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Tribuna 11/07/2004

Jovem valor alvinegro conta a emoção de um gol no clássico potiguar  

SENTIMENTOS - Marcone revela que foram os 15 segundos mais “alucinantes” que viveu
Marcone da Costa Gomes Filho, 21 anos, este é mais um garoto que teve o nome inserido na história da rivalidade entre ABC e América, ao marcar o gol da virada alvinegra no último embate realizado entre os clubes. Num dia em que os caminhos do sucesso apontavam para o lado alvirrubro, coube ao jogador — ainda um ilustre desconhecido no cenário do futebol potiguar — mudar os rumos da história e provar mais uma vez que num choque de rivais a palavra favoritismo não existe no “futebolês”. Fonte: Tribuna do Norte 11/07/2004 - Foto: Alex Régis
“Foram os 15 segundos mais alucinantes que vivi”, garantiu o jovem atleta explicando a alegria de entrar faltando 20 minutos para o fim do clássico e acabar marcando o gol decisivo. “Naqueles segundos só conseguia pensar em meu pai (falecido em 2003) e, na alegria das pessoas que haviam no estádio, durante a comemoração, só conseguia enxergar a minha irmã que estava acompanhando a partida na arquibancada”, disse Marcone, que não soube traduzir em palavras a emoção que sentiu ao ver a bola entrando no gol americano. “É um tipo de alegria incontida”, descreve.

Se, só agora está desbravando o difícil mercado do futebol profissional para os jovens formados nas bases dos clubes potiguares, Marcone, apesar da pouca idade, já possui um início de história para contar. Antes de desembarcar na Vila Olímpica onde assinou contrato até 2006 com o ABC, o atleta revelado na equipe Júnior da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) teve passagem pelo Botafogo/RJ e também pelo Compostella, na Espanha.

“Tudo aconteceu muito rápido, em 2001 depois de me destacar no time da UFRN fui para o Rio e fiquei um mês no Botafogo. Voltei e meu pai conseguiu me colocar para jogar no time da Polícia Federal. Ai, um empresário espanhol (Jesus Esteban) me viu atuar, gostou e me levou para o Compostella”, lembra o meiocampista.

Os 45 dias vividos na Espanha foram difíceis, principalmente pela saudade da família e dos amigos. Apesar do bom desempenho, Marcone não conseguiu evitar a queda do Compostella para segunda divisão B, onde não é permitida a presença de nenhum estrangeiro nas equipes. Se não fosse isso, o jogador acredita que continuaria defendendo o clube espanhol. Qquando se transferiu, Marcone tinha 18 anos.

O ano de 2003 foi o pior de toda vida do atleta, o fato de ter perdido o pai fez Marcone abandonar tudo. “Fiquei oito meses afastado do futebol, não tinha motivação para nada. Por sorte, a minha família me deu uma força muito grande, assim como o pai e a família de minha namorada Lívia. O pai dela demonstrava a muita preocupação comigo, fazia lembrar o meu próprio pai”, comparou.

Reanimado para vida, o atleta decidiu tentar a sorte no ABC, onde chegou por indicação do treinador Didi Duarte, que hoje trabalha com as divisões de base do Naútico Capibaribe/PE. Com os direitos federativos dividido entre o clube alvinegro e o procurador Jesus Esteban, Marcone mostrou que consegue superar rápido os momentos difíceis e se diz preparado para enfrentar as armadilhas do futebol.

A lembrança da primeira vez que vestiu a camisa alvinegra em jogos oficiais não é nada boa. A estréia ocorreu no confronto contra o Baraúnas, quando o ABC perdeu a chance de disputar a série C. O “trauma” só não foi maior pelo fato dele ter atuado apenas nos cinco minutos finais. “Aquele foi um jogo fatídico para todos no ABC, mas o futebol é assim mesmo, não perdoa. Nós, jogadores, temos é que sempre procurar aprender com as derrotas e procurar nos recuperar o mais rápido possível”, destacou. “Como só entrei no finalzinho daquele jogo, eu considero que minha verdadeira estréia ocorreu contra o América”, salientou Marcone.

Simultaneamente a carreira de jogador de futebol, Marcone realizar o curso de Ciências Contábeis na UFRN e não vê a hora de se formar. “Faltam dois anos”, avisa, lembrando que todo jovem atleta não deve se descuidar dos estudos, já que o futebol trata-se mesmo de uma “caixinha de surpresas”. “A carreira dentro do futebol não é segura, ela pode ser interrompida a qualquer momento. Seja por questões técnicas ou por contusão. Além disso a carreira é curta e a pessoa tem de estar preparada para desenvolver outra atividade quando parar”, afirmou.