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Hoje, ainda trabalhando com futebol com o professor Cacau, na AABB, Noezinho festeja a criação de sua família.
O torcedor do ABC de 30 ou 40 anos ainda guarda na memória as arrancadas dele feita pelo lado esquerdo do ataque alvinegro. O ‘‘ponteiro de lança’’ Noé Soares, chegou no Mais Querido em fevereiro de 1975, então com 23 anos. O objetivo da compra do jogador era encerrar a série de títulos do rival, e foi o que acabou acontecendo. Na segunda temporada jogando em Natal, ele ajudou o alvinegro a levantar o caneco do Campeonato Estadual de 76, época em que Noé infernizava a vida de Scalla e Mário Braga, que segundo ele, a dupla de zaga mais difícil de se enfrentar.
Ele conta que quando chegou a Natal, não havia a diferença que existe hoje entre o nível dos times locais e os de fora. ‘‘O nível das equipes daqui era alto. Eu antes havia jogado pelo Vila Nova/GO, e o clássico contra o Goiás era muito parecido com um ABC e América’’, lembrou o camisa onze. Ele ainda afirmou que cansou de jogar clássicos com mais de 30 mil pessoas no Machadão. ‘‘Hoje quando você ouve no Rádio que o ‘clássico-rei’ deu 15 mil pessoas, falam em grande público. No meu tempo, era jogo de ABC contra time de interior’’, completou.
Ao todo, foram 11 anos de ABC, time que ele pensou que jogaria só duas ou três temporadas, mas que culminou como a equipe que ele defendeu mais tempo na carreira. ‘‘Eu, carioca, pensei que ia jogar pouco tempo por aqui, mas gostei tanto que fiquei. Um das coisas que mais me orgulho na vida é ter conquistado títulos pelo ABC’’, afirmou o ponta-esquerda. Por falar em títulos, só no Mais Querido, ele levantou a taça três vezes, e como ele mesmo diz, ‘‘as três contra o América, o que é melhor’’.
Nessa jornada vestindo a camisa do time da Vila Olímpica, Noé Soares cita duas partidas como inesquecíveis, uma em que ele jogou, e outra em que assistiu na arquibancada. O primeiro deles ocorreu em setembro de 79, numa quarta-feira à noite, no Machadão. A partida era contra o Itabaúna da Bahia. No início do segundo tempo, com 0 a 0 no placar, Noé Soares que vinha se recuperando de contusão é chamado pelo treinador Ferdinando Teixeira para dar ânimo ao ataque alvinegro. A substituição não poderia ser melhor. Com menos de 45 minutos, a partida estava 3 a 0 para o Mais Querido, com três gols de Noé. Foi com essa atuação que ele foi apelidado pelos jornalistas de Macunaíma, uma alusão ao personagem de Mário de Andrade, escritor modernista que criou o ‘‘heróis de nossa gente’’.
Já a segunda partida que não saiu da cabeça do ex-jogador é a final de 83 contra o América. Mais uma contusão, dessa vez no tornozelo direito, deixou Noé de fora de uma partida decisiva. O jogo poderia ter sido o penta-campeonato do alvirrubro, mas com o escore em 1 a 1, com gols de Baltazar para o América, e Silva, marcando para ABC aos 42 minutos do segundo tempo, deu o título à Frasqueira, que não comemorava o certame desde 78.
Noé Soares permaneceu no elenco do Mais Querido até a temporada de 1986, mas isso não seria o adeus de Noé ao clube. Ele ficou no ABC como funcionário, chegando a treinar as equipes de base em 88. Já em 89, ele participou do programa social ‘‘Recriança’’, executado na gestão do então governador Geraldo Melo. Foi nessa época que ele foi convidado para comandar os boleiros do Potiguar de Currais Novos, e posteriormente o Alecrim, mas com passagens curtas por esses dois clubes.
A história de Noé antes do ABC
O fluminense de Maricá, Noé Soares de Rêgo, começou a jogar futebol profissional pela Portuguesa da Ilha do Governador, a ‘‘Portugesinha’’, com 18 anos. Para jogar pela equipe, ele teve de se mudar para o bairro Lins de Vasconcelos, na capital carioca. ‘‘Gosto muito da Portuguesinha, se for contar com o tempo que passei emprestado, foram cinco anos jogando na Ilha’’, afirmou Noé.
Em fevereiro de 1973, a grande chance da carreira do jogador apareceu. Na época, com 22 anos, Noé foi para a equipe do São Januário. Porém um problema de contusão fez com que o jogador pensasse em desistir da profissão. Pouco tempo depois de chegar ao Vasco, o departamento médico concluiu que o problema no joelho direito afastaria Noé dos gramados por três anos. ‘‘Para um jogador que esta começando, é um baque muito grande. Mas eu voltei para a Portuguesa e esperei por outra proposta’’.
Já de volta à Ilha do Governador, em 1973, Noé vaia para o Vila Nova de Goiás, time que ele diz guardar grande carinho, por ter sido com ele, que veio o primeiro título na carreira. E por ironia, um outro empate seria suficiente para Noé vencer uma competição, em cima do maior rival. Um 0 a 0 contra o time verde de Goiânia foi o placar da decisão.
Depois do título, Noé, ainda com o passe preso à Portuguesa tem de ir para São Luís, defender a Ferroviária, passagem que segundo ele, não foi muito satisfatória, já que Noé Soares passou apenas três meses jogando em Maranhão, e o nível do certame local era bem abaixo dos já jogados pelo ponta-esquerda. De lá, ele voltou para a ‘‘Portugesinha’’, e quando estava sem jogar, apenas treinando, um representante do ABC resolveu trazê-lo para Natal.
Feliz com a esposa e suas duas filhas
Atualmente, Noé Soares, com 54 anos, mora no Bairro Latino. O apartamento 101 do sexto bloco foi comprado em outubro de 1983, mesma época em que ele conquistou o segundo Estadual na carreira. Ele é casado há 24 anos com a professora de português Vilma Messias e Silva, com quem teve duas filhas: Amanda Messias e Silva, 24, graduada em Direito, e Jullyanne Messias Silva, futura jornalista.
Desde 1993, Noé comanda o time de futebol amador da AABB. O clube do Banco do Brasil é a grande alegria do jogador, onde ele hoje treina mais de 140 atletas e que está disputando o Campeonato Estadual, na categoria Infantil. Ele ainda aguarda o convite de treinar a equipe profissional de um grande clube da capital.
Quando quase vinha para o América
Depois da contusão no Vasco, quando Noé voltou à Portugesa, ele despertou interesse no América, que na época tinha como treinador Leônidas, velho conhecido do jogador. Porém, em 1974, quem estava no Rio Janeiro, era o médico Maeterlinck Rêgo, que estagiava no Fluminense. Como ele ficara sabendo do problema que Noé tinha no joelho, ele comunicou a diretoria do alvirrubro sobre o problema físico do atleta, que fez com que o clube desistisse da transação. ‘‘Eu iria jogar no rival do time que mais gosto hoje. Mas eu entendo Maeterlinck, até porque ele não tinha como saber que problema de contusão eu enfrentava, e vendo nos jornais que eu estava ‘bichado’, não teria razão dele me indicar para ser jogar do América’’, completou.
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