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OBRAS - Parte
da estrutura das
arquibancadas do
estádio já foi
concluída pela
construtora.
O
sonho de ter o
próprio estádio
é comum a
qualquer clube
de futebol. As
altas taxas
cobradas nos
aluguéis dos
estádios
públicos "tira o
sono" de
qualquer
dirigente
brasileiro. Em
Natal, o ABC
saiu na frente e
já está
transformando em
realidade o
sonho do "Frasqueirão".
Mas, a diretoria
alvinegra não
tem 100% de
apoio. Há quem
seja contra a
construção do
estádio. E não é
gente do rival
América, mas do
próprio ABC. É o
caso do
administrador e
funcionário do
Banco do Brasil,
Heriberto Gadê
de Vasconcelos.
Com a ajuda da
matemática
financeira e
baseado em
números
hipotéticos, mas
consistentes, o
torcedor
alvinegro,
Pós-graduado em
Gestão
Empresarial pela
Fundação Getúlio
Vargas - FGV,
Administração
Geral e Gestão
Pública pela
Universidade de
São Paulo - USP,
chegou a
conclusão de que
a construção de
um estádio não
amenizaria as
despesas do
clube.
Um relatório -
"Ter ou não ter
um estádio...
Eis a questão" -
de cinco páginas
detalha seus
argumentos
contrários a
construção do
estádio. As
primeiras
considerações
levam em conta a
localização, a
acomodação e o
tipo de
competição (no
caso do
relatório, a
Série C do
Campeonato
Brasileiro).
"O ABC deverá
trabalhar com
ingressos mais
em conta, pois o
estádio não é
tão central
quanto o
Machadão e,
certamente, as
acomodações do
estádio do ABC
não serão mais
adequadas que as
do Machadão,
apesar de
poderem ser mais
limpas", diz o
texto do
relatório. E
mais: "nem todos
os adversário
vão querer jogar
no estádio do
ABC, reduzindo
sua utilização
apenas para os
jogos que tiver
o mando de
campo".
Heriberto relata
que "apesar do
‘Frasqueirão’
está sendo
projetado para
receber um
público inicial
de 9 mil
pagantes, não
poderia
considerar que o
estádio estaria
lotado em todos
os jogos do
ano". Para
reforçar os
cálculos, ele
considerou ainda
que as rendas
obedeceriam a
seguinte lógica:
"a) lotação de
50% do estádio
em todos os
jogos do ano; b)
as receitas
decorrente de
quatro jogos
mensais; c) uma
temporada de dez
meses,
excluindo-se o
mês de férias e
o de
pré-temporada.
Ressalte-se que
nos últimos anos
o ABC não tem
jogado nem
quatro jogos por
mês, nem mesmo
dez meses por
ano. Assim
considero que a
receita está um
tanto
superestimada".
Ainda foram
consideradas
para a base de
cálculos as
rendas
provenientes da
isenção da taxa
de utilização do
campo (2,5%) e
do aluguel de
dez lojas no
valor de R$
500,00 mensais.
Outra fonte de
renda para a
base de cálculos
exibida no
relatório seria
com aluguel do
estádio para
eventos e shows.
Mesmo
reconhecendo a
simplificação
dos dados
apurados,
Heriberto
conclui o seu
relatório
dizendo que "o
estádio do ABC
não é um bom
negócio.
Gostaria de
conhecer
experiências
superavitárias
com estádios de
futebol.
Gostaria ainda
de conhecer
casos de clubes
que lucram com
os seus
estádios".
Ele sugere ainda
que os recursos
recebidos no
negócio com a
Ecocil poderiam
ser aplicados no
mercado
financeiro
(poupança,
sugerida no
relatório) ou
revertidos para
um possível
arrendamento do
Machadão.
"Depois de
construído, o
estádio não
agregará nenhum
centavo ao
terreno do ABC.
Para se ter uma
idéia basta
verificar que o
histórico
estádio de
Wembley foi
derrubado para a
construção de um
estacionamento",
finalizou.
Frasqueirão:
"Arena Multiuso"
-
A escolha do
Brasil como
forte candidato
à sediar a Copa
do Mundo de
2014, a
aprovação do
Código do
Torcedor e da
Medida
Provisória pela
moralização do
futebol
brasileiro, na
Câmara Federal,
são temas
recentes que
trouxe à tona
uma nova
discussão sobre
a estrutura dos
estádios
brasileiros. A
grande maioria
"grita" por
socorro. Exceção
feita uma
minoria, casos
do Maracanã ou
Mangueirão, que
sofreram uma
pequena
"cirurgia".
Apesar do
esforço da
Secretaria de
Esporte e Lazer
- SEL, o
Machadão, em
Natal, ainda se
recente de uma
reforma geral.
De acordo com
alguns
especialistas,
dezenas de
milhões de reais
são necessários
para revitalizar
o estádio
Municipal, que
tem recebido
severas críticas
dos dirigentes
pelas altas
taxas cobradas
com o aluguel do
campo. O
dinheiro
arrecadado
durante os jogos
é o que ainda
mantém os
estádios
públicos
"vivos". Para se
livrar dos
freqüentes
prejuízos
sentidos nas
rendas, o ABC
permutou parte
do terreno da
Vila Olímpica
com o objetivo
de construir o
seu estádio. O "Frasqueirão",
nome escolhido
para o novo
estádio em
homenagem a
torcida
alvinegra, nasce
com a pompa de
"Arena Multiuso"
- expressão que
vem sendo muito
utilizada para
definir os
modernos
estádios de
futebol no
Brasil.
