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Turma
da UNP "exorciza" fantasmas do ABC e sugere projeto de marketing
para os 90 anos do clube.
REUNIÃO
- O grupo de sete alunos que formam a Karnak: Airton Minchoni, Márcia
Leite, Tassia Consulin, Saulo Batista, Izabella Cabral, Anna Paula Pontes e
José Gercino Neto(da dir. para esq.)
A seis
meses do nonagésimo aniversário, o ABC investe em sua imagem, procurando
recuperar a auto-estima do torcedor alvinegro e conquistar novos adeptos
para a “Frasqueira” entre os cerca de 28% de natalenses que deixam de
torcer pelos times da terra para “vestir” a camisa de equipes do sul
do país.
Pesquisas de mercado foram realizadas pela Karnak Comunicação, empresa
potiguar que criou a campanha de marketing e publicidade do clube mais
querido do Estado, segundo consta na mesma atividade de campo – 37,62%
contra 32,51% do maior rival, o América.
Os dados são reais e foram apurados entre 646 entrevistados de todas
faixas etárias, sendo 482 (74,61%) pessoas do sexo masculino e 164
(25,39%) do sexo feminino. Entretanto, a campanha ainda não passa de um
sonho alvinegro acalentado por um Projeto Experimental da Faculdade de
Publicidade e Propaganda da Universidade Potiguar (UnP).
Karnak é o nome fictício de uma empresa de comunicação e marketing
criado por um grupo de sete alunos concluintes do curso universitário,
que conseguiram dois resultados expressivos e inéditos esta semana: a
primeira nota máxima (10) em projetos experimentais (espécie de
monografia obrigatória na conclusão do curso) do curso de Publicidade e
Propaganda da UnP e o único projeto do setor voltado para o futebol
potiguar.
A apresentação da campanha aconteceu na última terça-feira e o
resultado surpreendeu o grupo, que trabalhou durante um período de oito
meses para concluir o projeto. “Confesso que o resultado foi
surpreendente, não por achar que o projeto é ruim. Nada disso. Mas,
porque nunca havia saído a nota máxima para nenhum grupo até então.
Depois do resultado é que tivemos a verdadeira noção do que foi o
trabalho. Foi muito gratificante”, comentou Airton Minchoni, 21, um dos
componentes da equipe.
Apesar de contar com uma maioria americana, o grupo chegou a escolha do
cliente “ABC” por vários motivos, entre eles a fase ruim por que
passa o futebol do clube, o ano (2005) do aniversário de 90 anos e a
construção da nova estrutura física de sua sede (Vila Olímpica), que
conta com um estádio próprio.
“Além de tudo isso, todo mundo falava que o ABC tinha a maior torcida,
o que acabou sendo constatado em nossa pesquisa, é um clube de massa, tem
uma história bonita. Enfim, concluímos que para realizar uma campanha
sobre o futebol do Estado, o ABC seria um cliente interessante”,
completou Tassia Consulin, 21, que garantiu não ter preferência clubística
no futebol.
Outro dado interessante constatado na formação do projeto envolve o
processo de escolha do cliente. Segundo Márcia Leite, 27, no dia da votação
para a escolha do ramo de atividade do cliente, a maioria optou pelo tema
futebol. “Achei muito curioso. Como a maioria escolheu o futebol
partimos para o segundo ponto que foi como iríamos trabalhar este tema e
qual seria o cliente. Depois de muita discussão chegamos à conclusão
que o ABC seria um cliente interessante de se trabalhar”, revelou a
alvinegra.
O trabalho consistiu em seis etapas: justificativa teórica do tema
(futebol), perfil do cliente, pesquisa de mercado, planejamento, criação
e mídia. Apesar de tratar-se de um projeto experimental, há a
possibilidade de levá-lo ao plano real. “Os projetos experimentais do
curso são baseados e feitos para clientes reais, tudo de acordo com o que
está sendo aplicado no mercado. Por isso, os dados são reais e os
valores também”, explicou José Gercino, 23, torcedor do América.
A execução do projeto, no entanto, depende da direção do ABC.
Calculados todos os custos com criação, produção e veiculação da
campanha publicitária, o valor do investimento gira em torno de R$ 163
mil. Porém, o projeto compreende várias ações e, segundo Minchoni, em
caso de interesse por parte da diretoria do ABC de “comprar” a idéia
da campanha não é obrigatório utilizar o mix de comunicação. “O ABC
pode utilizar algumas ações de seu interesse, sempre precisar utilizar
todas as peças”, disse.
