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Tribuna do Norte 12/09/2004   George Fernandes - Repórter

Estádio Frasqueirão

Estádio pode fazer ABC renascer para o futebol aos 90 anos. Clube vive uma de suas piores crises em 89 anos de história e aposta na construção de seu próprio estádio para virar a mesa.
ÁREA NOBRE - O Frasqueirão está sendo construído numa região onde o metro quadrado é supervalorizado.
O ano em que comemorou 89 anos de fundação permanecerá na mente de cada torcedor do ABC como o pior de todos. Dentro de campo o clube foi um desastre em 2004. A sétima colocação no Campeonato Estadual e o drama de ter que ficar de fora do Campeonato Brasileiro são apenas exemplos de pesadelos que insistem em assombrar as noites da torcida. Nem o título de maior recordista brasileiro em campeonatos estaduais (49) serve de consolo aos abecedistas.

Mas, mesmo diante da adversidade, talvez a pior de toda a história em uma única temporada, o Alvinegro não sucumbiu e já ensaia uma virada de mesa. Para dar o ponta pé inicial rumo ao recomeço nos gramados, o ABC investe alto nas categorias de base e na realização de um sonho: a construção de um estádio próprio. Somado à conquista da Copa RN, que dará uma vaga na Copa do Brasil ao campeão, os dirigentes apostam na ressuscitação do futebol, em breve.

As obras do “Frasqueirão” - como está sendo chamado carinhosamente o estádio pelo torcedor - sofreu alguns atrasos considerados normais e aflora na Vila Olímpica “Vicente Farache” como o símbolo de uma nova era e o motivo para muita comemoração no aniversário de 90 anos.

A intenção do ABC é não perder o compasso da modernidade e, na contramão da realidade do futebol brasileiro, construir uma estrutura sólida, auto-suficiente, seguindo o exemplo de clubes europeus ou, para não ir tão longe, clubes como Atlético/PR e Vitória/BA. Os rubro-negros esbanjam, hoje, capacidade administrativa de fazer inveja aos grandes clubes. E tudo começou com a construção da Arena da Baixada (estádio mais moderno do Brasil) e do Barradão - seus estádios particulares.

CONSTRUÇÃO - Iniciada as obras em setembro do ano passado, o Frasqueirão tem previsão para ser entregue no final de janeiro do próximo ano. A intenção do clube era a de inaugurar o estádio em julho passado, o que acabou não sendo possível por causa do atraso no cronograma.

Para concretizar o antigo sonho, o ABC foi obrigado a negociar 3.75 hectares dos 15 que formam a Vila Olímpica. De acordo com o projeto arquitetônico, será beneficiado uma área de, pelo menos, 11 hectares para o clube. Além da área que envolve todo o estádio, o clube ainda contará com um estacionamento para dois mil veículos, concentração para os jogadores profissionais e uma outra para as categorias de base, dois campos de treino e uma sede social otimizada. “O ABC dispõem também de 15 lotes nas margens da Rota do Sol (avenida que liga ao litoral sul), medindo 20 x 50 m cada um, para comercializar. Além do dinheiro da venda do ponto, o ABC ainda terá um caixa com os alugueis”, lembrou Judas Tadeu, presidente do ABC.

Na permuta dos 3,75 hectares a construtora responsável pela negociação construiu - e já entregou - a primeira etapa do projeto: dois lances de arquibancada na lateral do campo, além da estrutura interna de bares, vestiários, sala do departamento médico e fisioterápico, praça de alimentação, sala da administração, lojinha do clube e sala de troféus. “Devemos iniciar o plantio do gramado no próximo dia 30 de setembro”, emendou o presidente, lembrando que a iluminação será colocada em dezembro próximo. Os refletores e o campo de jogo foram doados pelo poder público - prefeitura e governo do Estado, respectivamente.

Segundo Judas, para viabilizar a construção das 16 cabines de imprensa, 12 camarotes e a cobertura das 1.500 cadeiras, o ABC dependerá ainda de recursos próprios que podem sair da venda de uma área de 250 m2, localizada nos limites com o condomínio residencial de luxo que está sendo construído na região. “O ABC precisa de mais R$ 625 mil para finalizar a obra. E os recursos serão disponibilizados com a venda deste terreno e com a venda das cadeiras e camarotes”, explicou Judas, satisfeito com a venda de 20% das cadeiras disponíveis. Um camarote para 20 pessoas - quatro já foram vendidos - custa R$ 46 mil, enquanto uma cadeira pode ser adquirida por R$ 1,8 mil.

Administração terceirizada no ABC - A diretoria está constituindo uma empresa, que será responsável pela administração do complexo esportivo da Vila Olímpica de Ponta Negra - endereço mais fixo da história do clube, depois de passar por Petrópolis e Morro Branco.

De acordo com Judas Tadeu, o ABC constituirá uma empresa, que será responsável pela administração do complexo esportivo que está sendo construído na Vila Olímpica de Ponta Negra. “Resolvemos terceirizar os serviços relacionados com o complexo que está sendo construído aqui no ABC. Uma empresa já está sendo formalizada e será responsável, por exemplo, pela contratação de funcionários, aluguel dos bares da praça de alimentação, etc.”, confirmou o presidente.

Os interessados pelo arrendamento dos oito bares da praça de alimentação - quatro em cada módulo de arquibancada - devem passar por um processo criterioso de avaliação. “O número reduzido de bares é para dar mais comodidade ao torcedor e mais lucratividade aos interessados em arrendá-los. Com uma maior produtividade, os bares poderão lucrar mais e o ABC poderá cobrar um aluguel mais justo”, completou Judas. As vendas das cadeiras e dos camarotes, no entanto, continuam sob a responsabilidade de Abreu Imóveis (203 3000).

ENDEREÇO - Depois de mudar três vezes de endereço, o ABC parece que fixou o seu patrimônio numa área nobre de Natal e que não pára de crescer. Encravado às margens da avenida (Rota do Sol) que movimenta o turismo no litoral sul e no bairro da praia urbana mais badalada pelos estrangeiros, o complexo da Vila Olímpica está bem próximo de se tornar uma realidade, otimizada com uma nova estrutura e, claro, com o estádio, motivo de orgulho da “Frasqueira” - torcida do ABC.

A princípio, o estádio terá capacidade para nove mil espectadores - 4,5 mil em cada módulo construído na primeira etapa do projeto. Por traz dos gols serão construídos corredores de cinco metros de largura, ligando um módulo a outro e que pode servir de “arquibancada” para quem gosta de assistir aos jogos de pé. “É pretensão nossa construir um outro módulo de arquibancada em curto ou médio prazo para aumentar a capacidade de público”, emendou Judas Tadeu. Um muro de três metros será construído para dividir as áreas interna e externa do estádio.

A primeira parte do projeto tem um custo aproximado de R$ 4,16 milhões. Deste total, o ABC só deve abrir o caixa, que hoje está no vermelho, para investir R$ 625 mil com recursos próprios; R$ 500 mil saíram dos cofres públicos para a colocação do gramado e iluminação, enquanto o restante ficou por conta da construtora responsável pela permuta com a Vila Olímpica.

Questões de infra-estrutura como o transporte - linhas de ônibus - para os torcedores que moram na Zona Norte e Oeste da cidade só devem começar a ser discutidos no início do ano que vem. A festa de inauguração também não está na lista de prioridades, por enquanto. Os dirigentes preferem trabalhar com os pés no chão, evitando o clima de “oba-oba” antes da entrega do estádio pronto para ser utilizado.