|
COMEÇO - Belo
orgulha-se de
ser um dos
primeiros a
liderar a
torcida.
No
começo dos anos
60 e grande
parte de 70,
nenhum torcedor
do ABC fez tanto
pelo clube do
que o barbeiro
Antônio Belo.
Não é à toa que
ele ainda
carrega entre
seus pertences
pessoais uma
carteira onde
aparece como
torcedor número
um do ABC FC. A
credencial foi
dada pelas
rádios Cabugi,
Poti e Nordeste,
que organizaram
um concurso para
escolher qual o
maior torcedor
do futebol
natalense. Belo
foi eleito com
grande votação,
fazendo justiça
aquele que
tirava até o
último centavo
do bolso para
ajudar o
Alvinegro. Mas,
Antônio Belo que
havia um grupo
de companheiros
da torcida ab
ecedista (que
ainda não tinha
nome), tais como
o irreverente
Adiel de Lima, e
os irmãos João
Alfredo, Antônio
e Carlos Lima.
Na verdade, os
cabeças de tudo
eram ele e Adiel,
uma verdadeira
tropa de choque,
a dupla que
levava e dava
porrada nos
adversários.
Belo era do tipo
"pavio curto",
Adiel era o
inverso, adotava
uma política na
base da gozação,
com isso
irritando
alecrinenses e
americanos.
Belo não se
arrepende do que
fez, porém acha
que gastou muito
mais do que
podia, achando
até que, se não
possui hoje um
bom patrimônio é
porque gastava
com o ABC.
"Cheguei a cair
na mão dos
agiotas somente
para ajudar meu
clube", frisa
Belo. Completa,
dizendo que, na
administração de
José Prudêncio
como vice de
futebol do
Alvinegro, raro
o dia em que não
era procurado
para completar
algum pagamento,
dar alguma
ajuda. Belo
tinha uma
concorrida
barbearia no
centro da
cidade, todo
mundo sabia onde
encontrá-lo, não
podendo nem se
esconder",
salienta.
Belo foi o
torcedor que
pela primeira
vez chegou ao
estádio com uma
bandeira
gigante, que
consumiu 20
peças de
tecidos, com 80
metros de
comprimento, uma
coisa de louco,
tanto que eram
necessárias pelo
menos quatro
pessoas para
carregá-la. Belo
relembra algumas
das muitas
confusões em que
se meteu, tudo
na defesa do seu
clube do
coração. Na
decisão de um
campeonato ainda
no tempo do
estádio Juvenal
Lamartine, o
jogador
Esquerdinha -
que era um
craque, na
partida decisiva
diante do
América perdeu
gols incríveis.
Depois, foi
confirmada a
notícia de que
tinha sido
comprado por um
americano. "Dias
depois desse
lamentável
ocorrido, cruzei
na rua com o tal
Esquerdinha e,
ainda de cabeça
quente, olhei
pra ele e disse:
"prepare-se que
vou lhe dar umas
porradas,
canalha, mas ele
correu e um
amigo tomou a
minha frente".
Belo cita outras
confusões por
não tolerar que
torcedor do
América ficasse
gozando os
abecedistas,
ressalta. Na era
Juvenal
Lamartine e
depois no
Machadão, aponta
como os melhores
jogadores que o
ABC teve,
Jorginho,
Ribamar,
Anchieta, Mauro,
Cocó, Erivan,
Noé Soares,
Edmilson,
Saquinho, Alberi
- para ele o
melhor atleta e
o mais elegante
no modo de jogar
que ele já viu,
Marinho Chagas,
Danilo Menezes,
Edson, Maranhão,
Reinaldo e
Odilon. Nos dias
atuais, nas
poucas vezes em
que viu o ABC
jogar, cita
Sérgio Alves e
Robgol (Robson)
como jogadores à
altura do
prestígio do
clube.
Belo diz que as
torcidas de hoje
não "amarram a
chuteira" das
mais antigas,
onde o torcedor
tirava até a
roupa do corpo
para ajudar o
clube. Hoje, a
moçada tem vida
boa, muito mal
compra seu
ingresso. Como
grandes
dirigentes do
passado, elogia
Ernani Silveira,
José Prudêncio,
Bira Rocha,
Firmino Moura e
Alberto Amorim.
Indagado de seu
afastamento dos
estádios após
tantos anos de
dedicação ao
clube, Belo diz
que cansou. E
alisou ... |