Ainda durante esta semana, o grupo de alunos da UnP apresentará o projeto
à diretoria executiva e ao conselho deliberativo do clube. “Como,
praticamente, ninguém teve a oportunidade de assistir a nossa apresentação,
resolvemos fazer uma reapresentação para os dirigentes e
conselheiros”, revelou Minchoni.
A nota 10 da banca examinadora ganhou o reforço do coordenador do curso,
Cristovão Pereira de Souza, que destacou o comprometimento dos alunos com
o trabalho e enalteceu a evolução do curso.
“Estes alunos são excelentes e comprometidos com a formação do curso.
Eles souberam aproveitar as oportunidades que a universidade deu e
conseguiram a nota máxima. Mas, é bom que si diga que o projeto pedagógico
dos trabalhos de conclusão de curso vêm sendo aprimorados. Todos os anos
temos um mecanismo de avaliação dos projetos, num universo que envolve
alunos, ex-alunos e professores comprometidos em formar profisssionais
preparados para o mercado de trabalho”.
Arquivo da Tribuna é fonte básica do grupo
Durante a coleta de informações para construir a parte teórica exigida
pela universidade, os arquivos da TRIBUNA DO NORTE serviram como principal
fonte de pesquisa. Inclusive, as funcionárias do arquivo da TN, Lúcia
Fernandes e Rita de Cássia, são citadas no texto de agradecimento que
abre o projeto teórico: “Agradecemos a Lúcia Fernandes e Rita de Cássia
que nos receberam no arquivo da Tribuna do Norte para levantar poeira e
mexer em mais de cinqüenta anos da história do jornal, mesmo que, em
alguns momentos, a alergia tenha se manifestado”.
Entre os meios não selecionados para a campanha estão cinema e panfleto.
O primeiro tornou-se desnecessário, segundo o grupo, já que corresponde
diretamente às classes A e B, as quais foram alcançadas através da
propaganda em jornal, tv e internet. A curta vida útil descartou o uso
dos panfletos, que ainda não oferece uma relação custo x benefício
satisfatória para os objetivos da campanha, como está relatado no
projeto.
Tribuna do Norte, TV Cabugi e Cabugi.com, empresas da Rede Cabugi de
Comunicação (RCC), estão entre os meios de comunicação de massa mais
solicitados para veicular a campanha publicitária. Anúncios em
“busdoor” e outdoors também foram, estrategicamente, planejados para
alcançar o maior número de torcedores, alvinegros ou não.
Pesquisas orientam o planejamento
Ferramenta básica para orientar o planejamento estratégico das ações
de marketing, publicidade e propaganda de uma empresa, as pesquisas de
mercado foram fundamentais para a equipe nota 10. Na primeira atividade de
campo os integrantes da Karnak procuraram saber qual o clube do Estado que
possuía o maior número de torcedores na capital - avaliação da preferência
da população de Natal pelos times de futebol do Rio Grande do Norte.
Do universo pesquisado - 646 pessoas - 74,61% eram homens, enquanto
25,39%, mulheres. Do total de entrevistados, 92% situa-se entre o ensino
fundamental e médio. Foi constatado ainda que 24,92% encontra-se na faixa
etária dos 31 aos 45 anos. O alto percentual (27,24%) de torcedores de
clubes “forasteiros”, com predominância de SP e RJ, impulsionou os
alunos a realizar ações de marketing com o objetivo de conquistar novos
adeptos para o ABC.
A segunda pesquisa avaliou a opinião dos torcedores abecedistas sobre o
seu time, estrutura e administração. “Os questionários foram
aplicados através de entrevista pessoal direta feita pelos integrantes da
Karnak entre 25 de agosto a 30 de setembro”, diz parte do texto do
projeto. “Um dos dados interessantes que constatamos é que o ABC tem,
praticamente, o mesmo percentual de torcedores em todas as classes
sociais”, destacou Airton.
Identificar se os torcedores têm o hábito de freqüentar os estádios,
saber a freqüência com que o torcedor vai ao estádio, verificar a
maneira como acompanha o seu time e identificar características do perfil
do torcedor são secundários.
