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O problema é
evidente e
aumenta a cada
ano, mas ninguém
sabe explicar o
motivo que está
fazendo os
natalenses se
recusarem a
comparecer ao
Machadão em
grande número.
O problema é
evidente e
aumenta a cada
ano, mas ninguém
sabe explicar o
motivo que está
fazendo os
natalenses se
recusarem a
comparecer ao
Machadão em
grande número.
Ir para o
estádio, em
alguns jogos,
virou sinônimo
de solidão, tão
fraco é o
público nos
jogos -
Muita gente
envolvida no
meio esportivo
mostrou um certo
ar de
estarrecimento
quando o
presidente
da Federação
Norte-rio-grandense
de Futebol (FNF),
Nilson Gomes,
disse que a
situação do
futebol local
era
desesperadora.
Mas a afirmação
foi realizada
com base em
números que
apontam
arrecadação
irrisórias nas
partidas de
futebol e que
dão início a um
perigoso ciclo
de
desestruturação
para os clubes
potiguares, que
devido as
dificuldades
para arranjar
patrocinador,
ainda dependem
muito do
dinheiro que
arrecadam nos
estádios.
O fato é que nos
últimos dez
anos, a torcida
vem sumindo. Sem
o comparecimento
do público no
estádio, o
produto fica
inviável para os
empresários, e
com as baixas
arrecadações as
equipes ficam
com seu poder de
contratação cada
vez mais
reduzido, pois
são obrigadas a
limitar a faixa
salarial dos
atletas e não
conseguem mais
trazer jogadores
de expressão no
mercado
brasileiro.
Machadão -
1998: A
média de público
começou a girar
em torno dos 5
mil pagantes.
Seria
culpa da nova
ordem do futebol
brasileiro, onde
as televisões
entraram como
principais
associadas dos
clubes e
transmitem
jogos todos os
dias, fomentando
cada vez mais o
surgimento do
torcedor da
poltrona. É
difícil dizer,
mas vale a pena
lembrar que, em
meados da década
de 90, quando o
sinal das
transmissões não
podiam ser
aberto para as
praças onde
estivessem sendo
realizados
jogos, os
dirigentes de
ABC e América,
principalmente,
já ocupavam
espaços na
imprensa
convocando o
torcedor a
comparecer ao
estádio em maior
número.
Coincidentemente,
a vertiginosa
queda do
interesse do
público potiguar
pelo futebol
teve início no
período entre
1985 e 1986,
quando foram
iniciadas uma
série de
modificações nos
regulamentos da
Confederação
Brasileira de
Futebol, e os
campeonatos
estaduais
deixaram de ser
qualificativos
para disputa do
Campeonato
Brasileiro. Os
ajustes, se
fizeram bem para
os grandes
clubes situados
nas regiões Sul
e Sudeste,
tiveram efeito
contrário nos
demais cantos do
País,
principalmente
no Nordeste,
onde o futebol
sempre contou
com um dedo de
amadorismo. Na
década passada,
o maior público
que os clubes
conseguiram
levar a uma
decisão de
Campeonato
Estadual foi de
15.098,
registrado no
ABC x América de
1993. Mas daí em
diante o
interesse pelas
partidas,
principalmente
pelas decisões
só fez
decrescer. O
mesmo confronto
entre os dois
tradicionais
rivais três anos
mais tarde,
também pela
decisão do
estadual, só
conseguiu atrair
a atenção de
3.232, o que
eqüivale a,
praticamente ,
30% do público
de 93. Já na
atual década, o
número de
torcedores nas
finais teve uma
pequena melhora,
registrando o
comparecimento
de 5.909
torcedores ao
confronto entre
Corintians de
Caicó x ABC, no
estádio Dinarte
Mariz, em 2001.
Essa média é
quase a mesma da
finalíssima de
1998, quando
5.862 natalenses
foram ao
Machadão
acompanhar ABC x
Baraúnas, mas
nem de longe
chegam perto do
público
desejado. Ou
seja, de
repente, o
estádio João
Cláudio de
Vasconcelos
Machado ficou
muito grande
para abrigar os
jogos dos times
potiguares. A
fase do "compre
que a torcida
paga" se esgotou
e, os dirigentes
que ousaram a
desobedecer a
nova ordem,
mergulharam os
clubes em grave
crise financeira
que, ainda hoje,
se refletem nas
administrações.
O América, por
exemplo, tenta
pagar dívidas
trabalhista
contraídas há
cinco anos e o
Alvinegro,
embora com menos
problema neste
campo, ainda
tenta levantar
recursos para
quitar os
prejuízos
contraídos com a
sua recente
queda para
terceira
divisão. Num
piscar de olhos,
os Campeonatos
Estaduais que
eram
responsáveis
pela grande
fonte de
arrecadação dos
clubes, passou a
ficar
deficitário. O
América campeão
da atual
temporada,
segundo o
presidente da
comissão de
futebol, Eduardo
Rocha, fechou a
disputa de 2002
com um prejuízo
beirando os R$
37 mil, coberto
graças a sobra
de caixa
registrada na
cota recebida
pela disputa do
Campeonato do
Nordeste, R$ 650
mil, e que
passou a ser a
grande fonte de
sustentação dos
dois maiores
clubes
potiguares. As
maiores vítimas
desse
desinteresse dos
torcedores pelo
futebol local
são os clubes de
médio porte,
como o Alecrim,
que conquistou
os títulos
estaduais de 85
e 86, mas que de
lá para cá,
apenas luta para
manter viva uma
tradição de 86
anos. Para não
se licenciar da
FNF, o Verdão
está sendo
obrigado a se
contentar com
uma estrutura
semiprofissional,
se sujeitando a
jogar nas
preliminares das
partidas de ABC
e América, por
não conseguir
dinheiro
suficiente nem
para arcar com
as despesas de
arbitragem e as
chamadas taxas
de campo. Para
dar uma idéia
mais clara da
dramaticidade da
situação, basta
dizer que a
receita do
Alecrim no
período de 1 de
janeiro a 20 de
junho de 2002,
foi de R$
20.311,52.
