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Tribuna do Norte 26/03/2002

Mudança virou rotina - De Osmar a Exmar

A derrota para o Botafogo/PB, no último sábado, e a demissão de Pedrinho foram apenas mais dois episódios tristes dentre muitos ocorridos nos últimos meses.

Osmar Guarnelli  saiu durante  férias

Paulo Moroni 
6x0 a gota dágua

Didi Duarte Campeão sem prestígio

Arnaldo Lira, 
o galo  foi o algoz

Mauro Fernandes Rebaixou à Série C

Pedrinho Albuquerque
Não acertou 

Exmar  Assume profissional 1a vez

Vexame contra paraibanos apressa saída do técnico - Como a queda do treinador Pedrinho Albuquerque foi inevitável e o clube estava com dificuldade para trazer um outro técnico para assumir o pesado fardo que é dirigir o ABC, o presidente Judas Tadeu optou por uma solução caseira para o problema, anunciando Exmar Tavares como o novo comandante do clube. 

Exmar vinha trabalhando com a equipe júnior e disse que não fazia parte de seus projetos imediatos trabalhar com o elenco de profissionais. "Até tinha planos de trabalhar com um time de futebol profissional, quando assumi o time júnior foi pensando nisso. Mas era um projeto para daqui a um ano, porém, acabou acontecendo em um mês", revelou o novo técnico alvinegro. 
Uma coisa Exmar Tavares fez questão de destacar, a de que ele nunca foi ou serviu como sombra para qualquer treinador que trabalhou no ABC. "Se estivesse no cargo de diretor de futebol, em hipótese alguma aceitaria o convite para dirigir a equipe de profissionais. Sempre fui irredutível neste ponto de vista, pois poderia parecer que eu estaria usando da influência para ocupar o cargo. Os dirigentes sabiam do meu ponto de vista e nunca chegaram a me convidar", afirmou. 

Com larga experiência no futebol de salão, onde sagrou-se campeão pelo próprio ABC, o técnico disse ter sido seduzido pelo desafio que será dirigir o time principal do clube. Aos torcedores ele pede um pouco de compreensão e promete muita dedicação, para fazer com que o clube volte a viver seus dias de glória. "Admito a cobrança em nível normal, mas só peço um pouco de tolerância a torcida, pois assumir o comando do ABC é um imenso desafio", lembra. O presidente Judas Tadeu disse que não fez contrato com Exmar, salientando que ele ficará o tempo que desejar no comando do time. O dirigente salientou que o nome do treinador ganhou força dentro da diretoria depois que Didi Duarte declinou do convite formulado pelo clube, alegando que estava realizando um trabalho a médio prazo dentro do Central de Caruaru/PE. "Neste tempo que estou dentro do ABC nunca dispensei nenhum técnico, todos pediram demissão. A opção por Exmar Tavares foi porquê trata-se de uma pessoa que conhece as dificuldades do clube e os jogadores do elenco. Não adiantava trazer outra pessoa que não conhecesse a realidade abecedista", argumentou. 
Talvez por conhecer bem essa situação, é que não existe projetos imediatos para trazer qualquer novo reforço para o grupo. Exmar acha que existe possibilidade de melhorar o rendimento do elenco atual que, dentro do Campeonato do Nordeste, demonstrou sinais, principalmente, nos jogos contra Santa Cruz, Bahia e CRB, que têm condições de encarar seus adversários em igualdades de condições. Mas ele não esconde que as oscilações foram o principal defeito da equipe. "Vamos conversar com os jogadores para tentar detectar o que está causando o problema. De fora eu não consegui achar explicação para o fato" , antecipa. 
Da experiência do futebol de salão, o novo técnico pretende dotar o time do ABC com um maior poder de competitividade e ajustar a marcação. Para isso pretende, apenas, modificar a posição de algumas peças da equipe que vinha trabalhando com Pedrinho Albuquerque.

Vexame contra paraibanos apressa saída do técnico 

Os protestos da torcida alvinegra culpando o treinador Pedrinho Albuquerque pela derrota para o Botafogo/PB, 3 a 1(gols de Ronaldo, Maradona e Nélio), sábado à tarde no Machadão, e o fim das chances de classificação da equipe para segunda fase do Campeonato do Nordeste. "Minaram" o terreno da Vila Olímpica para o técnico, que pediu demissão do cargo no domingo. Ao invés de enaltecer, a passagem pelo Alvinegro acabou se tornando uma página negra no currículo do treinador que acumulou 8 vitórias, 12 empates e 10 derrotas nos seis meses que esteve à frente do futebol abecedista. 
Obrigado a se adequar a difícil realidade financeira do clube, Pedrinho — mesmo diante da política do "bom e barato" — prometeu dar uma cara mais competitiva ao ABC, na tentativa de aproveitar o Campeonato do Nordeste, para apagar a má impressão deixada com a perda do pentacampeonato estadual e a queda para série C do Campeonato Brasileiro em 2001. 
A vontade do ex-treinador esbarrou na limitação e na oscilação da equipe, que foi capaz de empatar com o Bahia, em Salvador, e ser derrotado de forma humilhante para o CSA e o Botafogo da Paraíba, em Natal. 
Contra os paraibanos, desfalcado de peças importantes como os meiocampistas Sandro e Montanha, o ABC pecou pela falta de criatividade e os erros de marcação, que permitiram ao Botafogo atuar com muita liberdade e construir um placar que há muito os torcedores potiguares não viam, em se tratando de confrontos contra um clube da Paraíba no Machadão.

ABC  3x1 Botafogo/PB:
Estádio: Machadão - Público: 1.023 pagantes - Renda: R$ 8.007,00 - Árbitro: Ricardo Tavares de Lima/PE
ABC: Carlão, Airton, Gedeon, Vladimir e Marcelo; Guará, Lima, Moreno (Renato) e Sabino (Isaac); Marcelo Santos (Fábio) e Fábio Lopes. Técnico: Pedrinho Albuquerque.
Botafogo/PB: Iasaías, Núbio, Manú, Ronaldo e Dudu; Anselmo, Son, Douglas (Rangel) e Maradona; Maurício (Maia) e Nélio (Bia). Técnico: Alberione Abrantes.

Calvário do ABC:
1. ABC que chegou a ser o quarto colocado no Campeonato do Nordeste, troca o treinador Paulo Moroni por Arnaldo Lira e é desclassificado do Campeonato do Nordeste.
2. Equipe vence o Náutico na primeira fase da Copa do Brasil, se classifica para enfrentar o Flamengo e é desclassificada no primeiro jogo em Natal, na segunda fase.
3. Time se classifica para fazer a final do primeiro turno contra o Corintians, perde os dois jogos e o título para o time caicoense.
4. Junho, o ABC empata com o São Gonçalo em 1 a 1, no estádio Luiz Rios Bacurau e é desclassificado da final do segundo turno do Campeonato Estadual, perdendo a vaga para o América.
5. Sem o pentacampeonato e sequer o vice-campeonato estadual, equipe é alijada da disputa da Copa do Brasil em 2002.
6. Mauro Fernandes reformula elenco abecedista prometendo levar a equipe para série A do Brasileiro, mas logo na estréia, diante de um bom público, equipe perde para o Ceará.
7. Pedrinho Albuquerque assume o ABC em setembro, mas não consegue evitar a queda da equipe para série C, embora o time tenha mantido chances de escapara da "degola" até a penúltima rodada.