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Tribuna do Norte 11/12/2003
 Foto: Marcelo Barroso

 Frasqueirão vai render quase R$ 1 milhão

OBRAS - A estrutura das arquibancadas está em fase de conclusão
A diretoria do ABC comemora o que considera um marco na história do clube: a expectativa de lucro e conclusão da obra do estádio "Frasqueirão" dentro do prazo (29 de junho de 2004) - dia do aniversário do alvinegro.
De acordo com Ricardo Rocha diretor de marketing do clube, que já antecipou sua candidatura à presidência no ano do centenário, as obras estão seguindo o cronograma pré-estabelecido e as projeções financeiras são muito boas. "Já arrecadamos R$ 185.200,00 dos R$ 723.143,53 que temos para arrecadar e temos apenas R$ 45 mil de inadimplência, o que consideramos ínfimo pois desse valor existem pessoas que compraram as cadeiras e ainda não receberam o boleto bancário para pagar", revela.
O empresário Sílvio Bezerra, diretor da empresa responsável pela obra, confirma as informações passadas pela diretoria do ABC. "Nossa empresa tem 50 anos e nunca atrasamos uma obra. Garantimos que esta está rigorosamente dentro do prazo e será entregue no dia marcado", reforçou.
Segundo os números divulgados pelo dirigente Ricardo Rocha, o clube teve a seguinte arrecadação, com as cadeiras cativas em 2003: maio = R$ 863,23, junho = R$ 7.784,37, julho R$ 15.985,57, agosto = R$ 11.149,50, setembro R$ 21.205,86 e novembro = R$ 40.896,91. "Tudo isto está sendo repassado, com nossa fiscalização, para a Ecocil adiantar as obras daquilo que não está no contrato e todas essas obras estão sendo fiscalizadas por uma comissão formada pelo engenheiro Gilberto Sá, José Nílson Gomes Neto, Paulo Tarcísio, Cláudio Emerenciano e Augusto Azevedo", fala.

Oposição - Mesmo fora da briga pela presidência do ABC, o ex-presidente do clube, Leonardo Arruda Câmara garante que não esqueceu o time do coração e que acompanha de perto os destinos alvinegros. De acordo com o deputado, caso Judas Tadeu permaneça comandando o "Mais Querido" o clube estará em boas mãos, no entanto, faz ressalvas ainda quanto a construção do estádio "Frasqueirão".
"Na minha ótica o ABC não teve nenhuma vantagem com o negócio da troca do terreno. Hoje vejo os prédios construídos e já habitados e o que vejo do outro lado são apenas dois esqueletos de arquibancadas e ainda assim teremos que colocar a iluminação, concluir o restante das arquibancadas, fazer gramado e muitas outras coisas, além de ainda precisarmos vender cadeiras cativas", criticou Leonardo Arruda que, apesar disso, ainda torce para que haja um reviravolta e que a construção "seja a redenção do ABC".
O ex-presidente relembra que deixou o clube por estar sendo pressionado pela maioria dos conselheiros que insistiam em aprovar a permuta. "Fui pressionado quando me posicionei contra e hoje continuo com a mesma opinião principalmente porque agora sei que não teremos um estádio completo", comentou.
Ricardo Rocha criticou a oposição de Leonardo Arruda: "Infelizmente ele não sabe o que está acontecendo. Na época ele foi covarde e renunciou pois não teve coragem de fazer a obra. A diretoria queria, o conselho queria e apenas ele não. Agora é muito fácil criticar o que não se conhece. Tivemos fóruns para discutir o assunto e ele (Leonardo Arruda) nunca apareceu. Fico triste em ver que temos abecedistas assim", desabafou.
Apesar das críticas, Leonardo faz questão de dizer que não tem interesses políticos no ABC. Sobre a possibilidade de voltar a dirigir o alvinegro, o deputado afirma que, no momento, não tem condições de assumir outro compromisso, mas ressalta que está a disposição para ajudar o clube. "Não sou muito procurado, mas as poucas vezes que fui sempre estive a disposição do ABC, como no caso da regularização de Sérgio Alves. Nessa época fiz contatos com a CBF e até com a Suíça para liberar o jogador", relembrou.

