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Futebol
do RN: aquibancadas vazias, estádios precários e um futuro preocupante
SOMBRIAS
- Há muito tempo as sujas e desconfortáveis arquibancadas do Machadão não
recebem um
grande público em Estaduais. Sujo. se, conforto e servindo de
suporte para fraca iluninação, local é retrato do abandono.
Preocupada
com o futuro do futebol no Estado, a Editoria de Esportes da Tribuna do
Norte dá início hoje a uma série de reportagens dominicais retratando a
atual condição da “paixão nacional” e suas perspectivas. Na matéria
de hoje, os repórteres Vicente Estevam e Ana Luíza (Mossoró), mostram a
situação dos principais estádios a serem utilizados no Campeonato
Estadual de 2005. O dado preocupante é: nenhum deles está em condições
plenas, segundo o Estatuto do Torcedor, de abrigar uma partida de futebol.
Ao contrário dos anos anteriores, dessa vez, o Tribunal de Justiça
Desportiva do Rio Grande do Norte (TJD-RN), que sempre se manteve silente
em relação às vistorias realizadas nos estádios de futebol, resolveu
mudar a postura e isso poderá acarretar problemas para alguns clubes de
pequeno porte, bem como para a administração do Machadão.
O presidente do Tribunal, José Vanildo, designará uma comissão para
verificar se as praças esportivas reúnem, pelo menos, o mínimo das
condições exigidas pelo Estatuto do Torcedor com vistas à segurança do
público e de todas as pessoas envolvidas numa partida de futebol. As praças
esportivas fora dos padrões serão interditadas.
O fato que
despertou o interesse do TJD para o problema dos estádios, segundo José
Vanildo, foi a comprovação (via imagem de tevê) das péssimas condições
do estádio Luiz Rios Bacurau, local que abrigou a final do Campeonato
Estadual de Júnior, no último dia 29 de outubro. “Aquele campo não reúne
a menor condição de abrigar uma partida de futebol, seja ela envolvendo
profissionais ou apenas jovens aspirantes. O gramado não existe e as
condições de segurança são bastante precárias”, afirmou José
Vanildo.
Com receio que ocorressem problemas e de sofrer algumas punições devido
a falta de segurança reinante no Luiz Rios, a diretoria do São Gonçalo
— que usava o local para mandar seus jogos — na última edição do
Estadual optou por indicar o Machadão como praça para abrigar as
partidas do clube. Só que o presidente da Federação Norte-rio-grandense
de Futebol (FNF), Nilson Gomes, considera que a única praça de esportes
natalense já está saturada e não deve mais ser indicada como sede de
nenhuma outra agremiação, sob pena do departamento técnico da FNF
encontrar dificuldades na hora de elaborar a tabela do Campeonato Estadual
de 2005. “Se todos os clubes da redondeza quiserem usar o Machadão como
praça para os seus jogos, o estádio terá de ser aberto quase que
diariamente. O gramado do local tem que ser preservado, e nós sabemos que
campo nenhum resiste a um número muito grande de partidas. Por isso
fazemos a exigências de que os clubes que disputem o Estadual possuam uma
praça para mandar suas partidas”, ressaltou Nilson, “mas isso é uma
questão que deve ser analisada pela Secretaria de Esporte e Laser (SEL).
É justamente
o estádio natalense o foco de maior preocupação do presidente do TJD,
José Vanildo. Para quem o estádio vem funcionando em condições precárias
de higiene e, apesar de possuir uma grande estrutura, ainda não preenche
muitas das exigências contidas no Estatudo do Torcedor. “O Machadão
terá de se adequar às normas por ser a principal praça de esporte do
estado e também abrigar os jogos dos maiores clubes. Estamos preocupados
com as condições de segurança do local por causa desse clima de guerra
existente entre as torcidas organizadas de ABC e América. Nosso trabalho
servirá como alerta, pois caso ocorra algum problema grave no local alguém
será responsabilizado penalmente. Neste caso, as pessoas cabíveis em
responder seriam o presidente da FNF, como promotor da competição, ou os
próprios dirigentes dos clubes mandantes dos jogos e responsáveis pelo
aluguel da praça esportiva”, alertou José Vanildo. A vistoria nos estádios
será realizada com antecedência para dar tempo que os proprietários de
corrigir as falhas. Quem não se enquadrar dentro das normas terá o campo
interditado. Quando os problemas estruturais não forem considerados tão
graves, a questão poderá ser resolvida através da assinatura de um
ajuste de conduta, no Ministério Público.
De
“poema”, a problema de concreto - Tão grande quanto às dimensões
da principal praça de esportes do Rio Grande do Norte, são os problemas
estruturais existentes no Machadão, antes denominado “Poema de Concreto
Armado”. Mesmo fechado para eventos de futebol, não precisamos procurar
muito para encontrar algumas falhas que necessitam ser corrigidas para que
o estádio reuna as condições mínimas necessárias de segurança e
conforto para o torcedor.

