Tribuna do Norte 12/12/2004 George Fernandes - Repórter

 

ÍNDICE

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 Juniores: jovem ABC na vitrine do futebol

 

Jogadores da categoria sob-21 aguardam a chance de representar o RN e despontar na carreira.
Programação:
Dia 30 de dezembro de 2004 embarque de ônibus para Cotia/SP sede do ABC até o início da competição. Dia 05 de janeiro de 2005 14hs ABC x Portuguesa Santista. Dia 09 de janeiro de 2005 16hs ABC x Internacional. Dia 12 de janeiro de 2005 14hs ABC x Marília. Todos os jogos serão no Estádio Euclides de Almeida em Cotia/SP.

GIL: "O que interessa mesmo é tentar seguir na minha carreira de jogador de futebol em um grande clube"
O futebol está cada vez mais jovem. Com a falta de recursos financeiros dos clubes, que se sentem impossibilitados para contratar bons jogadores diante de um mercado inflacionado, não resta outra alternativa senão apelar para os candidatos a craque “produzidos” na base.

A Copa São Paulo de Juniores – tradicional torneio sub-21 realizado pela Federação Paulista e que tem status de Campeonato Brasileiro da categoria – é a maior vitrine para os novos talentos, em sua maioria adolescentes.

Campeão potiguar, o ABC será o único representante do Estado no torneio, que começa no próximo dia 5 de janeiro, com a participação de 88 clubes divididos em 22 grupos espalhados pelas principais cidades do interior paulista. A final será no dia 25 de janeiro (dia do aniversário de São Paulo), no Pacaembu.

Para os jovens valores, a competição vale mais do que brigar por uma vaga no time profissional. O atacante Gil, 20, uma das principais revelações do alvinegro nos últimos anos, está ansioso para poder mostrar o seu valor e carimbar o “passaporte” para um clube de maior expressão, quem sabe no exterior.

“Espero chamar a atenção de algum ‘olheiro’. Isso será importante para a gente”, disse Gil, que não tem preferência por equipe. “O que interessa mesmo é tentar seguir na minha carreira de jogador de futebol em um grande clube”, reforçou o artilheiro.

O zagueiro Rodrigo, 19, pensa um pouco diferente do companheiro de equipe. Segundo ele, o que importa, em primeiro lugar, é pensar em classificar o time. “Acho que não temos que jogar para empresários. Nosso objetivo em São Paulo é de passar de fase. E pelo que estamos treinando acho que temos chances, mesmo enfrentando um grupo difícil”, destacou o zagueiro.

O ABC está no grupo L, sediado na cidade de Cotia/SP, e vai encarar Portuguesa, Internacional e Marília, três clubes que têm tradição nas categorias de base e que já conquistaram a “copinha”.

Mesmo com a cabeça concentrada na classificação do ABC, o zagueiro descoberto na Escolinha de Chico “Explosão” revela um sonho comum a todo jogador em início de carreira: se transferir para um grande clube. “Quem não sonha em jogar numa grande equipe, não é?. Mas, se acontecer comigo prefiro que seja para um time do exterior”, revelou.

Questionado sobre sua preferência pelos clubes considerados grandes do Brasil, Rodrigo não teve dúvidas: “São Paulo”. E continuou: “Se tiver de ser transferido para outro clube no Brasil gostaria que fosse para o São Paulo. Primeiro, pela estrutura do clube; depois porque sou torcedor do tricolor paulista”.

O goleiro Dida, 20, reforço trazido do Náutico, acredita na força do ABC, mas também fez questão de revelar suas preferências. “Gostaria de jogar no Palmeiras. Mas, enquanto isso não acontece temos que nos concentrar aqui no ABC e tentar fazer o melhor, com seriedade acima de tudo”, comentou o goleiro de 1,89 m.

