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Tribuna do Norte
18/03/2003

ABC desativa futebol profissional  

CRISE - Presidente Judas Tadeu disse que não tem o que fazer
Fora da final do Campeonato Estadual, da Copa do Brasil e sem perspectivas de voltar a participar de competições antes de agosto, para quando está previsto o início da série C do Campeonato Brasileiro, qual vai ser o futuro do ABC? A pergunta passou a ecoar tão logo terminou a partida contra o São Gonçalo, domingo, no estádio Luiz Rios Bacurau e só quem pode respondê-la é o presidente Judas Tadeu Gurgel. 
A essa altura o dirigente apenas torce para que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) antecipe a realização da série C, uma competição cuja organização é considerada difícil, devido ao baixo poder aquisitivo de seus participantes e a falta de patrocinadores interessados em bancar a disputa. 
As declarações do treinador Didi Duarte dadas durante a semana salientando que, no confronto contra o São Gonçalo estaria em jogo muito mais que uma vaga na final do segundo turno, antecipando para o grupo o "fantasma" do desemprego, deixou patente a ameaça de desativação temporária do departamento de futebol profissional abecedista. 
Na sexta-feira passada, consultado sobre a possibilidade, Judas Tadeu preferia acreditar no sucesso do ABC contra o São Gonçalo, mas agora, obrigado a conviver com a triste realidade, Tadeu disse que não pretende tomar nenhuma atitude sem antes ouvir os demais membros da diretoria alvinegra. 
Uma medida que está sendo avaliada para diminuir o impacto do prejuízo, é a dispensa de todos os jogadores com passe alugados ao clube, o que facilitaria essa ação é que a maior parte deles assinaram vínculo de três meses com e o prazo desses contratos estão para expirar. "Neste período só os jogadores formados nas bases vão continuar no clube", disse o vice-presidente jurídico do ABC, José Wilson Gomes Neto. Judas Tadeu salientou que não possui maiores alternativas, uma vez que o ABC acumula uma dívida de R$ 700 mil, ficará até agosto sem ter como arrecadar e para complicar ainda mais a situação, o contrato com a fabricante de relógios Q & Q prevê a suspensão do repasse dos R$ 13 mil, no período em que a equipe estiver fora das competições. "A situação é muito difícil, mas outros clubes já passaram por situação semelhante e conseguiram se recuperar. É só lembrar do Fortaleza que há três anos estava praticamente quebrado, mas foi assumido por um grupo de torcedores e hoje está na divisão de elite do futebol nacional", lembra o dirigente. 
O futuro do técnico Didi Duarte será definido tão logo saia algum pronunciamento da CBF em relação a série C. Tadeu continua achando o treinador como o mais preparado para desenvolver o trabalho com bases no ABC, mas reconhece que implantar uma filosofia dessa num clube de massa é muito difícil, devido a cobrança da torcida e da opinião pública. 
Na agenda de negociação do gerente de futebol, César Etchevery constam os nomes de do goleiro Carlão, Júnior, Izaquiel, Romildo, Mota, Igor, Jânio, Wendell, Júnior Bahia, Jozicley, Pantera, Joãozinho e Renato Peixe. Quem pertence ao clube e ainda tem idade para atuar pelo time Júnior, será reaproveitado na categoria, casos do goleiro Carlos, Leonardo, Fabiano, Marconi, Geilson, Alessandro, Bruno, Camilo, Giuliano e Isac.