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Tribuna do Norte 08/06/2004
Itamar Ciríaco
 Editor de Esportes

Emoção marca o adeus de Oscar Schimdt em jogo disputado no DF

LEMBRANÇAS - Oscar ainda guarda um time de botão do ABC
Descrever um acontecimento, narrar um fato é simples para a gente acostumado a, diariamente, sentar em frente ao computador e exercer nossa profissão de jornalista. Mas como transmitir, com fidelidade, a emoção da despedida de um ídolo?, aliás nosso ídolo, pois Oscar Schimdt é originalmente um potiguar, como ele fez questão de explicar em todas as entrevistas que concedeu nesse fim de semana de despedida em Brasília.

Digo nosso, com ênfase, porque às vezes costumamos esquecer disso pela distância, ou até mesmo porque o vemos ser ídolo em todos os lugares e, com ciúmes, nos distanciamos também. Além disso, vale salientar que Oscar também é um cidadão do mundo não só por suas marcas indiscutíveis, mas por sua personalidade.

Durante o evento, “Oscar entre amigos”, convivemos um pouco com toda família Schimdt e garanto: eles não esqueceram suas raízes. O pai, seu Oswaldo, relembra as peladas que jogou no Aeroclube e toda época que esteve na cidade a serviço da Marinha do Brasil. O irmão, Luís Felipe, me perguntou pelo América F.C, paixão de sua juventude na capital potiguar e disse: “Todos éramos americanos. Apenas Oscar que tinha uma queda pelo ABC”. E parece que o “Mão Santa” tinha mesmo essa queda. Pouco depois da despedida oficial, realizada no ginásio do Colégio Marista, em Brasília, nos encontramos no corredor do hotel e ele confirmou o sentimento pelo alvinegro dizendo ter, até hoje, um time de botão, feito por ele, com o esquadrão abecedista comandado por Alberi.

Ainda com o brilho nos olhos remetendo a lembrança da emoção do jogo de despedida, que reuniu astros do passado como Guerrinha, Rosa Branca, Carioquinha e do presente, como Nenê, ídolo da NBA, Oscar ainda teve tempo para uma última reunião com os amigos antes de todos se dispersarem.
Antes disso, no jogo, no qual marcara 41 pontos (média que o consagrou) ele passou a “coroa” para Nenê após dar um passe para enterrada do pivô que estava apenas assistindo à partida mas fez uma participação surpresa. “Pessoal, esse agora é o responsável por levar a Seleção Brasileira aos títulos”, disse, interrompendo o jogo festivo. Ações como essa mostram que Oscar é, parafraseando o Hino Nacional, “gigante pela própria natureza” não só nos 2,03m, mas também na generosidade e na paixão que sente pela Seleção.

No fim, fica um sentimento de dever cumprido, de alegria com um toque de tristeza e saudade daquelas sextas de três pontos, mas fica a certeza que esse potiguar-brasiliense, enfim, brasileiro saiu das quadras para entrar na história do esporte mundial.