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O
mais famoso camisa 10 do ABC, Alberi - conversa com o amigo Maciel
Gonzaga
O
pernambucano de Recife, Alberi, começou a carreira no Santa Cruz, mas
alcançou o auge no "Mais Querido".
Alberi,
um dos maiores craques do nosso futebol, único
ganhador do troféu "Bola de Prata",
jogando por um clube potiguar, no primeiro ano em
que um time local estreiava no Nacional, em 1972,
justamente o ABC, dá entrevista exclusiva ao
repórter Maciel Gonzaga, e faz revelações
surpreendentes.
Alberi José Ferreira de Matos, 58 anos, é
funcionário da SEL. Nas horas vagas bate uma
"pelada" com amigos no campinho da Base
Naval e no master do ABC, que participa do
campeonato da categoria no campo de futebol do
Conjunto Jiqui(Zona Sul). Afastado do noticiário,
diz que prefere continuar a vida ao lado dos amigos
e distante do amargo "mundo da bola".
O JT procurou o "Negão", que, mesmo sendo
arredio a entrevistas, conversou ao cair da tarde de
quarta-feira, 15, no campo de futebol da Base Naval,
com o seu amigo particular, o jornalista Maciel
Gonzaga, do qual foi vizinho no bairro do Catolé,
em Campina Grande(PB), no início dos anos 80,
quando o craque defendia o Campinense.
Alberi:
" A bola de Prata deve ser comemorada pelo
Torcedor".
Gonzaga - Alberi, como você está vendo o nosso
futebol hoje?
Alberi - Observo o futebol de hoje em
decadência. Falta o incentivo para a prata de casa,
desde o trabalho de formação do atleta. Não
formamos mais jogador de futebol, mas atleta de
futebol.
Gonzaga - O futebol do RN está a cada dia mais
pobre?
Alberi - Acho que não temos estrutura para
competir com outros centros. Como também acho que
não temos hoje um único jogador que leve a torcida
para o Machadão. Todos estão no mesmo nível.
Gonzaga - E quem é o culpado por isso?
Alberi - Os dirigentes dos nossos clubes
profissionais, que preferem buscar jogadores em fim
de carreira lá fora, em detrimento dos bons atletas
que temos aqui. O RN sempre exportou bons jogadores,
hoje preferimos importar.
Gonzaga - Alberi, você não gostaria de ser
treinador de futebol?
Alberi - Gostaria, mas nunca me deram a
oportunidade. Fui auxiliar técnico do ABC nos anos
80 e tinha como meta ser treinador, mas, parece, que
ninguém acreditou na minha proposta. Eu sigo a
minha vida tranquilo, observando de longe as
cabeçadas do nosso futebol.
Gonzaga - Se você fosse treinador de futebol
seus atletas saberiam bater bem na bola? Alguns
deles cobrariam faltas com maestria, o que sempre
foi uma marca sua?
Alberi - Ah! Sim. Não tenho a menor dúvida. Eu
entendo que todo jogador de futebol tem condições
de bater bem na bola. É só aprender com quem sabe.
Mas muitos treinadores que estão aí nunca jogaram
futebol e quando jogaram não foram bons jogadores.
Eu cito muito o fato de que Zico e Roberto Dinamite
treinavam mais bater faltas do que propriamente
fazer coletivo. Os jogadores de hoje fazer o
contrário, só se preocupam com a parte física e
com rachão esquecendo de aprender bater na bola.
Não só em faltas, mas até mesmo aprender fazer um
cruzamento, dá um passe, tocar de primeira. Eu vejo
isso com tristeza.
Gonzaga - E os 31 anos da "Bola de
Prata"?
Alberi - Acho que essa comemoração deveria ser
muito mais do Rio Grande do Norte do que minha.
Gonzaga - Alberi, você se sente hoje uma pessoa
esquecida?
Alberi - Tudo o que eu fiz na minha vida até
hoje não me arrependo. Se fiz algo de positivo para
o futebol do RN cabe ao povo julgar. Tenho um
família maravilhosa, amo os meus filhos e sigo a
minha vida de cabeça erguida certo de que procurei
cumprir com o meu dever. O resto não me
interessa.
NOTA
DA REDAÇÃO:
O
troféu foi instituído pela revista PLACAR em 1970,
durante a Taça de Prata (Torneio Roberto Gomes
Pedrosa). |