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Estádio
pode fazer ABC renascer para o futebol
aos 90 anos.
Clube
vive uma de suas piores crises em 89 anos de história e
aposta na construção de seu próprio estádio para virar
a mesa.
ÁREA
NOBRE - O
Frasqueirão está sendo construído numa região onde o
metro quadrado é supervalorizado.
O ano em que
comemorou 89 anos de fundação permanecerá na mente de
cada torcedor do ABC como o pior de todos. Dentro de campo
o clube foi um desastre em 2004. A sétima colocação no
Campeonato Estadual e o drama de ter que ficar de fora do
Campeonato Brasileiro são apenas exemplos de pesadelos
que insistem em assombrar as noites da torcida. Nem o título
de maior recordista brasileiro em campeonatos estaduais
(49) serve de consolo aos abecedistas.
Mas, mesmo diante da adversidade, talvez a pior de toda a
história em uma única temporada, o Alvinegro não
sucumbiu e já ensaia uma virada de mesa. Para dar o ponta
pé inicial rumo ao recomeço nos gramados, o ABC investe
alto nas categorias de base e na realização de um sonho:
a construção de um estádio próprio. Somado à
conquista da Copa RN, que dará uma vaga na Copa do Brasil
ao campeão, os dirigentes apostam na ressuscitação do
futebol, em breve.
As obras do “Frasqueirão” - como está sendo chamado
carinhosamente o estádio pelo torcedor - sofreu alguns
atrasos considerados normais e aflora na Vila Olímpica
“Vicente Farache” como o símbolo de uma nova era e o
motivo para muita comemoração no aniversário de 90
anos.
A intenção do ABC é não perder o compasso da
modernidade e, na contramão da realidade do futebol
brasileiro, construir uma estrutura sólida,
auto-suficiente, seguindo o exemplo de clubes europeus ou,
para não ir tão longe, clubes como Atlético/PR e Vitória/BA.
Os rubro-negros esbanjam, hoje, capacidade administrativa
de fazer inveja aos grandes clubes. E tudo começou com a
construção da Arena da Baixada (estádio mais moderno do
Brasil) e do Barradão - seus estádios particulares.
CONSTRUÇÃO - Iniciada as obras em setembro do ano
passado, o Frasqueirão tem previsão para ser entregue no
final de janeiro do próximo ano. A intenção do clube
era a de inaugurar o estádio em julho passado, o que
acabou não sendo possível por causa do atraso no
cronograma.
Para concretizar o antigo sonho, o ABC foi obrigado a
negociar 3.75 hectares dos 15 que formam a Vila Olímpica.
De acordo com o projeto arquitetônico, será beneficiado
uma área de, pelo menos, 11 hectares para o clube. Além
da área que envolve todo o estádio, o clube ainda contará
com um estacionamento para dois mil veículos, concentração
para os jogadores profissionais e uma outra para as
categorias de base, dois campos de treino e uma sede
social otimizada. “O ABC dispõem também de 15 lotes
nas margens da Rota do Sol (avenida que liga ao litoral
sul), medindo 20 x 50 m cada um, para comercializar. Além
do dinheiro da venda do ponto, o ABC ainda terá um caixa
com os alugueis”, lembrou Judas Tadeu, presidente do
ABC.
Na permuta dos 3,75 hectares a construtora responsável
pela negociação construiu - e já entregou - a primeira
etapa do projeto: dois lances de arquibancada na lateral
do campo, além da estrutura interna de bares, vestiários,
sala do departamento médico e fisioterápico, praça de
alimentação, sala da administração, lojinha do clube e
sala de troféus. “Devemos iniciar o plantio do gramado
no próximo dia 30 de setembro”, emendou o presidente,
lembrando que a iluminação será colocada em dezembro próximo.
Os refletores e o campo de jogo foram doados pelo poder público
- prefeitura e governo do Estado, respectivamente.
