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Itamar Círiaco
 
Editor de Esportes da Tribuna do Norte
 24 de março de 2004

HISTÓRIA/Rivais desde antes da colonização

Em mesas de bar , nos livros, no papo com os mais velhos, sempre encontramos explicações diferentes para a origem da rivalidade entre ABC e América. A única coincidência na maioria dessas justificativas é que esse aspecto dualista teria origem anterior até mesmo a criação dos dois clubes Vasculhando o texto do filósofo formado na UFRN, Marcelo de Góes, encontramos uma teoria bastante interessante, que remonta ao "confronto" entre os Xarias e os Canguleiros, como se dividiram os moradores da Ribeira e Rocas contra os da Cidade Alta. 
Os Xarias, habitantes da Cidade Alta tinham na ponta da língua uma frase: "Canguleiro não sobe", referindo-se ao limite imaginário imposto entre os dois bairros. A resposta dos Canguleiros era na mesma moeda: "Xarias não desce".
Neste clima - que segundo pesquisas do filósofo em trabalhos do antropólogo Veríssimo de Mello, tem origens na tribo Tupi, dividida em duas aldeias - teriam surgido ABC e América. Essas aldeias (de cima e de baixo) eram representadas por cores. Os de cima usavam o vermelho (urucu) e os de baixo o preto (jenipapo). 
Para o antropólogo, a influência do chamado inconsciente rivalista teria levado o ABC, fundado em 1915, no bairro da Ribeira (tribo de baixo e canguleiros), a usar as cores preto e branco como símbolo. Dias depois surgia o América, fundado na Cidade Alta (tribo de cima e Xarias) coincidentemente representado pelas cores vermelho e branco. 

Essas teorias sobre a rivalidade, que antecedem a criação dos próprios clubes também eram defendidas, no Rio de Janeiro, pelo escritor Nelson Rodrigues que não tinha dúvida em afirmar: "a rivalidade do clássico entre Fluminense e Flamengo teve início 40 minutos antes do surgimento do universo".
Explicações antropológicas, filosóficas ou até mesmo bíblicas sobre essa, e outras, "pendengas" mostram a importância do jogo, mas não podem e nem devem surgir como justificativa para brigas entre torcedores. Apenas mostram que devemos respeitar cada vez mais os dois clubes, que têm raízes na própria história do povo potiguar.