|
Aos
74 anos de idade, o Juvenal Lamartine está prestes a ser
negociado. Em troca, a empresa interessada prometeu
construir um novo estádio na zona Norte de Natal. O
terreno de 11.834m² ainda não tem valor de venda
definido.
Inaugurado em 12 de outubro de 1928, o estádio Juvenal
Lamartine corre sério risco de comemorar, no próximo
mês, o seu último aniversário. Aos 74 anos de idade, o
"velho" JL, palco de grandes lances do futebol
potiguar durante quatro décadas, pode ser negociado e dar
lugar a um condomínio residencial.
Localizado numa área nobre de Natal (bairro do Tirol), o
JL sempre foi objeto de desejo de empresários e
construtoras. Há cerca de dez dias, Nilson Gomes,
presidente da Federação Norte-rio-grandense de Futebol,
foi surpreendido por uma empresa paulista, que pretende
investir no terreno de 11.834 m2.
Em troca, segundo o dirigente, a FNF receberia uma nova
sede no Centro da cidade e um estádio na Zona Norte. Por
enquanto, tudo não passa de uma proposta, mas que ganhou
peso com a possibilidade de presentear os cerca de 400 mil
habitantes da ZN de Natal com o seu primeiro estádio de
futebol. "Realmente, fui procurado por um
representante de uma empresa paulista, que pretende
negociar o JL. Mas, ainda não tem nada certo",
confirmou Nilson Gomes, que preferiu não divulgar o nome
da suposta empresa interessada.
O presidente da FNF disse ainda que o JL foi doado pelo
governador Juvenal Lamartine, que deu origem ao nome do
"Campinho do Tirol". "Infelizmente, não
temos nenhum documento que possa comprovar essa
doação", completou Nilson. Como se trata de um bem
público, o instituto do usucapião não pode ser
utilizado pela federação, como entidade privada.
INAUGURAÇÃO: 12 de outubro de 1928, quando o JL abriu as portas
pela primeira vez.
Em
2001, a Procuradoria do Estado ensaiou um movimento que
pretendia pedir à federação a desocupação do imóvel,
que segundo a escritura existente pertence ao governo
estadual. Mas, não houve prosseguimento e o caso acabou
sendo engavetado. José Rocha, presidente do Conselho
Deliberativo do América, considera válida a proposta de
se construir um estádio na Zona Norte. "Acho que é
uma boa idéia. A cidade merece ter um outro campo, de
menor porte que o Machadão. E nada mais justo de que seja
construído na Zona Norte, que já tem uma população
superior a 350 mil habitantes", declarou Rocha.
O empreendedor e diretor jurídico do ABC, José Wilson,
também ver com bons olhos a "permuta" do
Juvenal Lamartine. "Não há dúvida de que esta
negociação seria benéfica. Naquele local não há mais
condições de promover jogos oficiais de futebol. Não
tem estacionamentos, incomoda a vizinhança, enfim. A
possibilidade de negociar o terreno do estádio por um
outro na zona norte, inclusive, já era para ter sido
feita há mais tempo", declarou o advogado José
Wilson.
Na condição de consultor imobiliário, José Wilson
disse ainda que é necessário um estudo detalhado das
condições do terreno para poder se chegar a um valor de
venda. "Depende muito do Plano Diretor da cidade; da
disponibilidade da área para edificação. Tem que se
fazer um levantamento minucioso para se chegar ao valor
real. É irresponsável a atitude de atribuir um valor ao
imóvel sem haver um estudo detalhado antes",
explicou. O custo da obra na época da inauguração foi
de "74 contos de reis".
EVENTO - O
JL foi palco de grandes espetáculos de
futebol e abertura de jogos escolares
O
Juvenal Lamartine serviu ao futebol potiguar até o
início da década de 1970, quando foi inaugurado o
Castelão (1972), depois, Machadão. Porém, durante
algumas crises enfrentadas pelo estádio de Lagoa Nova, o
"Campinho de Tirol" ressurgia como opção,
assim como um jogador reserva. Pelo menos em três
oportunidades, já na "Era Machadão", o JL
reabriu suas portas para a disputa de jogos oficiais do
Campeonato Estadual.
Com uma estrutura precária e deteriorada, o JL apenas
resiste ao tempo. A infra-estrutura do estádio de hoje
deixa a desejar. A falta de um estacionamento e as
condições do campo e das arquibancadas são as
principais barreiras. Hoje, o Juvenal Lamartine serve
apenas como palco de jogos dos estaduais das categorias de
base. Além de ser o endereço oficial da FNF há mais de
duas décadas, o JL conta ainda com lojas comerciais, que
servem como fonte de renda para a federação.
|