Segundo Judas, para viabilizar a construção das 16
cabines de imprensa, 12 camarotes e a cobertura das 1.500
cadeiras, o ABC dependerá ainda de recursos próprios que
podem sair da venda de uma área de 250 m2, localizada nos
limites com o condomínio residencial de luxo que está
sendo construído na região. “O ABC precisa de mais R$
625 mil para finalizar a obra. E os recursos serão
disponibilizados com a venda deste terreno e com a venda
das cadeiras e camarotes”, explicou Judas, satisfeito
com a venda de 20% das cadeiras disponíveis. Um camarote
para 20 pessoas - quatro já foram vendidos - custa R$ 46
mil, enquanto uma cadeira pode ser adquirida por R$ 1,8
mil.
Administração terceirizada no ABC - A diretoria
está constituindo uma empresa, que será responsável
pela administração do complexo esportivo da Vila
Olímpica de Ponta Negra - endereço mais fixo da
história do clube, depois de passar por Petrópolis e
Morro Branco.
De acordo com Judas Tadeu, o ABC constituirá uma empresa,
que será responsável pela administração do complexo
esportivo que está sendo construído na Vila Olímpica de
Ponta Negra. “Resolvemos terceirizar os serviços
relacionados com o complexo que está sendo construído
aqui no ABC. Uma empresa já está sendo formalizada e será
responsável, por exemplo, pela contratação de funcionários,
aluguel dos bares da praça de alimentação, etc.”,
confirmou o presidente.
Os interessados pelo arrendamento dos oito bares da praça
de alimentação - quatro em cada módulo de arquibancada
- devem passar por um processo criterioso de avaliação.
“O número reduzido de bares é para dar mais comodidade
ao torcedor e mais lucratividade aos interessados em
arrendá-los. Com uma maior produtividade, os bares poderão
lucrar mais e o ABC poderá cobrar um aluguel mais
justo”, completou Judas. As vendas das cadeiras e dos
camarotes, no entanto, continuam sob a responsabilidade de
Abreu Imóveis (203 3000).
ENDEREÇO - Depois de mudar três vezes de endereço, o
ABC parece que fixou o seu patrimônio numa área nobre de
Natal e que não pára de crescer. Encravado às margens
da avenida (Rota do Sol) que movimenta o turismo no
litoral sul e no bairro da praia urbana mais badalada
pelos estrangeiros, o complexo da Vila Olímpica está bem
próximo de se tornar uma realidade, otimizada com uma
nova estrutura e, claro, com o estádio, motivo de orgulho
da “Frasqueira” - torcida do ABC.
A princípio, o estádio terá capacidade para nove mil
espectadores - 4,5 mil em cada módulo construído na
primeira etapa do projeto. Por traz dos gols serão
construídos corredores de cinco metros de largura,
ligando um módulo a outro e que pode servir de
“arquibancada” para quem gosta de assistir aos jogos
de pé. “É pretensão nossa construir um outro módulo
de arquibancada em curto ou médio prazo para aumentar a
capacidade de público”, emendou Judas Tadeu. Um muro de
três metros será construído para dividir as áreas
interna e externa do estádio.
A primeira parte do projeto tem um custo aproximado de R$
4,16 milhões. Deste total, o ABC só deve abrir o caixa,
que hoje está no vermelho, para investir R$ 625 mil com
recursos próprios; R$ 500 mil saíram dos cofres públicos
para a colocação do gramado e iluminação, enquanto o
restante ficou por conta da construtora responsável pela
permuta com a Vila Olímpica.
Questões de infra-estrutura como o transporte - linhas de
ônibus - para os torcedores que moram na Zona Norte e
Oeste da cidade só devem começar a ser discutidos no início
do ano que vem. A festa de inauguração também não está
na lista de prioridades, por enquanto. Os dirigentes
preferem trabalhar com os pés no chão, evitando o clima
de “oba-oba” antes da entrega do estádio pronto para
ser utilizado. |