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Jogadores
da categoria sob-21 aguardam a chance de representar o RN e despontar na
carreira.
Programação:
Dia 30 de dezembro de 2004 embarque de ônibus para Cotia/SP sede do
ABC até o início da competição. Dia 05
de janeiro de 2005 14hs ABC x Portuguesa
Santista. Dia 09 de janeiro de 2005 16hs
ABC x Internacional. Dia 12 de janeiro
de 2005 14hs ABC x Marília. Todos os
jogos serão no Estádio Euclides de
Almeida em Cotia/SP.
GIL:
"O que interessa mesmo é tentar seguir na minha carreira de jogador
de futebol em um grande clube"
O futebol está
cada vez mais jovem. Com a falta de recursos financeiros dos clubes, que
se sentem impossibilitados para contratar bons jogadores diante de um
mercado inflacionado, não resta outra alternativa senão apelar para os
candidatos a craque “produzidos” na base.
A Copa São Paulo de Juniores – tradicional torneio sub-21 realizado
pela Federação Paulista e que tem status de Campeonato Brasileiro da
categoria – é a maior vitrine para os novos talentos, em sua maioria
adolescentes.
Campeão potiguar, o ABC será o único representante do Estado no
torneio, que começa no próximo dia 5 de janeiro, com a participação de
88 clubes divididos em 22 grupos espalhados pelas principais cidades do
interior paulista. A final será no dia 25 de janeiro (dia do aniversário
de São Paulo), no Pacaembu.
Para os jovens valores, a competição vale mais do que brigar por uma
vaga no time profissional. O atacante Gil, 20, uma das principais revelações
do alvinegro nos últimos anos, está ansioso para poder mostrar o seu
valor e carimbar o “passaporte” para um clube de maior expressão,
quem sabe no exterior.
“Espero chamar a atenção de algum ‘olheiro’. Isso será importante
para a gente”, disse Gil, que não tem preferência por equipe. “O que
interessa mesmo é tentar seguir na minha carreira de jogador de futebol
em um grande clube”, reforçou o artilheiro.
O zagueiro Rodrigo, 19, pensa um pouco diferente do companheiro de equipe.
Segundo ele, o que importa, em primeiro lugar, é pensar em classificar o
time. “Acho que não temos que jogar para empresários. Nosso objetivo
em São Paulo é de passar de fase. E pelo que estamos treinando acho que
temos chances, mesmo enfrentando um grupo difícil”, destacou o
zagueiro.
O ABC está no grupo L, sediado na cidade de Cotia/SP, e vai encarar
Portuguesa, Internacional e Marília, três clubes que têm tradição nas
categorias de base e que já conquistaram a “copinha”.
Mesmo com a cabeça concentrada na classificação do ABC, o zagueiro
descoberto na Escolinha de Chico “Explosão” revela um sonho comum a
todo jogador em início de carreira: se transferir para um grande clube.
“Quem não sonha em jogar numa grande equipe, não é?. Mas, se
acontecer comigo prefiro que seja para um time do exterior”, revelou.
Questionado sobre sua preferência pelos clubes considerados grandes do
Brasil, Rodrigo não teve dúvidas: “São Paulo”. E continuou: “Se
tiver de ser transferido para outro clube no Brasil gostaria que fosse
para o São Paulo. Primeiro, pela estrutura do clube; depois porque sou
torcedor do tricolor paulista”.
O goleiro Dida, 20, reforço trazido do Náutico, acredita na força do
ABC, mas também fez questão de revelar suas preferências. “Gostaria
de jogar no Palmeiras. Mas, enquanto isso não acontece temos que nos
concentrar aqui no ABC e tentar fazer o melhor, com seriedade acima de
tudo”, comentou o goleiro de 1,89 m.
