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MEMÓRIA - Vicente Farache reuniu todo elenco do ABC em frente ao casarão que servia como sede do clube.
Os torcedores abecedistas mais novos, e até os considerados de meia idade com certeza não chegaram a conhecer o “Maria Lamas Farache”, primeiro estádio do ABC, que ficava no quarteirão onde hoje se localizam a biblioteca Câmara Cascudo, o ginásio Silvio Pedroza, CCAB, algumas lojas e um edifício de apartamentos. A área, medindo 4.950m2 foi uma doação do estado na administração do governador Juvenal Lamartine de Faria (1926 a 1930, quando foi deposto pelos revolucionários de 1930 e deportado para a França). Depois de um tremendo esforço dos dirigentes abecedistas, finalmente o projeto de lei número 685, foi aprovado pela Assembléia Legislativa em 24/071928, sancionado pelo governador Lamartine dia 20/10/29, com o seguinte teor: “Faço saber que a Assembléia Legislativa decreta e eu sanciono a presente Lei. Artigo 1º - Fica aprovado o decreto do Poder Executivo sob número 390, de 24/07/28, que faz doação à sociedade ABC Foot Ball Club, de Natal para construção do seu campo athlético da metade do quarteirão número 48, situado no bairro de Petrópolis, de patrimônio do Estado. Assinam: Juvenal Lamartine de Faria, governador, Joaquim Raposo da Câmara, diretor da Fazenda Estadual.” Publicado no DOE edição de 23/10/28. A escritura foi arquivada no Primeiro Ofício de Natos, livro 131, a fls. 77v a 79v., cartório do tabelião Miguel Leandro.
Entre 1928, data da doação, até que o ABC passasse a utilizar o terreno transcorreram 23 longos anos. Nem mesmo a providência relativamente simples, que era cercar o terreno foi providenciado pelas administrações seguintes, entregues a Enéas Reis e médico José Tavares da Silva, este em mais de um mandato. Os 4.950 metros quadrados por muito tempo permaneceram como um imenso descampado onde a garotada do Alto do Juruá formava peladas diárias. Como o casarão que servia de sede do ABC ficava ao lado do terreno, o próprio ABC utilizava o espaço para realizar treinamento físico e bate bola. Lá, foram forjados jovens que integrariam depois as futuras equipes do ABC, como Badidiu, Zome, Paulo Isidro, Ney Andrade, Biró, Cabral, os irmãos Jorginho e Tidão, que chegaram em 1948, Carrapicho, Abacaxi, Romão, Zózimo, entre outros.
Finalmente, na administração de João Ferreira de Souza, contando com apoio de alguns abnegados mais chegados ao clube, como Enéas Reis e os filhos Evaldo e José Reis, Firmino e Felizardo Moura, Ernani Silveira, Alberto Amorim, Gentil Ferreira, Luiz Gonzaga, irmãos Vicente, “Tonho” e Carlos Farache, Carlos Lamas, entre outros, foi possível erguer o pequeno estádio “Maria Lamas”, se constituindo uma homenagem à devotada mulher de Vicente Farache, ela que era considerada uma verdadeira madrinha do clube. A “primeira dama” do ABC chegava a ponto de cuidar da rouparia dos jogadores, tal seu amor à agremiação. O estádio que recebeu o seu nome contava apenas com uma arquibancada do lado da rua Potengi, com capacidade para 2.000 torcedores, enquanto os vestiários, as salas médica e dos árbitros ficavam sob essa mini arquibancada. No alçapão o ABC realizava amistosos, pois não dispunha de iluminação para jogos noturnos, e o gramado era impróprio. Porém mais cedo do que se esperava, foi desativado quando o clube negociou todo o espaço com a Ecocil - a mesma construtora que está acabando de construir o “Frasqueirão”, mudando-se para Morro Branco. Aí, é outra história.
Torcida suspira aguardando o Frasqueirão
A torcida do ABC suspira quando houve falar na inauguração do estádio Frasqueirão. Com as obras atrasadas, a esperança da direção é ter o local inaugurado ainda este ano. Quem visita o canteiro de obras tem boas surpresas. A estrutura das arquibancadas e cadeiras especiais está pronta, assim como camarotes e cabinas de imprensa, faltando apenas os retoques finais de acabamento.
A drenagem do gramado também já foi concluída e a adubagem está sendo feita para receber um gramado que, segundo a diretoria abecedista, será da mesma qualidade da usada no estádio Cícero Pompeu de Toledo (Morumbi), em São Paulo. Os vestiários estão praticamente prontos e já poderiam ser utilizados caso o clube tivesse a necessidade. Os bares foram colocados em teste ontem, durante o Festival do Chope, promovido pelo clube, no próprio Estádio.
O muro, que cerca toda a estrutura e protege o espaço reservado a mais um lance de arquibancadas (conhecido como tobogã), já está em fase de conclusão e até mesmo a tela que separa as arquibancadas do campo de jogo começou a ser instalada. Do lado de fora encontram-se as armações metálicas que serão montadas sobre as cadeiras especiais, camarotes e cabinas de imprensa. As bilheterias estão em fase de conclusão, e os alvinegros não vêem a hora de fazer fila para comprar ingressos.
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