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Tribuna do Norte 07/09/2003 Everaldo Lopes/Repórter e Pesquisador

"Vim passar oito meses no ABC"

INSEPARÁVEIS O ponta esquerda carioca Morais, que chegou para defender o ABC na temporada de 1973, indicado por Danilo Menezes, aparece junto com o "gringo" no Vasco.

RADICADO Morais destaca Prudêncio como um grande dirigente.
Depois de uma peregrinação por vários clubes do Rio, São Paulo, Recife e Salvador, incluindo o Vasco da Gama, de ter como treinadores nomes famosos como Zezé Moreira, Duque, Gentil Cardoso, Rubens Minelli, Paulinho de Almeida e o fantástico Zizinho, o ponta esquerda Moraes resolveu vir conhecer melhor o Nordeste ao topar um contrato de oito meses com o ABC indicado pelo seu velho amigo Danilo Menezes. Aqui chegou num dia 13 do mês de março de 1973, completando poucos meses atrás nada menos de 30 anos de morada em Natal, por isso auto intitulando-se cidadão natalense, sem qualquer cidadania dada pela Câmara Municipal, mas por pura opção. Aqui chegou, aqui ficou, constituiu família ao casar com a natalense Maria de Fátima Araújo, daí nascendo três filhos - um deles, Norberto, formado em engenharia química, uma filha que hoje mora na Suíça e outro rapaz que está cursando educação física na UFRN. Moraes se confessa um homem feliz, mora em casa própria, é bem casado e sem nada a reclamar da vida. Curioso na vida desse risonho e receptivo Moraes é que ele chegou solteiro em Natal e em fevereiro de 2004 deve ser avô pela primeira vez, da filha casada que mora na Suíça.

TRIBUNA DO NORTE - Como surgiu no futebol carioca a dupla Danilo Menezes e Morais?
Moraes - Foi no distante 1966, o "gringo" tinha chegado um ano antes para defender o Vasco da Gama e, no ano seguinte era Morais que batia à porta do clube cruzmaltino, na época treinado por Zezé Moreira. Tendo a seu lado um jogador do quilate de Danilo não foi difícil ganhar a camisa 11 do Vasco da Gama. A dupla realizou boas partidas, fez alguns gols no Campeonato Carioca, e muitos amistosos.

TN - E a carreira no futebol começou como?
Moraes - Começou na várzea, já que a esse tempo não havia a estrutura de hoje nas categorias de base. Seu primeiro clube foi o Usina, da empresa de energia elétrica canadense, Ligth, quando estava com 22 anos. O primeiro clube realmente profissional foi a Desportiva de Guaratinguetá/SP, lá permanecendo por duas temporadas.

TN - E aí o Vasco?
Moraes - O Vasco marcou muito minha carreira, até porque a esse tempo não era o Vasco de hoje que perde mais do que ganha. Era um clube respeitável, forte, lá permaneci em 66/67, sendo depois cedido ao Sport Club do Recife, na época treinado por Rubens Minelli, e daí o Bonsucesso.

TN - O ABC, como apareceu na sua carreira de jogador?
Moraes - Devo a Danilo Menezes estar hoje aqui, pois foi ele quem me indicou ao ABC. Vim cumprir contrato até o final de 73 e aqui estou há 30 anos.

TN - Quando parou, não teve vontade de seguir a carreira de treinador, como fizeram e fazem colegas seus?
Moraes - Nunca me interessei, acho que tem muito de vocação. Já havia passado 10 anos praticamente sem folga nos domingos e feriados, achei que era hora de dar uma parada pra pensar. Como havia facilidade para compra de automóvel financiado a taxistas, entrei nessa e estou até agora.

TN - O que ficou de bom na rápida passagem pelo Vasco e Bonsucesso?
Moraes - No Vasco, o prestígio de jogar num grande clube, ser reconhecido pela grande torcida vascaína. No Bonsucesso, uma surpreendente vitória sobre o Flamengo por 2x0, no Campeonato Carioca de 68, derrota que tirou o título carioca do clube rubro-negro. Lembro do ataque do Bonsuça naquele jogo histórico: Almir (depois veio para o América de Natal), Gibira, Jorge Félix e Morais, treinados por Maurílio José, o Velha, também com passagem pelo América/RN.

TN - O ABC foi o seu último clube?
Moraes - Naquele tempo, jogador quando chegava aos 30 anos já era olhado com certa indiferença. Por isso, parei cedo, após dois anos no mais querido. Fui campeão em 73 e parei em 74, logo após um ABC x América. O time de 73, tetracampeão do RN era muito bom, eu me lembro: Erivan, Sabará, Edson, Telino e Anchieta, Maranhão, Danilo Menezes e Alberi, Libânio, Jorge Demolidor e Moraes. Era time de fazer tremer os adversários. Depois da excursão ao exterior, empatamos em 2x2 contra a Seleção Nacional da URSS. Ainda faziam parte do elenco, Veludo, Floriano, Soares, Petinha, Baltazar, Quelé, entre outros. O jogo do titulo foi 4x2, gols de Demolidor (2), Libânio e Moraes, Santa Cruz fazendo os dois do América, com 39.572 pagantes, arbitragem de Armando Marques. O treinador era o finado Danilo Alvim.

TN - Quem era craque nesse time?
Moraes - Só tinha "cobra criada", mas não há dúvida de que os maiores destaques era Maranhão, Danilo Menezes, Alberi, Demolidor e Libâ nio.

TN - E você?
Moraes - Eu, fazia meus golszinhos, aqui acolá, a torcida gostava de mim.

TN - Dos cartolas do ABC, qual ou quais lhe marcaram?
Moraes - Dois, especialmente: o presidente, Aluísio Bezerra, que foi quase um pai pra mim, e Prudêncio. Foram figuras inesquecíveis.

CLUBES ONDE JOGOU
Usina da Ligth e Desportiva de Guaratinguetá (SP), Atlético de Alagoinha (BA), Sport (PE), Tiradentes (PI), Bonsucesso e Vasco da Gama (RJ) e ABC(RN)


TREINADORES COM QUEM TRABALHOU
Ely do Amparo, Zizinho, Ademir Menezes, Duque, Maurílio José (Velha), Gentil Cardoso, Rubens Monelli, Paulinho de Almeida, Zezé Moreira, Danilo Alvim e Caiçara.