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Tribuna do Norte
13/11/2002

Alvinegros dão adeus a Prudêncio

Ex-dirigente abecedista faleceu ontem vítima de infarto. O corpo está sendo velado no centro de velório Morada da Paz e o enterro será realizado às 10h40 no cemitério Parque de Nova Descoberta. O dirigente faz parte da história do ABC.

HOMENAGEM
Recentemente Prudêncio recebeu homenagem do presidente abecedista Judas Tadeu
O ex-diretor de futebol do ABC, José Prudêncio Sobrinho, 79 anos, faleceu ontem vítima de ataque cardíaco. A perda daquele que escreveu seu nome na história do clube pegou todos os dirigentes de surpresa e foi muito lamentada pelo atual mandatário do clube, Judas Tadeu Gurgel, para quem a morte de Prudêncio abre uma lacuna irreparável para o futebol potiguar. O dirigente ressaltou que "se o ABC é o que se vê hoje, é por causa do trabalho de pessoas abnegadas como José Prudêncio, que fez do clube uma espécie de família e não mediu esforços para manter a tradição alvinegra."
O corpo do ex-dirigente abecedista está sendo velado no Centro de Velório Morada da Paz, de onde seguirá para o cemitério Parque de Nova Descoberta, para ser enterrado às 10h40. Prudêncio faleceu por volta das 14 horas. Logo após o almoço ele sentiu-se mal e, mesmo socorrido com rapidez, não resistiu ao infarto dando entrada no pronto de socorro do Hospital Clóvis Sarinho sem vida.
O sentimento de perda que o falecimento causou à família abecedista pode ser resumida na declaração do também ex-presidente do clube e atual responsável pelo departamento jurídico da agremiação, José Wilson Gomes Neto: "Trata-se de uma perda grande para o esporte de um modo geral. Além de ser a pessoa que mais representou o futebol do Rio Grande do Norte, Prudêncio foi um baluarte do ABC. Todos que passarem pela presidência do clube terão de reverenciar a figura dele."

Leonardo Arruda, que também dirigiu o ABC, lamenta duplamente o desaparecimento. "Tenho muito a lamentar, minha amizade com José Prudêncio rompia as fronteiras do clube, pois vinha de gerações. Ele foi muito amigo do meu pai Lauro Arruda e posso dizer que perdi um grande amigo também", disse Leonardo, ressaltando que Prudêncio escreveu vários capítulos da história do ABC, seja como atleta, dirigente e, até, como torcedor. 
Fernando Suassuna, responsável pelo projeto ABC Escola, recorda que além de comandar o departamento de futebol do clube, o "velho Pruda" foi uma espécie de faz tudo dentro do Alvinegro. "Ele chegou até a ocupar o lugar de técnico na equipe. Assim como Judas Tadeu é atualmente, Prudêncio era muito amigo dos jogadores e dos membros da comissão técnica", recorda Suassuna.

HISTÓRIA — Dos quase 80 anos vividos por Prudêncio, pelo menos 30 foram dedicados ao ABC, a partir do distante 1951, quando chegou da ilha de Fernando de Noronha (onde serviu ao Exército durante a 2a. Guerra Mundial) para ser goleiro do Alvinegro, "Pruda" foi diretor de futebol durante anos seguidos, treinador interino em dezenas de oportunidades, sendo o substituto natural sempre quando ocorria qualquer dispensa do titular. Conhecido pelo amor que devotava a seu clube do coração, Prudêncio era um verdadeiro xodó da torcida, que o adorava, quer pela sorte que dava quando atuava como treinador interino, quer pela maneira simples de se expressar, falando a linguagem da "frasqueira".

Na era Machadão, ficou também conhecido pelo chapéu preto que passou a usar, segundo dizia, porque dava sorte. Foi o diretor de futebol na longa excursão do clube ao exterior, passando 105 dias longe da família e do seu estabelecimento comercial (Posto Prudêncio, negociando com baterias), ao lado de jogadores famosos, como Danilo Menezes, Jorge Demolidor, Morais, Libânio, Edson, Anchieta, do treinador Danilo Alvim, ex-Seleção Brasileira no Mundial de 50). "Pruda", como era chamado na intimidade pelos jogadores e torcedores, fez amizade com os integrantes do elenco, era tido como um pai e conselheiro, chegando ao ponto de ajudá-los financeiramente, comprometendo suas finanças.
Nas crises do ABC, ajudava na folha, vendia bateria aos jogadores que possuíam automóvel, nada cobrando ou "deixando no pendura". Entre 1958 e 63, foi goleiro de futsal do ABC, chegando a sagrar-se campeão salonista, mesmo já passando dos 30 anos. Já cansado e com sua firma abalada por dívidas, deixou o clube, mas sem nunca se afastar definitivamente do futebol, quer freqüentando o Machadão, ou comparecendo às reuniões mais importantes. Dia 21 de outubro, viu o último jogo do ABC, quando goleou o CSA por 4 x 1.

"Se o ABC é o que se vê hoje, é por causa do trabalho de pessoas abnegadas como José Prudêncio". Judas Tadeu , Presidente do ABC.

"Todos que passaram pela presidência do clube terão de reverenciar a figura dele". 
José Wilson, ex-presidente do ABC.

"Tenho muito a lamentar, minha amizade com Prudêncio rompia as fronteiras do clube, pois vinha de gerações". Leonardo Arruda, ex-presidente do ABC.