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Foto: Emerson do Amaral Tribuna do Norte - 28/09/03

 "Velho" JL deve mudar de endereço

ÁREA NOBRE - O estádio sofre assédio constante de investidores e construtoras.

Aos 74 anos de idade, o Juvenal Lamartine está prestes a ser negociado. Em troca, a empresa interessada prometeu construir um novo estádio na zona Norte de Natal. O terreno de 11.834m² ainda não tem valor de venda definido.
Inaugurado em 12 de outubro de 1928, o estádio Juvenal Lamartine corre sério risco de comemorar, no próximo mês, o seu último aniversário. Aos 74 anos de idade, o "velho" JL, palco de grandes lances do futebol potiguar durante quatro décadas, pode ser negociado e dar lugar a um condomínio residencial.
Localizado numa área nobre de Natal (bairro do Tirol), o JL sempre foi objeto de desejo de empresários e construtoras. Há cerca de dez dias, Nilson Gomes, presidente da Federação Norte-rio-grandense de Futebol, foi surpreendido por uma empresa paulista, que pretende investir no terreno de 11.834 m2.
Em troca, segundo o dirigente, a FNF receberia uma nova sede no Centro da cidade e um estádio na Zona Norte. Por enquanto, tudo não passa de uma proposta, mas que ganhou peso com a possibilidade de presentear os cerca de 400 mil habitantes da ZN de Natal com o seu primeiro estádio de futebol. "Realmente, fui procurado por um representante de uma empresa paulista, que pretende negociar o JL. Mas, ainda não tem nada certo", confirmou Nilson Gomes, que preferiu não divulgar o nome da suposta empresa interessada.
O presidente da FNF disse ainda que o JL foi doado pelo governador Juvenal Lamartine, que deu origem ao nome do "Campinho do Tirol". "Infelizmente, não temos nenhum documento que possa comprovar essa doação", completou Nilson. Como se trata de um bem público, o instituto do usucapião não pode ser utilizado pela federação, como entidade privada.

INAUGURAÇÃO: 12 de outubro de 1928, quando o JL abriu as portas pela primeira vez.
Em 2001, a Procuradoria do Estado ensaiou um movimento que pretendia pedir à federação a desocupação do imóvel, que segundo a escritura existente pertence ao governo estadual. Mas, não houve prosseguimento e o caso acabou sendo engavetado. José Rocha, presidente do Conselho Deliberativo do América, considera válida a proposta de se construir um estádio na Zona Norte. "Acho que é uma boa idéia. A cidade merece ter um outro campo, de menor porte que o Machadão. E nada mais justo de que seja construído na Zona Norte, que já tem uma população superior a 350 mil habitantes", declarou Rocha.

O empreendedor e diretor jurídico do ABC, José Wilson, também ver com bons olhos a "permuta" do Juvenal Lamartine. "Não há dúvida de que esta negociação seria benéfica. Naquele local não há mais condições de promover jogos oficiais de futebol. Não tem estacionamentos, incomoda a vizinhança, enfim. A possibilidade de negociar o terreno do estádio por um outro na zona norte, inclusive, já era para ter sido feita há mais tempo", declarou o advogado José Wilson.
Na condição de consultor imobiliário, José Wilson disse ainda que é necessário um estudo detalhado das condições do terreno para poder se chegar a um valor de venda. "Depende muito do Plano Diretor da cidade; da disponibilidade da área para edificação. Tem que se fazer um levantamento minucioso para se chegar ao valor real. É irresponsável a atitude de atribuir um valor ao imóvel sem haver um estudo detalhado antes", explicou. O custo da obra na época da inauguração foi de "74 contos de reis".

EVENTO - O JL foi palco de grandes espetáculos de futebol e abertura de jogos escolares
O Juvenal Lamartine serviu ao futebol potiguar até o início da década de 1970, quando foi inaugurado o Castelão (1972), depois, Machadão. Porém, durante algumas crises enfrentadas pelo estádio de Lagoa Nova, o "Campinho de Tirol" ressurgia como opção, assim como um jogador reserva. Pelo menos em três oportunidades, já na "Era Machadão", o JL reabriu suas portas para a disputa de jogos oficiais do Campeonato Estadual.
Com uma estrutura precária e deteriorada, o JL apenas resiste ao tempo. A infra-estrutura do estádio de hoje deixa a desejar. A falta de um estacionamento e as condições do campo e das arquibancadas são as principais barreiras. Hoje, o Juvenal Lamartine serve apenas como palco de jogos dos estaduais das categorias de base. Além de ser o endereço oficial da FNF há mais de duas décadas, o JL conta ainda com lojas comerciais, que servem como fonte de renda para a federação.