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O POTI - 29 junho de 2003. Fotos: Arquivo DIÁRIO DE NATAL

ABC completa 88 anos 

Alberi, o eterno camisa 10 da Frasqueira; craque pernambucano marcou época e foi considerado o jogador do século por torcedores de desportistas.

Nos momentos mais difíceis é que se conhece a grandeza de um clube, de uma torcida. E nos últimos anos, a Frasqueira tem dado uma demonstração de que continua a ser a maior torcida do Estado, uma das mais fiéis do Nordeste Brasileiro. O ABC completa 88 anos neste domingo, dia 29 de junho, com a certeza de que vai existir sempre. Festa e apoio numa fase negra que, certamente vai passar.
Nestes 88 anos de história o clube conquistou 47 títulos, alguns historiadores dizem que foi menos, não importa, o certo mesmo é que o alvinegro da Rua Potengi, de Morro Branco, de Ponta Negra, da Cidade Alta, da Ribeira, Rocas, Quintas, Cidade da Esperança, Alecrim e Zona Norte, enfim, de Natal e todo Estado, é um dos maiores colecionadores de títulos da história do futebol mundial.
O ABC fez a alegria da galera no estádio Juvenal Lamartine, no Machadão e até na Europa, Ásia e África, essa última honra só igualada a clubes como o Santos de Pelé, o Botafogo de Mané Garrincha, o Cruzeiro de Tostão e Dirceu Lopes, o Palmeiras de Ademir da Guia, o Internacional de Falcão, só para citar uns poucos inesquecíveis. Em 1973, vilipendiado pela então CBD (Confederação Brasileira de Desportos), suspenso do Campeonato Nacional por dois anos, excursionou pela Europa, Ásia e África, realizando a maior façanha internacional de clubes de Natal, do Nordeste e uma das maiores entre os brasileiros.
O clube que foi fundado em 1915, a partir do agrupamemto das iniciais dos países Argentina, Brasil e Chile que na época firmaram acordo comercial, o Tratado da Tríplice Aliança, assunto meramente político, que acabou se tranformando numa das maiores potências do esporte no Nordeste.
Na programação de festejos desta data memorável se inicia com uma salva de fogos às 5h, uma missa em ação de graças na igreja de Bom Jesus da Dores, no bairro da Ribeira, às 9h e depois o cortejo de ilustres, dirigentes e torcedores, segue para a Vila Olímpica onde vai acontecer festival de chope e batidas de frutas tropicais (temperado com a aguardente Pitú, oferecimento do empresário Airto Carvalho) música ao vivo e visitação às obras do estádio que leva o nome do bem maior do clube, a sua Frasqueira, Estádio Frasqueirão.
Não importa se o clube não ganhou títulos nos últimos três anos, se está às vésperas de disputar a terceira divisão do Campeonato Brasileiro. Tudo isso é passageiro, é momentâneo, eterno mesmo é o ABC, é a Frasqueira.

Os nomes - Jorge Tavares, rei da Frasqueira em outra época
Nos 88 anos de glórias, passaram pelo clube craques e dirigentes eternos. Na década de 50/60, auge do estadinho do Tirol, brilhou a estrela de Jorge Tavares(foto), o Jorginho, também conhecido como o ‘‘Pequeno Gigante.’’ Com seu pouco mais de 1 metro e meio de altura, o meiocampista era o terror das defesas. Ele brilhou também na seleção potiguar, conhecida como ‘‘Fantasma do Nordeste’’, que chegou a disputar o título nacional contra o Rio de Janeiro.

Alberi José Ferreira de Matos, bola de prata da revista Placar em 1972, foi outro grande nome do futebol no ABC. O ‘‘Negão 10’’, ainda hoje defendendo a equipe master do alvinegro, foi, sem sombra de dúvida, o maior estilista, artilheiro e fazedor de artilheiro da história. Várias vezes campeão pelo clube, o pernambucano de Recife iniciou a carreira no Santa Cruz e chegou a Natal em 1968, voltou a Recife para depois retornar em 1969, para ficar até hoje, felizmente, entre nós.