Sobre as críticas que o presidente Judas Tadeu vem recebendo de alguns setores da torcida e da imprensa, Leonardo considera "normal". "Futebol é resultado, os mesmos que falam mal já elogiaram um dia quando ele estava tendo resultados satisfatórios", analisou. "Quando saí do ABC tinha acabado de ser campeão, mas mesmo assim tive que sair", lamentou.
Para as eleições deste ano, cujas inscrições de chapas acabam hoje, o ex-presidente diz que não tem preferência por candidatos, no entanto reafirma: "O ABC está em boas mãos. Judas é um abnegado, gosta de futebol e é arrojado".

Judas Tadeu tranqüiliza torcida e diz que Aleluia deve ficar na Vila Olímpica - Foto: Ana Silva
ESTRANHEZA Judas Tadeu não entende o motivo pelo qual perdeu o apoio de alguns correligionários -
Em meio ao momento de incerteza que vive o ABC em relação a formação da equipe de 2004 e as eleições que se aproximam, o presidente Judas Tadeu tenta tranqüilizar a "Frasqueira", afirmando que até o final desta semana tudo será resolvido. No "pacote" dos problemas enfrentados atualmente pela diretoria alvinegra estão as especulações em torno das saídas dos atacantes Chris e Reinaldo Aleluia, além do lateral esquerda Marciano.
Como se não bastasse, Judas Tadeu, que tenta a reeleição para mais um triênio à frente do clube, disse ontem que o meia Marcelo Borges, recém-contratado pelo clube, ainda não assinou o contrato enviado pela diretoria do ABC. "Com essa mudança repentina de técnico não tenho certeza do que pode acontecer no caso de Marcelo. Mas, conversamos com o procurador do jogador e pedimos para que a situação seja resolvida até o fim desta semana. Caso contrário, vamos procurar um substituto", declarou Judas.
O dirigente também adiantou que ainda não chegou à diretoria nada de concreto sobre as transferências de Chris, Reinaldo Aleluia e Marciano. "A torcida pode ter certeza que vamos fazer o possível para segurar estes jogadores no clube", declarou o dirigente. Em relação a Aleluia, Judas disse que o jogador não conseguiu um entendimento com a diretoria do Santa Cruz e já está na Bahia, curtindo as férias. "O Santa Cruz não está interessado em arcar com a multa rescisória do jogador, que custa 38 mil reais (valor do investimento do ABC no jogador), e acredito que ele deva ficar mesmo no ABC", tranquilizou.
"Em relação a Crhis, o jogador já se apresentou no Atlético de Sorocaba, mas ainda não acertou nada com o ABC. O mesmo acontece com Marciano, que tem uma porcentagem (30%) do seu passe pertencente ao clube. O torcedor pode ficar tranqüilo, porque estamos trabalhando para ter estes jogadores no time em 2004", completou Judas Tadeu.

Caso o ABC não consiga segurar estes jogadores, o presidente candidato a reeleição deverá acionar o técnico recém-contratado, Luis Carlos Cruz, que já está providenciando uma zagueiro e um lateral direito à pedido da diretoria alvinegra. "Já temos um goleiro e um meia. Mas, se este meia (Marcelo Borges) desistir e os atacantes, realmente, pedirem suas transferências nós vamos contatar o treinador para que ele nos ajude a encontrar substitutos à altura. Mas, por enquanto, tudo está normal", disse.
Reeleição -
Sobre a reeleição, Judas Tadeu se diz tranqüilo, já que até o último dia de inscrição ainda não foi registrada nenhuma chapa de oposição. "Até o momento ainda não surgiu chapa de oposição. O que me estranha é que gente que até um dia desses me apoiava, ande dizendo por aí que está na hora de mudança na presidência. Não tenho nada contra ninguém e acho salutar uma chapa de oposição. Já cansei de dizer que o ABC não é meu, mas de todos nós", finalizou.
As inscrições das chapas para a eleição do ABC, que será realizada na próxima segunda-feira, acabam hoje. Caso não apareça nenhuma chapa de oposição, o presidente Judas Tadeu deve ser reeleito para mais três anos á frente do clube. Segundo o dirigente, caso confirme a reeleição, a principal meta para a temporada 2004 será o título do Campeonato Estadual e a inauguração do estádio "Frasqueirão".