Reportagens

Índice Reportagens

Dez na rede www.deznarede.com.br

-

Edson Gomes da Silva, o "Capitão" do Tetra

Simples e objetivo. Não só dentro de campo onde atuou como zagueiro, mas também com as palavras. Assim é José Edson Gomes da Silva ou simplesmente Edson. Elogiado pela sua postura dentro de campo, esse pernambucano de Orobó, mas criado em Surubim, cidade que fica 120 quilômetros de Recife, começou a carreira como jogador profissional aos 20 anos no Náutico.

Edson só defendeu três clubes: Náutico (PE), Botafogo (PB) e ABC. "Desses, o ABC é o único que torço", afirmou. Segundo ele, todo esse sentimento se deve ao carinho que recebeu logo que chegou ao Estado. "Tive todo o apoio da diretoria do clube e da torcida", lembrou.

O ex-atleta jogou pelo "Mais Querido" de 1970 a 1975 e conquistou o tetracampeonato estadual em 1970, 71, 72 e 73. Edson conversou com a reportagem do
Dez na Rede em um lugar que ele conhece como poucos: o Machadão.

Após encerrar a carreira em 1975, ele se formou em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, trabalhou numa indústria têxtil e por 25 anos no Sebrae.

Dez na Rede - Você jogou cinco anos pelo ABC e conquistou o tetracampeonato de 1970 a 1973. Desses times qual o que você considera a melhor?

Edson - Todos foram bons times, mas o elenco do título de 1973 foi o melhor na minha opinião. No time de 73, há cinco jogadores que estão na seleção do século do ABC: Sabará, Maranhão, Danilo Menezes, Alberi e eu.

Dez na Rede - Como foram os cinco anos que você defendeu a camisa do ABC?

Edson - Tenho boas recordações daquele tempo que joguei pelo ABC. Lembro-me dos títulos, da participação no Campeonato Brasileiro de 1972 e da excursão que fizemos por três continentes: África, Ásia e Europa. No Brasileiro de 72, todos os grandes clubes do país jogaram aqui. Inclusive vencemos o Botafogo, que tinha Marinho Chagas e Jairzinho, por 2 a 1 num jogo bem disputado.

Dez na Rede - Como foi a famosa excursão ao exterior feita pelo ABC?

Edson - A excursão foi em 1973 e nós passamos 103 dias no exterior percorrendo países de três continentes: Europa, Ásia e África. Enfrentamos times e seleções em várias cidades e batemos dois recordes nessa viagem: maior permanência de um time no exterior, com 103 dias, e número de partidas invictas.

Dez na Rede - E o que você achou desse tempo fora do país?

Edson - Foi uma experiência riquíssima. Pude conhecer novos lugares, aprender sobre novas culturas. Nós jogamos em Beirute em plena guerra. Para mim foi uma sensação diferente. Também jogamos contra a seleção da Romênia que foi base para a Copa.

Dez na Rede - Na sua carreira como zagueiro, qual foi o atacante que mais te deu trabalho?

Edson - Tiveram dois. Um foi Alberi, mas ainda bem que ele jogava comigo (risos). O outro foi Hélcio Jacaré, do América. Ele era o tipo do centroavante clássico: forte, sabia prender a bola e tinha velocidade. Nos jogos contra ele era bem complicada a marcação.

Dez na Rede - E o melhor jogador quem foi?

Edson - Alberi foi o melhor jogador que já vi jogar. Dominava os fundamentos como poucos. Era clássico em suas jogadas e de uma inteligência notável.

Dez na Rede - Você falou que era acostumado a jogar com o Machadão lotado. E, agora, em relação ao público que freqüenta atualmente o estádio, qual sua opinião?

Edson - A diminuição do público nos estádios se deve a dois fatores: a violência das torcidas e a transmissão dos jogos pela televisão. Isso causa medo e comodismo deixando o torcedor sem motivação para ir ao estádio torcer pelo time de coração. Tenho esperança que o campeonato desse ano seja bastante disputado e que possa fazer o torcedor voltar a freqüentar os estádios.

Dez na Rede - Qual sua avaliação atualmente do futebol e dos jogadores que nele atuam?

Edson - Atualmente há uma falta de talentos e ídolos. No meu tempo era comum um garoto de 15 anos ter a escalação do time de coração na cabeça. Hoje os jogadores mudam de clube muito rápido e não criam uma identificação. Acho puro marketing os jogadores que quando comemoram um gol beijam o escudo do clube. Muitos estão no primeiro jogo pelo time e fazem esse gesto. Honrei a camisa do ABC durante cinco anos e nunca precisei fazer isso para provar meu sentimento pelo clube. Essa modernidade é que tira o brilho do futebol.

Dez na Rede - Você falou em melhor jogador. E quanto a técnico e dirigente quem você destaca?

Edson - Como dirigente não posso esquecer do "Seu Prudêncio", pois foi ele quem me trouxe do Náutico. Já os técnicos, dois marcaram minha carreira. Caiçara, com quem trabalhei no Botafogo (PB) e no ABC. Nos dois clubes conquistamos títulos. E o outro é Célio de Souza, que corrigiu muitas das minhas deficiências em campo e sempre acreditou no meu futebol. Inclusive, no Brasileiro de 72 eu joguei todas as partidas.

Dez na Rede - No futebol brasileiro atualmente qual a dupla de zaga que você destacaria?

Edson - Infelizmente estamos carentes de zagueiros bons e seguros. Os dois que destaco jogam no país, mas são estrangeiros: Gamarra do Palmeiras, e Lugano, do São Paulo.

Dez na Rede - Estamos em ano de Copa do Mundo. Qual sua expectativa para o Brasil no Mundial?

Edson - Sou otimista, mas bastante moderado. Sei do potencial que a seleção brasileira tem, mas não podemos esquecer de suas fraquezas. O problema principal está do meio-campo para trás.

Dez na Rede - Você encerrou a carreira aos 29 anos por problemas com algumas contusões e se formou em Economia. Qual o conselho que você pode dar aos novos jogadores que estão entrando no mundo da bola?

Edson - Não se deslumbre com o futebol, pois ele é passageiro. É muito importante o atleta ter uma base familiar e não se deixar levar pelas facilidades que o futebol oferece. Além disso, deve ser digno da vestir a camisa do clube que esteja defendendo