voltado na
hora... E tem
mais: no meu
teste eu atuei
como ponta
direita, só que
Avelino me achou
"muito alto"
para a posição e
me colocou como
centroavante!
Porém eu me
destaquei mesmo
nas pontas..
O POTI - E o
América?
Tinho -
Antes de eu
jogar futebol no
ABC, eu fazia
futsal no
América, no
tempo que o
técnico era
Olinto Galvão e
o presidente do
clube era
Jussier Santos.
Fui da equipe de
juniores do
América, e pouco
depois fiz o
peneirão do ABC.
Artuzinho (Artur
Ferreira, hoje
técnico de
futsal) ainda
deu meu nome a
Jussier, mas
preferi ficar no
futebol pelo
ABC, tanto que
parei de
frequentar o
futsal.
Resultado:
Artuzinho está
de mal comigo
até hoje.
O POTI -
Parece que tem
mais coisa nisso
de futebol e
futsal?
Tinho - Sim,
quando eu era
bem menino mesmo
fui goleiro de
futsal! E no
futebol antes do
ABC, lá no meu
comecinho,
joguei pelo
Independente,
time ali do
centro, de
Edivaldo Burro
Preto... |