Peças induzem o torcedor a declarar amor
Além das peças publicitárias elaboradas para as mídias tradicionais
– tv, rádio e jornal -, o grupo teve o cuidado de aplicar outras ações
apelativas, trabalhando com a emoção e a paixão do torcedor. “Mostre
seu amor pelo ABC” é o tema de várias peças. “Com isso, procuramos
resgatar a imagem do ABC, induzindo os torcedores que não torcem por
clubes do Estado a torcerem pelo ABC e levantar a auto-estima dos
torcedores do próprio clube”, emendou Minchoni. As pesquisas foram
fundamentais para concluir as ações de marketing.
A internet é explorada como uma importante ferramenta de comunicação
para o clube. Declarações de amor dos apaixonados torcedores, através
de faixas, também desempenham um importante papel na campanha. O grupo
chega, inclusive, a apresentar faixas de cinco torcedores declarando amor
ao clube de coração. “ABC, meu mais querido!” é apenas um exemplo
de uma das frases coletadas pela Karnak com os torcedores.
Adesivos para carros seguiram a estratégia planejada em paralelo a outros
adereços como camisas, bandeiras, mascotes, almofadas, brinquedos, flâmulas,
bonés, bolas, etc. Um CD comemorativo aos 90 anos do clube, com músicas
do ABC tocadas na versão de bandas de rock locais é mais uma ação
utilizada na campanha.
“Planejamos ainda ‘falsear’ a primeira página da Tribuna do Norte
para o dia 29 de junho (dia do aniversário do ABC) de 2005 em homenagem
ao clube”, revelou Minchoni. A capa do jornal seria toda em preto e
branco embalado por uma tarja preta com os seguintes dizeres: “Hoje tudo
acorda mais preto e branco. ABC F.C. 90 anos de história”.
O projeto “ABC Escola” não foi esquecido e para chamar a tenção do
público à estratégia escolhida consistiu em espalhar adesivos ou placas
com a seguinte frase: “Precisamos de espaço para mostrar seu
talento”. “Dessa forma, o projeto tem como intenção apresentar
alternativa para as crianças, além de chamar a atenção do público em
geral”, explicou Minchoni. Izabella Cabral, 21, sugeriu que o estádio
seja parada obrigatória para torcedores e turistas, já que o
“Frasqueirão” está localizado às margens da Rota do Sol que liga
Natal às praias do litoral sul do Estado. “O museu que está sendo
feito e a lojinha do clube deveriam ser exploradas como mais uma
ferramenta de marketing. Além disso, a praça de alimentação pode
tornar-se um ponto de encontro da torcida, assim como os bares e
restaurantes que se instalarão nas imediações do estádio”, destacou
Izabella.
Curiosidades:
Você Sabia?
* Que
as quatro estrelas estampadas no canto superior esquerdo do escudo do ABC
refere-se aos títulos do ABC conquistados em 1954 em todas as categorias:
infantil, juvenil, aspirantes e profissionais.
* Que
a expressão "Mais Querido" surgiu ainda na década de 1950,
quando uma marca de café idealizou uma campanha de marketing para
conhecer a maior torcida do Estado. Pois é, o "Mais Querido"
foi o ABC.
DIRETOR
- Ricardo Rocha
Projeto
de marketing do ABC
•TRIBUNA
DO NORTE - Qual a sua avaliação sobre o projeto apresentado pela Karnak?
RICARDO ROCHA - Sou suspeito para falar, primeiro por ser torcedor do ABC
e diretor de marketing do clube, depois porque participei ativamente de
todo o processo como orientador da turma. Mas, o projeto fala por si só,
quando a banca examinadora deu o primeiro 10 na história do curso de
Publicidade da UnP. Por isso, não tem muito o que falar. Esse grupo foi
fantástico ao realizar um projeto que pode ser viabilizado. Sinto-me
orgulhoso por ter sido orientados deles.
•O ABC vai viabilizar todo o Mix de Comunicação?
RR : A intenção é de viabilizar todo o projeto através de parcerias.
Vamos trabalhar muito no próximo ano para viabilizar este projeto de
marketing e comunicação. A execução do projeto ficará à cargo da
Arena Sports, empresa de Fernando Suassuna (vice-presidente do ABC), com
apoio da turma da UnP. O ano de 2005 será mágico para o ABC.
•O estádio será inaugurado no dia do aniversário do ABC?
RR : Olha, prefiro não falar mais em
data para a inauguração do estádio até
para não criar expectativa. A obra do
estádio é muito grande e nã |