Danilo Menezes, o uruguaio potiguar que conquistou a Frasqueira e tem uma legião de fãs e amigos. Danilo fez parte de um dos times mais famosos da história do ABC, tendo inclusive feito uma grande campanha n Brasileiro de 1972
Danilo Menezes Nuñes (foto com a taça), uruguaio de nascimento a não sei quantos anos atrás, da cidade Rivera, veio para Natal em 1972 e daqui também nunca mais saiu. De todos os jogadores que passaram pelo clube é, talvez, o que mais se identifica com o clube. A Frasqueira tem um carinho especial por Danilo. Não só pelo grande meia que foi, titular da seleção uruguaia, do Nacional de Montevidéu e Vasco a Gama, mas, principalmente pelo seu caráter e facilidade de fazer e manter os amigos.
Marinho Chagas. Melhor lateral-esquerdo da Copa do Mundo de 1974, estrela de Botafogo, Fluminense, São Paulo e Cosmos de Nova Iorque, começou no ABC no ano de 1970. O galego das ‘‘Quatro Bocas’’ projetou o nome do clube para o resto do mundo e ainda hoje merece todo respeito e carinho dos torcedores do clube e de todas as torcidas do RN.
Entre os dirigentes, o alvinegro vai ter uma dívida eterna com figuras como José Prudêncio Sobrinho (foto
alto), José Nilson de Sá, Ernani Alves da Silveira, Aluísio Bezerra, Bira Rocha, Leonardo Arruda Câmara, Alberto Amorin, Vicente Farache, Amaro Marinho, Severo Câmara e o presidente de hoje, Judas Tadeu, que conta com o apoio de novos nomes, tais como Ricardo Rocha e outros.
Homenagem especial também nestes 88 anos à torcida do ABC, as facções organizadas (todas) ou o torcedor comum. Eles vão ser, sempre, o maior bem. O jogador, dirigente, técnico, sede, terreno, tudo passa, o clube um dia pode perder, mas a torcida, essa nunca deixará de lotar as arquibancadas de estádios onde o ABC jogar. Em breve, no seu próprio estádio Frasqueirão.

TÍTULOS: Todos os estaduais do mais querido 
1918 - Suspenso por conta da "Influenza Espanhola"
BI(1920, 1921),1923, BI(1925,1926), BI(1928, 1929), (1944, 1945), DECA(1932, 1933, 1934, 1935, 1936, 1937, 938, 1939, 1940, 1941), 1947, 1950, TRI(1953, 1954, 1955), PENTA(1958, 1959, 1960, 1961, 1962), BI(1965, 1966), TETRA(1970, 1971, 1972, 1973), 1976, 1978, BI(1983, 1984), 1990, TRI(1993, 1994, 1995), TETRA(1997, 1998, 1999 e 2000).

Artilheiros: De 1937 a 2001


Marinho Chagas, o internacional

Ano Artilheiro Gols Ano Artilheiro Gols

1937

Hermes 11 1970 Petinha 14
1938 Xixico 09 1971 Alberi 16
1939 Xixico 07 1972 Alberi 10
1940 Albano 13 1973  Demolidor 09
1941 Hermes 09 1975 Edvaldo 14
1942 Hermes 10 1976 Reinaldo 19
1944 Tico 13 1983 Silva 32
1945 Tico 11 1984 Marinho 19
1950 Paraíba 16 1989 Zinho 13
1954 Oliveira 16 1993 Cláudio José 23
1955 Macau 12 1994 Renilson 23
1958 Delgado 14 1996 Claudinho 20
1959 Cocó 13 1997 Claudinho 20
1960 Cocó 14 1998 Sérgio Alves 10
1961 Wallace 13 1999 Sérgio Alves 18
1964 Burunga 12 2000 Leonardo 26
1965 Dão 13 2001 Sérgio Alves 20
1966 Dão 18 - - -