Como uma construção antiga e mal cuidada, o prédio demonstra sinais de
desgaste pela ação do tempo. O estádio que chegou a comportar um público
superior a 52 mil pessoas, hoje, com a relação de capacidade
inversamente proporcional ao crescimento da população natalense, pode
abrigar somente 35 mil.
A segurança ao torcedor é relativa. Conta-se com espaço suficiente para
separar os torcedores de equipes rivais, foi implantado um sistema de câmeras
e um bom aparato policial é mobilizado nos dias de jogos. Mas, o Machadão
peca na área de atendimento ao público, principalmente nas questões de
primeiros socorros. O posto médico é totalmente desequipado, limitando
bastante a ação do médico plantonista que sequer reúne condições de
realizar pequenas suturas no local, fora os casos de dor de cabeça, que
podem ser solucionados com analgésicos, o socorro a outros tipos de casos
só podem ser solucionados com o encaminhamento do paciente ao hospital Clóvis
Sarinho, para onde são levados até os torcedores que exageram no consumo
de álcool e apresentam um mal súbito.
Outro fator de
risco é a exposição da fiação elétrica. Estas podem ser vistas tanto
nos corredores de acesso aos vestiários — costumeiramente invadidos por
torcedores — quanto no setor das cadeiras especiais, onde as caixas de
energias ficam ao alcance de qualquer pessoa. Pior que isso, a porta onde
se encontra a central elétrica do estádio fica escorada apenas por uma
peça de concreto, que pode ser facilmente removida, caso alguém queira
invadir o setor.
O artigo 28 do Estatuto de Defesa do Torcedor é claro: o torcedor partícipe
tem direito à higiene e à qualidade das instalações físicas dos estádios
e dos produtos alimentícios vendidos no local. Talvez esteja neste ponto
a principal falha dos estádios que abrigam jogos do Campeonato Estadual.
Os banheiros do Machadão são os principais focos de reclamação dos
torcedores que costumam comparecer aos jogos, muitos dos quais sequer são
abertos durante a realização de eventos esportivos. Em estádios de
pequeno porte como o Luiz Rios Bacurau, que fechou para jogos
profissionais após a implantação do novo estatuto, os torcedores sequer
dispunham de banheiros.
Torcedores
que ainda frequentam os jogos convivem com o desconforto e a sujeira.
RUÍNAS - No Luiz Rios Bacurau, onde foi disputada a final dos
juniores, não existem condições para a disputa de jogos profissionais.
O que diz o Estatuto
do Torcedor
Art.23.
A entidade responsável pela organização da competição apresentará ao
Ministério Público e do Distrito Federal, previamente à sua realização,
os laudos técnicos expedidos pelos órgãos e autoridades competentes
pela vistoria das condições de segurança dos estádios a serem
utilizados na competição.
1º Os laudos atestarão a real capacidade de público dos estádios,
bem como suas condições de segurança.
2º Perderá o mando de jogo por, no mínimo, seis meses, sem prejuízo
das demais sanções cabíveis, a entidade de prática desportiva
detentora do mando de jogo em que:
I - tenha sido colocada à venda o número de ingressos maior do que a
capacidade de público do estádio; ou
II - tenham entrado pessoas em número maior do que a capacidade de público
do estádio.
Reformas
seguem lentas no Nogueirão
OBRAS
- Parte da arquibancada do Nogueirão foi substituída
Presidente
da Liga Mossoroense admite que clubes podem ter problemas para a Copa do
Brasil.
As obras do estádio Manoel Leonardo Nogueira tem previsão de término
para o mês de dezembro e os trabalhos contemplam a substituição de
parte dos assentos das arquibancadas para concreto, a recuperação dos
vestiários profissionais e a recuperação do alambrado, que já foi
concluída. Mesmo com a conclusão destas obras, faltará um quarto das
arquibancadas a passar por recuperação. O gramado também precisa ganhar
nova vida. A icógnita, em relação ao “Nogueirão” é como a inspeção,
irá perceber as obras do estádio.
O presidente da Liga Desportiva Mossoroense, Francisco Simone, explica que
as obras realizadas pela prefeitura de Mossoró, no valor de R$ 400 mil,
está contemplando a recuperação emergencial do estádio. Ele lembra,
que apesar do atraso na obra em função da burocracia, a previsão é que
ela seja concluída agora em dezembro. As obras, segundo ele, deveriam ter
sido concluído em outubro. “Estamos indo ao Governo do Estado para
cientificar a governadora Wilma de Faria da necessidade de continuar esta
reforma”, explica.
Na opinião do presidente da Liga, a recuperação veio tarde. “Enquanto
a reforma não vinha apostamos na recuperação dos clubes profissionais.
Os clubes estavam fracos”, ressalta lembrando que 2001 e 2003 os times
mossoroenses amargaram problemas. Simone menciona que o incentivo para os
clubes Potiguar e Baraúnas participarem de campeonatos, assim como a
renovação de suas diretorias foi fundamental para a melhoria do futebol
e conseqüentemente da discussão a respeito da reforma do estádio.