A "Arena da
Baixada",
estádio do
Atlético
Paranaense, é o
melhor exemplo
deste tipo de
estádio, hoje,
no País. Lá, o
torcedor não só
tem toda a
comodidade para
assistir aos
jogos do seu
time, como
também pode
fazer compras
nas lojas do
Shopping da
Baixada ou
escolher uma das
38 lanchonetes
construídas no
subsolo do
estádio para
saborear um
delicioso "sanduiche".
O projeto "Frasqueirão"
- estádio com
capacidade
inicial para 9
mil torcedores,
que deverá ser
entregue em
meados de 2004 -
já saiu do
papel. Os
torcedores
alvinegros
"estufam o
peito" e se
enchem de
orgulho, quando,
ao passar pela
Rota do Sol
(Ponta Negra),
observam boa
parte do
primeiro módulo
com "jeitão" de
arquibancada.
Parceria -
Mesmo longe
de ser
considerado uma
"Arena da
Baixada", o "Frasqueirão"
conta com um
mínimo de
estrutura se
comparado aos
padrões exigidos
pela FIFA para
estádios
modernos. O
estádio do ABC
nasceu de uma
parceria entre o
clube e a
construtora
Ecocil, que
permutou parte
do terreno da
Vila Olímpica
para construir
prédios
residenciais.
Com um estádio
próprio a
diretoria do ABC
espera minimizar
as despesas como
as taxas de
campo cobradas
pelo aluguel do
Machadão -
mínimo de mil
reais, de acordo
com a Federação
Norte-rio-grandense
de Futebol e a
Secretaria de
Esporte e Lazer,
responsável pela
administração do
estádio. "As
taxas cobradas
no Machadão
inviabiliza a
arrecadação dos
clubes, que
precisam do
dinheiro apurado
com as rendas
para
sobreviver",
alegou Judas
Tadeu,
presidente do
ABC. As rendas
ainda são a
principal fonte
de receita dos
clubes no Rio
Grande do Norte.
As obras dos
módulos (1 e 2),
que serão
financiadas e
construídos pela
Ecocil, foram
avaliadas em 4
milhões e 700
mil reais.
Área
construída terá
25.000 m2 e um
total de 24 mil
lugares - O
novo estádio do
ABC vai ocupar
uma área de
25.000 m2 de um
total de 110.000
m2 da Vila
Olímpica e foi
projetado para
receber, no
máximo, 24 mil
torcedores. É
bom lembrar que
a FIFA exige uma
capacidade
mínima de 30 mil
torcedores para
jogos da Copa do
Mundo, enquanto
a CBF é menos
exigente: 15
mil. O projeto
foi dividido em
quatro setores.
Além do estádio,
um
estacionamento
(25.000 m2), uma
área comercial
(14.500 m2) e o
clube (45.500
m2).
De acordo com a
comissão que
acompanha as
obras do "Frasqueirão",
o estádio será
erguido em
quatro módulos.
O primeiro
módulo de
arquibancada
terá capacidade
para acomodar
4.450 torcedores
e fica do lado
da pista (Rota
do Sol). O
segundo módulo,
com capacidade
para 4.448
espectadores,
ficará,
justamente, do
lado oposto,
onde
provavelmente se
concentrará a
"Frasqueira". Os
módulos 3 (2.468
torcedores) e 4
(2.468 pessoas)
serão
construídos com
recursos do
próprio ABC, que
também será o
responsável
pelas obras do
campo de jogo e
da iluminação do
estádio. A
receita para
construir o
campo e colocar
as luminárias
sairão das
campanhas que a
diretoria do ABC
fará com os
torcedores e
conselheiros. A
venda das
cadeiras cativas
é a primeira
delas e deve
estar nas ruas,
segundo informou
Judas Tadeu, nos
próximos dias,
depois da
chegada da
maquete do
estádio, que
está sendo
confeccionada em
Recife. A
imobiliária
Abreu Imóveis,
que firmou uma
parceria com o
clube, será
responsável em
comercializar as
cadeiras.
Situação dos
estádios é
preocupante
- Com a
regulamentação
do Código do
Torcedor, os
estádios
voltaram aos
centros das
atenções no
Brasil. O quadro
geral é
preocupante. A
situação dos
estádios em todo
o país é a cópia
fiel do futebol
brasileiro, que
já sonha com a
possibilidade de
voltar a sediar
uma Copa do
Mundo (2014). O
conforto da
grande maioria
dos estádios
brasileiros é
mínimo. Em
geral, o que se
vê são estádios
onde a torcida
se senta no
cimento, debaixo
do sol e da
chuva, tem
poucos banheiros
e telefones
públicos à
disposição e não
possui uma boa
estrutura de
bares e
lanchonetes. Em
muitos casos, as
administrações
dos estádios
sequer são
capazes de
fornecer
informações
básicas, como o
nível de
iluminação
noturna (a do
Machadão está
cada vez pior).
A esperança da
maioria do povo
brasileiro, que
curte o futebol,
é de poder, um
dia, ser
respeitado a
ponto de ter o
mínimo de
decência quando
pagar por um
ingresso para
assistir a uma
partida do seu
time de coração.
Como Eduardo
Rocha,
integrante da
comissão de
futebol do
América, costuma
dizer,
"infelizmente, o
futebol
brasileiro ainda
é dirigido e
cercado pelo
amadorismo".
Neste início de
século 21 a
consciência
política parece
ter evoluído e o
torcedor já pode
contar com duas
armas
importantes no
combate aos
abusos
praticados pela
maioria dos
dirigentes de
futebol e ao
desconforto nos
estádios: o
Código do
Torcedor e o
relatório de
"Recomendações
técnicas e
exigências para
a construção e
modernização de
estádios de
futebol",
elaborado pela
FIFA em 1995. |