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LEMBRANÇAS
- Oscar ainda guarda um time de botão do ABC
Descrever
um acontecimento, narrar um fato é simples para a
gente acostumado a, diariamente, sentar em frente ao
computador e exercer nossa profissão de jornalista.
Mas como transmitir, com fidelidade, a emoção da
despedida de um ídolo?, aliás nosso ídolo, pois
Oscar Schimdt é originalmente um potiguar, como ele
fez questão de explicar em todas as entrevistas que
concedeu nesse fim de semana de despedida em Brasília.
Digo nosso, com ênfase, porque às vezes costumamos
esquecer disso pela distância, ou até mesmo porque
o vemos ser ídolo em todos os lugares e, com ciúmes,
nos distanciamos também. Além disso, vale
salientar que Oscar também é um cidadão do mundo
não só por suas marcas indiscutíveis, mas por sua
personalidade.
Durante o evento, “Oscar entre amigos”,
convivemos um pouco com toda família Schimdt e
garanto: eles não esqueceram suas raízes. O pai,
seu Oswaldo, relembra as peladas que jogou no
Aeroclube e toda época que esteve na cidade a serviço
da Marinha do Brasil. O irmão, Luís Felipe, me
perguntou pelo América F.C, paixão de sua
juventude na capital potiguar e disse: “Todos éramos
americanos. Apenas Oscar que tinha uma queda pelo
ABC”. E parece que o “Mão Santa” tinha mesmo
essa queda. Pouco depois da despedida oficial,
realizada no ginásio do Colégio Marista, em Brasília,
nos encontramos no corredor do hotel e ele confirmou
o sentimento pelo alvinegro dizendo ter, até hoje,
um time de botão, feito por ele, com o esquadrão
abecedista comandado por Alberi.
Ainda com o brilho nos olhos remetendo a lembrança
da emoção do jogo de despedida, que reuniu astros
do passado como Guerrinha, Rosa Branca, Carioquinha
e do presente, como Nenê, ídolo da NBA, Oscar
ainda teve tempo para uma última reunião com os
amigos antes de todos se dispersarem.
Antes disso, no jogo, no qual marcara 41 pontos (média
que o consagrou) ele passou a “coroa” para Nenê
após dar um passe para enterrada do pivô que
estava apenas assistindo à partida mas fez uma
participação surpresa. “Pessoal, esse agora é o
responsável por levar a Seleção Brasileira aos títulos”,
disse, interrompendo o jogo festivo. Ações como
essa mostram que Oscar é, parafraseando o Hino
Nacional, “gigante pela própria natureza” não
só nos 2,03m, mas também na generosidade e na paixão
que sente pela Seleção.
No fim, fica um sentimento de dever cumprido, de
alegria com um toque de tristeza e saudade daquelas
sextas de três pontos, mas fica a certeza que esse
potiguar-brasiliense, enfim, brasileiro saiu das
quadras para entrar na história do esporte mundial.
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