Esta semana, a
prefeita Rosalba Ciarlini reafirmou o convênio que fará o repasse de R$
40 mil para cada um dos clubes mossoroenses se prepararem para o
Campeonato Estadual 2005 e a Copa do Brasil.
Em abril deste ano, a promotora do Consumidor, Ana Ximenes, pediu a
interdição do estádio, após receber fotografias das condições do estádio.
Após este episódio jurídico, até mesmo um jogo sem público foi
marcado, em junho deste ano. Somente após a liberação do estádio, pelo
Corpo de Bombeiros em julho, após a garantia do andamento das obras,
conseguiu-se a liberação do estádio para jogos.
Simone relata que é preciso providenciar a recuperação do gramado e
para isso está tentando parceria com a iniciativa privada para a implantação
de um sistema de irrigação moderno. A grama também precisa ser
trabalhada e substituída. “Acho que para a copa do Brasil também
teremos problemas com as cabines para a imprensa.” Com relação a
atendimento à saúde de quem está no campo e nas arquibancadas, Simone
menciona que a Liga tem parceria com a II Unidade Regonal de Saúde Pública
(Ursap) que garante a presença de ambulância e equipe de saúde para
atendimento de urgência.
Alecrim
quer fazer regressão e voltar ao JL - O aumento da vigilância do TJD
nas praças esportivas pode atrapalhar os planos do Alecrim, que pensa em
promover um retorno ao passado e indicar o velho estádio Juvenal
Lamartine para abrigar os seus jogos.
A idéia é usar o Machadão apenas para os confrontos maiores, contra América
e ABC. Por ser uma construção muito antiga, o estádio não atende as
modernas normas de segurança e tem como de seus principais pontos falhos
a altura do alambrado, que separa os jogadores e os árbitros dos
torcedores. “Os campos devem ter um alambrado alto e saídas de vestiários
que não permitam o menor contato das pessoas envolvidas numa partida de
futebol com o público. Além de um bom policiamento, isso é o mínimo
que se pode exigir”, frisou José Vanildo.
Em Parnamirim, a destruição é ainda maior - Em situação pior,
só o estádio Tenente Luiz Gonzaga, em Parnamirim, que corre um sério
risco de ser interditado para abrigar jogos do Estadual por falta de
segurança aos atletas e aos torcedores. O estádio não conta com áreas
separadas para as pessoas envolvidas num espetáculo de futebol e os
torcedores, que se encontram na área destinada ao estacionamento por onde
ocorre a entrada e a saída do público. Na competição deste ano
chegaram a ser registrados atritos com o técnico Ferdinando Teixeira e
alguns atletas do América no local.
Para se ter idéia da falta de estrutura no estádio, os jogadores e os árbitros
precisam atravessar um verdadeiro “corredor polonês” antes de entrar
no campo de jogo. Dois portões são fechados impedindo o contato com a
torcida.
Estádio Tenente Luiz Gonzaga em
Parnamirim

Nilson Gomes: “A
FNF não pode se responsabilizar”
Embora o Estatuto
do Torcedor não reconheça o direito do TJD em realizar vistorias nos estádios,
como pretende fazer o responsável pelo tribunal local, o presidente da
Federação Norte-rio-grandense de Futebol (FNF), Nilson Gomes prefere
calar sobre o assunto a polemizar. Apesar de tudo, o dirigente se disse
disposto a colaborar com as autoridades e mostrar toda transparência dada
às questões de segurança nos estádios.
• Tribuna do Norte: O senhor acha que está havendo ingerência do
TJD nas coisas relativas à FNF?
Nilson Gomes: Prefiro não falar sobre esse assunto, não me agrada e é
melhor não polemizar.
• TN - O Estatuto do Torcedor fala da obrigação de apresentar os
relatórios de segurança dos estádios apenas para o Ministério Público.
Como a FNF encara isso?
NG - Estamos encarando as coisas com naturalidade, mas, como disse, não
quero falar sobre o assunto.
• TN - A federação promoverá novas vistorias nos estádios?
NG - A federação não, essa responsabilidade cabe aos clubes. Eles é
que terão de providenciar o relatório de segurança das praças onde
pretendem mandar seus jogos e enviar para federação repassar ao Ministério
Público em tempo hábil.
• TN - E no caso dos estádios públicos como o Machadão, a quem
caberá essa responsabilidade?
NG - Caberá a ABC, América e os demais clubes que pretendem usar o estádio
como praça para os seus jogos. Além disso, são os clubes que terão de
assinar o contrato de locação do Machadão, eles é que possuem a renda
e têm condições de pagar o aluguel da praça. A federação não pode
se responsabilizar por isso.
• TN - Com as reformas realizadas, o Juvenal Lamartine (JL) terá
condições de abrigar algumas partidas?
NG - Acredito que sim e como o estádio pertence a FNF, nós vamos
solicitar que seja realizada uma vistoria. Para pequenos jogos creio que
teremos as condições de segurança necessária. O grande problema do JL
é o excessivo número de perda de bolas, as que saem costumam não
voltar.
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