Marizão -
2001: Em Caicó,
foram
registradas as
maiores rendas
do certame.
Neste
bolo está
incluso o
repasse de R$
14.160,12
realizado pelo
presidente do
conselho
deliberativo e
diretivo do
clube, Severino
Lopes da Silva.
Por causa do
futebol, o clube
ainda tenta se
livrar de
dívidas
trabalhistas com
alguns
ex-funcionários
que chegam a
casa dos R$ 100
mil. Dirigentes
divergem quanto
as soluções
Diante da
complexidade do
assunto sobre o
motivo do sumiço
do torcedor dos
estádios no Rio
Grande do Norte,
nem os
dirigentes de
ABC e América
conseguiram
chegar a uma
conclusão
unificada e as
sugestões para
atacar o
problema seguem
caminhos
completamente
opostos. E
quando o diretor
financeiro da
comissão de
futebol do
América,
Tiburcio
Batista, acha
que o preço
cobrado pelo
ingressos não
serve de
justificativa
para o baixo
interesse do
público. O
vice-presidente
de futebol do
ABC, Emilson
Tavares, defende
a tese de que só
uma redução
drástica no
preço dos
ingressos, pode
servir de
atrativo para o
grande público
voltar a
prestigiar os
clubes
potiguares.
Vejamos o que
pensam os dois
dirigentes sobre
as questões
levantadas pela
reportagem da
Tribuna do
Norte:
TRIBUNA DO
NORTE — A
redução no
preços dos
ingressos pode
ser um chamativo
aos torcedores?
Tibúrcio
Batista— Nós
já fizemos
experiência com
preços de
ingressos a 5,
6, 7, 8 e 10
reais. O público
não cresce mais
que 20%,
obviamente, se
você considerar
que as despesas
permanecem as
mesmas e a folha
de pagamento
também, baixar o
preço dos
ingressos na
ordem de 40 ou
50%, para ter um
acréscimo de
público que a
gente registrou
com as
promoções, não é
compensatório
para o clube.
Para um clube
que tem
compromissos a
saldar, é melhor
que o estádio
esteja
praticamente
vazio mas que a
receita no final
das de tudo
ajude a quitar
as contas. Neste
Brasileirão o
ABC vem cobrando
R$ 6,00 e o
público não vem
sendo o
esperado,
acredito que a
questão não seja
o preço do
ingresso.
Emilson
Tavares— Num
estado como o
nosso, onde o
dinheiro circula
com dificuldade
e só quem vai ao
estádio, com
freqüência, é
aquele torcedor
de baixa renda,
já que aqueles
de maior poder
aquisitivo
preferem ficar
em casa
assistindo os
jogos da TV e
depois saber do
resultado dos
jogos locais
pelo rádio ou
pelos jornais.
Acredito que o
preço do
ingresso a R$
10,00
inviabiliza a
presença maciça
dos torcedores
aos estádios. Um
torcedor
assalariado não
tem a menor
condição de
comparecer a
jogos realizados
todas as
quartas-feira e
domingos, por
que isso pesa
muito no
orçamento
doméstico.
Ninguém vai
deixar de
comprar comida
para os seus
filhos para ir
ao futebol. Isso
é óbvio.
TRIBUNA DO
NORTE —
Vocês acreditam
que o nosso
futebol não
possui um nível
satisfatório
para o
torcedor?
Tiburcio
Batista —
Não diria que o
elenco dos
clubes estão
fracos, digo que
estão dentro da
atual realidade
dos nossos
clubes. Talvez a
falta de uma
grande estrela,
aquele jogador
que a gente
costuma dizer
que chama
público. Isso
realmente faz
com que o
público
compareça em
número maior ao
estádio, mas a
realidade é
essa. O América
já tem arriscado
muito, nós
trouxemos alguns
jogadores em
cima de
pesquisas e
informações que
no final não
rederam o que a
gente esperava,
caso do Evandro
Brito, que
marcou 24 gols
disputando o
campeonato
gaúcho e a copa
Sul-Minas e que
não acertou com
a camisa do
América.
Emilson
Tavares —
Nós estamos
realizando um
trabalho de
médio prazo,
investindo na
revelação de
jogadores e o
nível não é o
mesmo de alguns
anos atrás,
quando tínhamos
uma equipe com
vários atletas
renomados. Mas
acho que o preço
praticado pelo
ABC, cobrando R$
6,00 pela
arquibancada, dá
para tentar
trazer o
torcedor de
volta. Apesar do
preço não
corresponder com
a necessidade
orçamentária do
clube, nós temos
possibilidade de
atrair a massa
trabalhadora ao
estádio e, com o
público
presente,
poderemos atrair
a atenção de
alguns
patrocinadores
dispostos a
divulgar suas
marcas. Por
enquanto nós
estamos aliando
um orçamento
compatível com a
nossa receita,
porque milagre
não existe mais
dentro do
futebol e
abnegados como o
presidente Judas
Tadeu, que tira
dinheiro do
próprio bolso
para cobrir as
despesas do
clube, também
estão acabando. |