Tribuna do Norte
30/03/2003
Everaldo Lopes
Reporte

 

ÍNDICE

 
 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Lider da "Frasqueira" sai de cena 

 

COMEÇO - Belo orgulha-se de ser um dos primeiros a liderar a torcida.
No começo dos anos 60 e grande parte de 70, nenhum torcedor do ABC fez tanto pelo clube do que o barbeiro Antônio Belo. Não é à toa que ele ainda carrega entre seus pertences pessoais uma carteira onde aparece como torcedor número um do ABC FC. A credencial foi dada pelas rádios Cabugi, Poti e Nordeste, que organizaram um concurso para escolher qual o maior torcedor do futebol natalense. Belo foi eleito com grande votação, fazendo justiça aquele que tirava até o último centavo do bolso para ajudar o Alvinegro. Mas, Antônio Belo que havia um grupo de companheiros da torcida ab ecedista (que ainda não tinha nome), tais como o irreverente Adiel de Lima, e os irmãos João Alfredo, Antônio e Carlos Lima. Na verdade, os cabeças de tudo eram ele e Adiel, uma verdadeira tropa de choque, a dupla que levava e dava porrada nos adversários. Belo era do tipo "pavio curto", Adiel era o inverso, adotava uma política na base da gozação, com isso irritando alecrinenses e americanos. 
Belo não se arrepende do que fez, porém acha que gastou muito mais do que podia, achando até que, se não possui hoje um bom patrimônio é porque gastava com o ABC. "Cheguei a cair na mão dos agiotas somente para ajudar meu clube", frisa Belo. Completa, dizendo que, na administração de José Prudêncio como vice de futebol do Alvinegro, raro o dia em que não era procurado para completar algum pagamento, dar alguma ajuda. Belo tinha uma concorrida barbearia no centro da cidade, todo mundo sabia onde encontrá-lo, não podendo nem se esconder", salienta. 
Belo foi o torcedor que pela primeira vez chegou ao estádio com uma bandeira gigante, que consumiu 20 peças de tecidos, com 80 metros de comprimento, uma coisa de louco, tanto que eram necessárias pelo menos quatro pessoas para carregá-la. Belo relembra algumas das muitas confusões em que se meteu, tudo na defesa do seu clube do coração. Na decisão de um campeonato ainda no tempo do estádio Juvenal Lamartine, o jogador Esquerdinha - que era um craque, na partida decisiva diante do América perdeu gols incríveis. Depois, foi confirmada a notícia de que tinha sido comprado por um americano. "Dias depois desse lamentável ocorrido, cruzei na rua com o tal Esquerdinha e, ainda de cabeça quente, olhei pra ele e disse: "prepare-se que vou lhe dar umas porradas, canalha, mas ele correu e um amigo tomou a minha frente". Belo cita outras confusões por não tolerar que torcedor do América ficasse gozando os abecedistas, ressalta. Na era Juvenal Lamartine e depois no Machadão, aponta como os melhores jogadores que o ABC teve, Jorginho, Ribamar, Anchieta, Mauro, Cocó, Erivan, Noé Soares, Edmilson, Saquinho, Alberi - para ele o melhor atleta e o mais elegante no modo de jogar que ele já viu, Marinho Chagas, Danilo Menezes, Edson, Maranhão, Reinaldo e Odilon. Nos dias atuais, nas poucas vezes em que viu o ABC jogar, cita Sérgio Alves e Robgol (Robson) como jogadores à altura do prestígio do clube. 
Belo diz que as torcidas de hoje não "amarram a chuteira" das mais antigas, onde o torcedor tirava até a roupa do corpo para ajudar o clube. Hoje, a moçada tem vida boa, muito mal compra seu ingresso. Como grandes dirigentes do passado, elogia Ernani Silveira, José Prudêncio, Bira Rocha, Firmino Moura e Alberto Amorim. Indagado de seu afastamento dos estádios após tantos anos de dedicação ao clube, Belo diz que cansou. E alisou ...