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Numa
atitude que os dirigentes da CBD
consideraram uma insubordinação à
Justiça Desportiva e às normas do
Campeonato Nacional, ao incluir na
partida contra o Botafogo/RJ os
jogadores Nilson e Rildo, que haviam
sido suspensos pelo Tribunal Especial,
e ainda Marcilio, sem ganhar
condição de jogo, o representante
potiguar foi severamente punido pela
Confederação, somente retornando às
disputas em 1977.
Assim, da mesma maneira como o ABC
detém o recorde de haver realizado a
mais longa excursão de um clube
brasileiro ao exterior (104 dias),
alguns meses antes o Alvinegro se
tornou também o primeiro filiado da
CBD a ser penalizado com uma
suspensão de dois anos. No espaço de
um ano o ABC bateu um recorde positivo
e outro, negativo. A punição surgiu
após o representante potiguar no
Campeonato Brasileiro haver ignorado a
suspensão de dois atletas seus, além
de agredir as normas da competição
ao utilizar o meia Marcílio que nem
regularizado estava. No gramado, uma
exibição de gala do campeão
potiguar, derrotando o Botafogo com
todos os seus astros, por 2 x 1, mas
antes mesmo da partida terminar já
circulavam notícias de que o clube
carioca protestaria tão logo chegasse
ao Rio. O jogo aconteceu dia 26/11 e,
no dia 30 saía a punição da CBD,
com a TRIBUNA DO NORTE publicando,
inclusive, o teor do acórdão do
Tribunal.
A decisão da CBD teve opiniões
contrárias e a favor, uns achando que
houve rigor excessivo da entidade,
que, pela primeira vez aplicava
suspensão tão grande. A
justificativa dos cartolas da
Confederação era de que o ABC havia
extrapolado ao escalar nada menos de
três jogadores em situação
irregular, dois deles suspensos pela
Justiça Desportiva, e o terceiro (Marcilio)
nem regularizado estava.
O ABC defendeu-se alegando que o
representante da CBD na partida -
João Machado, presidente da FND,
havia autorizado a inclusão de Rildo
e Nilson pelo fato de não haver
recebido qualquer documento da
Confederação sobre o resultado do
julgamento. O ABC aproveitou a
liberalidade de Machado e o fato de
ser muito amigo do presidente João
Havelange, lançando mão do estreante
Marcílio. Nilson, justificou sua
escalação, sendo a maior figura da
partida ao lado de Alberi, porém
Marcilio e Rildo tiveram atuação
apenas discreta, segundo os
comentários da imprensa potiguar.
Como não podia deixar de ser, a
notícia da severa punição aplicada
ao ABC gerou muita conversa de
corredores e bastidores. Boataram que
o ala Rildo, ex-Botafogo, tinha sido o
primeiro a comunicar ao chefe da
delegação carioca, que ia jogar de
forma irregular.
Outros,
insinuaram que o mesmo chefe teria
combinado com o treinador Célio de
Souza, já que o ABC não tinha mais
chance e aquela seria a penúltima
partida no Campeonato Nacional (ainda
não era Brasileiro), que utilizasse
os jogadores em situação irregular
e, se perdessem os pontos, ficaria o
mérito da vitória dos potiguares, no
gramado. Na época, houve
solidariedade em profusão, tendo o
jornal "O Estado de S.
Paulo" dado destaque com uma
notícia em duas colunas, onde
criticava o rigor e o ineditismo da
punição. Na TN, o colunista Abmael
Morais virava as baterias e sua
notória verve e ironia em cima dos
homens da CBD.
No
gramado, grandes atuações de Nilson,
Alberi, Petinha, Edson e Libânio,
enquanto as atrações cariocas -
tendo à frente o natalense Marinho
Chagas acabaram sendo superadas pelos
alvinegros do RN. Petinha e Alberi
marcaram os gols do ABC, que formou
com Tião, Sabará, Edson, Nilson e
Rildo, Maranhão, Marcilio, Alberi e
Orlando, Libânio e Petinha. O
árbitro foi o baiano Saul Mendes. O
Botafogo jogou com Cáo, Mauro Cruz,
Osmar Guarnelli, Valtencir e Marinho
Chagas, Carlos Roberto e Ney,
Zequinha, Jair, Fischer e Ademir
Patrício.
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