A relação com o nome dos 25 jogadores, segundo o técnico Francisco de
Assis (Diá), só deve ser anunciada amanhã. “Devo estar divulgando a
lista só nesta segunda-feira. Ainda estou aguardando a posição da
diretoria do ABC, que ficou de conseguir mais um lateral esquerdo e um
zagueiro, já que Kanu, nosso principal destaque na zaga, foi para o Rio e
ninguém sabe ainda se poderemos contar com ele”, explicou Diá.
O lateral esquerdo, de acordo com Leonardo Queiroz, que vai chefiar a
delegação alvinegra na viagem à São Paulo, deve vir do Cruzeiro de
Belo Horizonte.
Candidatos a ídolo na mira de olheiros
Explosão, exploração e exportação são palavras distintas no
significado, mas com prefixos e sufixos iguais. E para quem pensou que as
semelhanças se esgotam ao “pé da letra” enganou-se. Quando o assunto
é Copa São Paulo de Futebol Juniores estas mesmas palavras escoam no
mesmo sentido e destino.
E não é para menos. É na “copinha” que milhares de candidatos a
craque da bola têm a grande chance de ganhar a vida no futebol,
literalmente. Empresários, dirigentes de clubes e “olheiros” se
revezam pelas cidades-sedes do interior paulista em busca de um novo
talento entre jovens com idade até 21 anos.
Foi a partir da abertura do mercado mundial (década de 1990), que
explodiu o comércio de compra e venda de jogadores no Brasil. Esse
estouro nasceu associado a exploração desordenada das jovens revelações.
Itália, Espanha, França, Inglaterra, Alemanha e Portugal continuam
liderando a lista dos principais destinos da exportação. Porém, no início
deste século, a partir da abertura política e econômica dos países do
Leste Europeu, outros destinos entraram no “catálogo” dos empresários.
Rússia, Holanda, Bulgária, Ucrânia, Bélgica e Grécia são exemplos.
Na Ásia, além do Japão, agora a China e o Oriente Médio,
principalmente, os países árabes também entraram na rota.
“Olheiro” já é uma expressão comum no futebol. A Copa SP, conhecida
como a vitrine do futebol nacional, costuma reunir o maior número destes
profissionais.
RODRIGO:
"Acho que
não temos que jogar para empresários. Nosso objetivo em SãoPaulo é
passar de fase. Rodrigo - Zagueiro
Empresário
de jogador: entre vilão e herói
O empresário de jogador, figura cada vez mais presente no futebol, tem um
prato cheio para os seus negócios no torneio sub-21. O lado bom disso
tudo é que o adolescente que ainda não teve oportunidade na vida pode
ter a grande chance de crescer profissionalmente e financeiramente se
tiver à sorte de ser escolhido por algum clube ou empresário com pretensão
de negociá-lo no mercado nacional ou internacional.
Porém, esta prática tem precipitado a profissionalização precoce,
queimando etapas na carreira e na vida do jovem talento. Há os que
suportam este amadurecimento prematuro e se firmam, efetivamente, como
craque. Mas, muitos sucumbem diante da enorme pressão e dos falsos empresários,
principal “dor de cabeça” dos dirigentes.
Recentemente, o ABC sentiu o gostinho amargo de mais uma “armação”
empresarial no futebol. O técnico Diá solicitou a direção alvinegra um
zagueiro para cobrir a vaga deixada por Kanu, que foi para o Cabofriense/RJ
mal influenciado por um outro empresário. Um empresário ofereceu um
zagueiro de 1,85 m de altura e de boa qualidade técnica. As características
de Denis, nome do jogador de 19 anos, no entanto, eram, no mínimo,
exageradas.
A diretoria do ABC aceitou o “produto”, mas se decepcionou logo em
seguida. O garoto tinha, na verdade, 1,79 m de altura e acabou sendo
reprovado no teste com o técnico Diá. No caso de Kanu, o passe do
jogador pertence ao ABC e a diretoria alvinegra disse que enviará um
documento à Federação Paulista e à CBF com o objetivo de ter o
zagueiro, destaque do Estadual, de volta. |