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SENTIMENTOS
- Marcone revela que foram os 15 segundos mais
“alucinantes” que viveu
Marcone da Costa Gomes Filho, 21 anos, este é mais um
garoto que teve o nome inserido na história da rivalidade
entre ABC e América, ao marcar o gol da virada alvinegra
no último embate realizado entre os clubes. Num dia em
que os caminhos do sucesso apontavam para o lado
alvirrubro, coube ao jogador — ainda um ilustre
desconhecido no cenário do futebol potiguar — mudar os
rumos da história e provar mais uma vez que num choque de
rivais a palavra favoritismo não existe no “futebolês”.
Fonte:
Tribuna do Norte 11/07/2004 - Foto: Alex
Régis
“Foram os 15 segundos mais alucinantes que vivi”,
garantiu o jovem atleta explicando a alegria de entrar
faltando 20 minutos para o fim do clássico e acabar
marcando o gol decisivo. “Naqueles segundos só
conseguia pensar em meu pai (falecido em 2003) e, na
alegria das pessoas que haviam no estádio, durante a
comemoração, só conseguia enxergar a minha irmã que
estava acompanhando a partida na arquibancada”, disse
Marcone, que não soube traduzir em palavras a emoção
que sentiu ao ver a bola entrando no gol americano. “É
um tipo de alegria incontida”, descreve.
Se, só agora está desbravando o difícil mercado do
futebol profissional para os jovens formados nas bases dos
clubes potiguares, Marcone, apesar da pouca idade, já
possui um início de história para contar. Antes de
desembarcar na Vila Olímpica onde assinou contrato até
2006 com o ABC, o atleta revelado na equipe Júnior da
Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) teve
passagem pelo Botafogo/RJ e também pelo Compostella, na
Espanha.
“Tudo aconteceu muito rápido, em 2001 depois de me
destacar no time da UFRN fui para o Rio e fiquei um mês
no Botafogo. Voltei e meu pai conseguiu me colocar para
jogar no time da Polícia Federal. Ai, um empresário
espanhol (Jesus Esteban) me viu atuar, gostou e me levou
para o Compostella”, lembra o meiocampista.
Os 45 dias vividos na Espanha foram difíceis,
principalmente pela saudade da família e dos amigos.
Apesar do bom desempenho, Marcone não conseguiu evitar a
queda do Compostella para segunda divisão B, onde não é
permitida a presença de nenhum estrangeiro nas equipes.
Se não fosse isso, o jogador acredita que continuaria
defendendo o clube espanhol. Qquando se transferiu,
Marcone tinha 18 anos.
O ano de 2003 foi o pior de toda vida do atleta, o fato de
ter perdido o pai fez Marcone abandonar tudo. “Fiquei
oito meses afastado do futebol, não tinha motivação
para nada. Por sorte, a minha família me deu uma força
muito grande, assim como o pai e a família de minha
namorada Lívia. O pai dela demonstrava a muita preocupação
comigo, fazia lembrar o meu próprio pai”, comparou.
Reanimado para vida, o atleta decidiu tentar a sorte no
ABC, onde chegou por indicação do treinador Didi Duarte,
que hoje trabalha com as divisões de base do Naútico
Capibaribe/PE. Com os direitos federativos dividido entre
o clube alvinegro e o procurador Jesus Esteban, Marcone
mostrou que consegue superar rápido os momentos difíceis
e se diz preparado para enfrentar as armadilhas do
futebol.
A lembrança da primeira vez que vestiu a camisa alvinegra
em jogos oficiais não é nada boa. A estréia ocorreu no
confronto contra o Baraúnas, quando o ABC perdeu a chance
de disputar a série C. O “trauma” só não foi maior
pelo fato dele ter atuado apenas nos cinco minutos finais.
“Aquele foi um jogo fatídico para todos no ABC, mas o
futebol é assim mesmo, não perdoa. Nós, jogadores,
temos é que sempre procurar aprender com as derrotas e
procurar nos recuperar o mais rápido possível”,
destacou. “Como só entrei no finalzinho daquele jogo,
eu considero que minha verdadeira estréia ocorreu contra
o América”, salientou Marcone.
Simultaneamente a carreira de jogador de futebol, Marcone
realizar o curso de Ciências Contábeis na UFRN e não vê
a hora de se formar. “Faltam dois anos”, avisa,
lembrando que todo jovem atleta não deve se descuidar dos
estudos, já que o futebol trata-se mesmo de uma
“caixinha de surpresas”. “A carreira dentro do
futebol não é segura, ela pode ser interrompida a
qualquer momento. Seja por questões técnicas ou por
contusão. Além disso a carreira é curta e a pessoa tem
de estar preparada para desenvolver outra atividade quando
parar”, afirmou. |