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RADICADO
Morais destaca Prudêncio como
um grande dirigente.
Depois
de uma peregrinação por
vários clubes do Rio, São
Paulo, Recife e Salvador,
incluindo o Vasco da Gama, de
ter como treinadores nomes
famosos como Zezé Moreira,
Duque, Gentil Cardoso, Rubens
Minelli, Paulinho de Almeida e
o fantástico Zizinho, o ponta
esquerda Moraes resolveu vir
conhecer melhor o Nordeste ao
topar um contrato de oito
meses com o ABC indicado pelo
seu velho amigo Danilo
Menezes. Aqui chegou num dia
13 do mês de março de 1973,
completando poucos meses
atrás nada menos de 30 anos
de morada em Natal, por isso
auto intitulando-se cidadão
natalense, sem qualquer
cidadania dada pela Câmara
Municipal, mas por pura
opção. Aqui chegou, aqui
ficou, constituiu família ao
casar com a natalense Maria de
Fátima Araújo, daí nascendo
três filhos - um deles,
Norberto, formado em
engenharia química, uma filha
que hoje mora na Suíça e
outro rapaz que está cursando
educação física na UFRN.
Moraes se confessa um homem
feliz, mora em casa própria,
é bem casado e sem nada a
reclamar da vida. Curioso na
vida desse risonho e receptivo
Moraes é que ele chegou
solteiro em Natal e em
fevereiro de 2004 deve ser
avô pela primeira vez, da
filha casada que mora na
Suíça.
TRIBUNA
DO NORTE - Como surgiu no
futebol carioca a dupla Danilo
Menezes e Morais?
Moraes - Foi no distante 1966,
o "gringo" tinha
chegado um ano antes para
defender o Vasco da Gama e, no
ano seguinte era Morais que
batia à porta do clube
cruzmaltino, na época
treinado por Zezé Moreira.
Tendo a seu lado um jogador do
quilate de Danilo não foi
difícil ganhar a camisa 11 do
Vasco da Gama. A dupla
realizou boas partidas, fez
alguns gols no Campeonato
Carioca, e muitos amistosos.
TN
- E a carreira no futebol
começou como?
Moraes - Começou na várzea,
já que a esse tempo não
havia a estrutura de hoje nas
categorias de base. Seu
primeiro clube foi o Usina, da
empresa de energia elétrica
canadense, Ligth, quando
estava com 22 anos. O primeiro
clube realmente profissional
foi a Desportiva de
Guaratinguetá/SP, lá
permanecendo por duas
temporadas.
TN
- E aí o Vasco?
Moraes - O Vasco marcou muito
minha carreira, até porque a
esse tempo não era o Vasco de
hoje que perde mais do que
ganha. Era um clube
respeitável, forte, lá
permaneci em 66/67, sendo
depois cedido ao Sport Club do
Recife, na época treinado por
Rubens Minelli, e daí o
Bonsucesso.
TN
- O ABC, como apareceu na sua
carreira de jogador?
Moraes - Devo a Danilo Menezes
estar hoje aqui, pois foi ele
quem me indicou ao ABC. Vim
cumprir contrato até o final
de 73 e aqui estou há 30
anos.
TN
- Quando parou, não teve
vontade de seguir a carreira
de treinador, como fizeram e
fazem colegas seus?
Moraes - Nunca me interessei,
acho que tem muito de
vocação. Já havia passado
10 anos praticamente sem folga
nos domingos e feriados, achei
que era hora de dar uma parada
pra pensar. Como havia
facilidade para compra de
automóvel financiado a
taxistas, entrei nessa e estou
até agora.
TN
- O que ficou de bom na
rápida passagem pelo Vasco e
Bonsucesso?
Moraes - No Vasco, o
prestígio de jogar num grande
clube, ser reconhecido pela
grande torcida vascaína. No
Bonsucesso, uma surpreendente
vitória sobre o Flamengo por
2x0, no Campeonato Carioca de
68, derrota que tirou o
título carioca do clube
rubro-negro. Lembro do ataque
do Bonsuça naquele jogo
histórico: Almir (depois veio
para o América de Natal),
Gibira, Jorge Félix e Morais,
treinados por Maurílio José,
o Velha, também com passagem
pelo América/RN.
TN
- O ABC foi o seu último
clube?
Moraes - Naquele tempo,
jogador quando chegava aos 30
anos já era olhado com certa
indiferença. Por isso, parei
cedo, após dois anos no mais
querido. Fui campeão em 73 e
parei em 74, logo após um ABC
x América. O time de 73,
tetracampeão do RN era muito
bom, eu me lembro: Erivan,
Sabará, Edson, Telino e
Anchieta, Maranhão, Danilo
Menezes e Alberi, Libânio,
Jorge Demolidor e Moraes. Era
time de fazer tremer os
adversários. Depois da
excursão ao exterior,
empatamos em 2x2 contra a
Seleção Nacional da URSS.
Ainda faziam parte do elenco,
Veludo, Floriano, Soares,
Petinha, Baltazar, Quelé,
entre outros. O jogo do titulo
foi 4x2, gols de Demolidor
(2), Libânio e Moraes, Santa
Cruz fazendo os dois do
América, com 39.572 pagantes,
arbitragem de Armando Marques.
O treinador era o finado
Danilo Alvim.
TN
- Quem era craque nesse time?
Moraes
- Só tinha "cobra
criada", mas não há
dúvida de que os maiores
destaques era Maranhão,
Danilo Menezes, Alberi,
Demolidor e Libâ nio.
TN
- E você?
Moraes - Eu, fazia meus
golszinhos, aqui acolá, a
torcida gostava de mim.
TN
- Dos cartolas do ABC, qual ou
quais lhe marcaram?
Moraes - Dois, especialmente:
o presidente, Aluísio
Bezerra, que foi quase um pai
pra mim, e Prudêncio. Foram
figuras inesquecíveis.
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