A relação com o nome dos 25 jogadores, segundo o técnico Francisco de Assis (Diá), só deve ser anunciada amanhã. “Devo estar divulgando a lista só nesta segunda-feira. Ainda estou aguardando a posição da diretoria do ABC, que ficou de conseguir mais um lateral esquerdo e um zagueiro, já que Kanu, nosso principal destaque na zaga, foi para o Rio e ninguém sabe ainda se poderemos contar com ele”, explicou Diá.

O lateral esquerdo, de acordo com Leonardo Queiroz, que vai chefiar a delegação alvinegra na viagem à São Paulo, deve vir do Cruzeiro de Belo Horizonte.

Candidatos a ídolo na mira de olheiros

Explosão, exploração e exportação são palavras distintas no significado, mas com prefixos e sufixos iguais. E para quem pensou que as semelhanças se esgotam ao “pé da letra” enganou-se. Quando o assunto é Copa São Paulo de Futebol Juniores estas mesmas palavras escoam no mesmo sentido e destino.

E não é para menos. É na “copinha” que milhares de candidatos a craque da bola têm a grande chance de ganhar a vida no futebol, literalmente. Empresários, dirigentes de clubes e “olheiros” se revezam pelas cidades-sedes do interior paulista em busca de um novo talento entre jovens com idade até 21 anos.

Foi a partir da abertura do mercado mundial (década de 1990), que explodiu o comércio de compra e venda de jogadores no Brasil. Esse estouro nasceu associado a exploração desordenada das jovens revelações.

Itália, Espanha, França, Inglaterra, Alemanha e Portugal continuam liderando a lista dos principais destinos da exportação. Porém, no início deste século, a partir da abertura política e econômica dos países do Leste Europeu, outros destinos entraram no “catálogo” dos empresários. Rússia, Holanda, Bulgária, Ucrânia, Bélgica e Grécia são exemplos. Na Ásia, além do Japão, agora a China e o Oriente Médio, principalmente, os países árabes também entraram na rota.

“Olheiro” já é uma expressão comum no futebol. A Copa SP, conhecida como a vitrine do futebol nacional, costuma reunir o maior número destes profissionais.

RODRIGO: "Acho que não temos que jogar para empresários. Nosso objetivo em SãoPaulo é passar de fase. Rodrigo - Zagueiro

Empresário de jogador: entre vilão e herói

O empresário de jogador, figura cada vez mais presente no futebol, tem um prato cheio para os seus negócios no torneio sub-21. O lado bom disso tudo é que o adolescente que ainda não teve oportunidade na vida pode ter a grande chance de crescer profissionalmente e financeiramente se tiver à sorte de ser escolhido por algum clube ou empresário com pretensão de negociá-lo no mercado nacional ou internacional.

Porém, esta prática tem precipitado a profissionalização precoce, queimando etapas na carreira e na vida do jovem talento. Há os que suportam este amadurecimento prematuro e se firmam, efetivamente, como craque. Mas, muitos sucumbem diante da enorme pressão e dos falsos empresários, principal “dor de cabeça” dos dirigentes.

Recentemente, o ABC sentiu o gostinho amargo de mais uma “armação” empresarial no futebol. O técnico Diá solicitou a direção alvinegra um zagueiro para cobrir a vaga deixada por Kanu, que foi para o Cabofriense/RJ mal influenciado por um outro empresário. Um empresário ofereceu um zagueiro de 1,85 m de altura e de boa qualidade técnica. As características de Denis, nome do jogador de 19 anos, no entanto, eram, no mínimo, exageradas.

A diretoria do ABC aceitou o “produto”, mas se decepcionou logo em seguida. O garoto tinha, na verdade, 1,79 m de altura e acabou sendo reprovado no teste com o técnico Diá. No caso de Kanu, o passe do jogador pertence ao ABC e a diretoria alvinegra disse que enviará um documento à Federação Paulista e à CBF com o objetivo de ter o zagueiro, destaque do Estadual, de volta.