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Fundado
em 1928 a partir de dissidência do América, clube facilitou a vida
alvinegra
Dissidentes - O primitivo Paysandu reunia
somente jogadores dissidentes do América e a
camisa era alvi-azulina pois um fundador era
de Belém/PA.
De todos os clubes que um dia fizeram história no futebol do Rio
Grande do Norte e hoje são extintos, sem dúvida alguma o mais famoso
- porque não dizer também o mais polêmico foi o Paysandu FC. Além
do detalhe de ter surgido de um grupo dissidente do América de Natal,
o Paysandu se tornaria, anos depois, uma autêntica filial do ABC FC,
obra da argúcia do dr. Vicente Farache. Só, que, o primitivo
Paysandu tinha camisas nas cores azul e branca, já que um de seus
fundadores e grande estimulador era Rodolfo Barradas, atleta que aqui
chegou vindo de Belém do Pará.
O “Papão da Curuzu” havia sido fundado em 02/02/1914, alguns
meses antes do América, este nascido em 14/07/1915. O segundo
Paysandu, dessa coordenado por Farache, era alvinegro. O arguto
cartola abecedista aproveitou o licenciamento do outro Paysandu e
fundou o seu, apesar de protestos dos antigos defensores e até de
torcedores do ABC, achando que não havia necessidade de Farache
aproveitar o nome do antigo rival. Ficou só nos protestos, porque o
nome Paysandu permaneceu. Ocorre que, naquela época não havia
rigidez na legislação esportiva, até porque os jogadores eram todos
amadores.
O primitivo Paysandu fez sua estréia no Torneio Inicio de 1928,
quando foi inaugurado o “Juvenal Lamartine”, sagrando-se campeão,
ao empatar com o ABC em 1x1 e perder nos escanteios. Ainda não haviam
criado a fórmula de decidir competições com os chamados tiros
livres da marca do pênalti. A primeira equipe azulina foi esta: Ayta,
Barnabé e Renato Wanderley, Milton, Barradas e Frontin, Alfredo, Ruy,
Pinheirão, Pimenta e Simão. Gil Soares de Araújo, que hoje mora no
Rio de Janeiro e está perto de completar 100 anos, é a única
testemunha ocular da fundação do Paysandu, sendo, inclusive, um dos
que ajudaram a fundar o clube. Gil, americano, não aceitava que o América
abandonasse o futebol para se transformar apenas num clube social,
voltado para jogos de salão e festas.
Daí, os dissidentes, tendo à frente o próprio Gil e Renato
Wanderley fundaram o Paysandu, estimulados também por Rodolfo
Barradas, um paraense que era vidrado no Paysando do Norte. Um dia
passou por Natal, gostou da cidade e tão logo conseguiu, veio residir
nesta capital. Era um atacante de grandes virtudes, segundo o próprio
Gil Soares, que conviveu com ele.
O segundo Paysandu foi ainda mais polêmico, dada sua condição de
filial autêntica do ABC, tanto que nos seus cinco anos de duração
até ser eliminado pela Federação, jamais derrotou o Alvinegro.
Confrontando-se as escalações do Paysandu e do ABC, na época,
verifica-se que quase sempre os mesmos atletas defendiam os dois
clubes. Os demais filiados protestavam a jogada do dr. Vicente Farache,
mas o regulamento era omisso, até porque não havia profissionalismo.
Em todos os confrontos ABC x Paysandu há sempre goleadas, como se vê:
5x0 (dia 20/06/37), 9x0 (dia 23/06/37), 9x1 (dia 05/09/37), 6x0 (dia
01/05/38), novamente 6x0 (31/04/39). Finalmente, dia 17/11/42 a federação
decretou a suspensão do Paysandu por três anos, pela visível falta
de vontade de um dia derrotar o ABC.
No mesmo ato, o presidente da FND, capitão do Exército, Porfirio da
Paz puniu também dr. Vicente Farache, acusado de mandar o Paysandu
“entregar os pontos” a seu clube do coração, o ABC. A última
formação desse clube foi esta: Salustiano, Miranda e Dorcelino,
Contente, Teonilo e Adalberto, Valdemar, Deodato, Pageú, Tico e
Valter. Desses jogadores, Tico, Pageú, Dorcelino e Adalberto jogaram
anos seguidos pela “matriz”, no caso, o ABC. Basta confrantar as
velhas escalações do Alvinegro.
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