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Tribuna do Norte
19/09/2002
Everaldo Lopes Repórter e pesquisador

Vicente Farache: O centenário do guardião eterno das cores do ABC

HOMENAGEM - Vicente Farache dá nome à Vila Olímpica do ABC.
Nos "400 Nomes de Natal", livro que registra quatrocentas figuras que fizeram a história da capital potiguar e que a Prefeitura de Natal em boa hora providenciou nos festejos do 4o. centenário da cidade, consta o nome de Vicente Farache Neto, nascido a 19 de outubro de 1902.
Se vivo fosse, estaria completando nesta data um século de existência. Mas, o advogado, ex-juiz municipal e adjunto de promotor público, Vicente Farache Neto faleceu em 1967, aos 65 anos, dia 16 de agosto. "Doutor Farache", como assim era tratado pelos amigos, jogadores e torcedores, nasceu nesta capital, depois que seu pai, José Farache, resolveu deixar a Paraíba e vir morar na província natalense.

Isso em 1898. Quatro anos depois nascia Vicente e, sucessivamente, os irmãos Carlos, Antônio (Tonho Farache, também muito ligado ao futebol alvinegro), Ernani e Adalberto. Vicente casou-se com a chilena Maria Lamas Farache, logo se tornando torcedora do ABC e guardiã das coisas do Alvinegro.
O casal Vicente/Maria Lamas não tinha filho, viu a oportunidade chegar quando d. Maria passava dos 40 anos e, a despeito dos conselhos médicos de que haveria risco no parto devido a idade, resolveu enfrentar, e foi infeliz, falecendo por ocasião do trabalho parto.

No começo dos anos 50 o ABC construiu um pequeno estádio entre as ruas Seridó e Potengi, em Petrópolis, terreno conseguido justamente com o esforço de Farache, denominando-o estádio Maria Lamas Farache. Abalado com a morte da esposa, dr. Farache afastou-se do clube, depois de quase 20 anos sendo uma espécie de dirigente faz tudo, de diretor de futebol a treinador ao mesmo tempo, secretário e diretor técnico da Liga Norte-rio-grandense de Desportos, presidente do Conselho Regional de Desportos de 61 a 66, treinador de algumas seleções de futebol do RN. Sua paixão pelo ABC chegava ao extremo de acumular inimizades, principalmente entre os americanos. Seu grande rival durante anos foi Humberto Nesi, com quem travou discussões memoráveis. Já aposentado das atividades do futebol, Humberto Nesi disse que perdoava as constantes decisões de Farache sempre contra o América, por compreender sua paixão desmedida ao ABC.

Vicente Farache chegou a ser jogador do ABC, atuando na ponta direita, porém ao ter de transferir-se para o Rio de Janeiro a fim de estudar Direito, ausentou-se de Natal, somente retornando em 1929, já bacharel, aí dedicou-se de corpo e alma ao clube, a ponto de gastar grande parte do que ganhava como advogado estabelecido e juiz municipal, além de um estabelecimento comercial (sapataria) situado à rua dr. Barata. Os empregados, eram todos jogadores do ABC.O período mais brilhante do dr. Farache foi de 1932 a 1941, quando o clube sagrou-se decacampeão de futebol de Natal justamente tendo Farache como diretor técnico e treinador. Outra faceta do eclético Vicente Farache foi o jornalismo esportivo, que exerceu no jornal "A Ordem", órgão católico, sendo o enviado da TRIBUNA DO NORTE para o Campeonato Mundial disputado no Brasil, enviando muitas matérias para o jornal do dr. Aluízio. Vicente Farache ainda teve sete filhos de uma união com uma segunda companheira, também de nome Maria.A homenagem do ABC a seu maior benfeitor em todos os tempos foi denominar de Vila Olímpica Vicente Farache a sede esportiva na Reta do Sol.