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Tribuna do Norte 17/03/02 Everaldo Lopes - Repórter e Pesquisador

ABC, 1972: punição sem fim

PUNIDO - O jogador Rildo, do ABC, não tinha condições de jogo

Numa atitude que os dirigentes da CBD consideraram uma insubordinação à Justiça Desportiva e às normas do Campeonato Nacional, ao incluir na partida contra o Botafogo/RJ os jogadores Nilson e Rildo, que haviam sido suspensos pelo Tribunal Especial, e ainda Marcilio, sem ganhar condição de jogo, o representante potiguar foi severamente punido pela Confederação, somente retornando às disputas em 1977.
Assim, da mesma maneira como o ABC detém o recorde de haver realizado a mais longa excursão de um clube brasileiro ao exterior (104 dias), alguns meses antes o Alvinegro se tornou também o primeiro filiado da CBD a ser penalizado com uma suspensão de dois anos. No espaço de um ano o ABC bateu um recorde positivo e outro, negativo. A punição surgiu após o representante potiguar no Campeonato Brasileiro haver ignorado a suspensão de dois atletas seus, além de agredir as normas da competição ao utilizar o meia Marcílio que nem regularizado estava. No gramado, uma exibição de gala do campeão potiguar, derrotando o Botafogo com todos os seus astros, por 2 x 1, mas antes mesmo da partida terminar já circulavam notícias de que o clube carioca protestaria tão logo chegasse ao Rio. O jogo aconteceu dia 26/11 e, no dia 30 saía a punição da CBD, com a TRIBUNA DO NORTE publicando, inclusive, o teor do acórdão do Tribunal.
A decisão da CBD teve opiniões contrárias e a favor, uns achando que houve rigor excessivo da entidade, que, pela primeira vez aplicava suspensão tão grande. A justificativa dos cartolas da Confederação era de que o ABC havia extrapolado ao escalar nada menos de três jogadores em situação irregular, dois deles suspensos pela Justiça Desportiva, e o terceiro (Marcilio) nem regularizado estava.
O ABC defendeu-se alegando que o representante da CBD na partida - João Machado, presidente da FND, havia autorizado a inclusão de Rildo e Nilson pelo fato de não haver recebido qualquer documento da Confederação sobre o resultado do julgamento. O ABC aproveitou a liberalidade de Machado e o fato de ser muito amigo do presidente João Havelange, lançando mão do estreante Marcílio. Nilson, justificou sua escalação, sendo a maior figura da partida ao lado de Alberi, porém Marcilio e Rildo tiveram atuação apenas discreta, segundo os comentários da imprensa potiguar.
Como não podia deixar de ser, a notícia da severa punição aplicada ao ABC gerou muita conversa de corredores e bastidores. Boataram que o ala Rildo, ex-Botafogo, tinha sido o primeiro a comunicar ao chefe da delegação carioca, que ia jogar de forma irregular.


Outros, insinuaram que o mesmo chefe teria combinado com o treinador Célio de Souza, já que o ABC não tinha mais chance e aquela seria a penúltima partida no Campeonato Nacional (ainda não era Brasileiro), que utilizasse os jogadores em situação irregular e, se perdessem os pontos, ficaria o mérito da vitória dos potiguares, no gramado. Na época, houve solidariedade em profusão, tendo o jornal "O Estado de S. Paulo" dado destaque com uma notícia em duas colunas, onde criticava o rigor e o ineditismo da punição. Na TN, o colunista Abmael Morais virava as baterias e sua notória verve e ironia em cima dos homens da CBD.

No gramado, grandes atuações de Nilson, Alberi, Petinha, Edson e Libânio, enquanto as atrações cariocas - tendo à frente o natalense Marinho Chagas acabaram sendo superadas pelos alvinegros do RN. Petinha e Alberi marcaram os gols do ABC, que formou com Tião, Sabará, Edson, Nilson e Rildo, Maranhão, Marcilio, Alberi e Orlando, Libânio e Petinha. O árbitro foi o baiano Saul Mendes. O Botafogo jogou com Cáo, Mauro Cruz, Osmar Guarnelli, Valtencir e Marinho Chagas, Carlos Roberto e Ney, Zequinha, Jair, Fischer e Ademir Patrício.