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Jornal " O Gol"
18/01 a 02/01/2002
Por Silvana Greici

Ex-Craque do ABC, ainda joga futebol

O pernambucano, Alberi José Ferreira Matos, 54 anos, ex-jogador do ABC Futebol Clube foi um dos grandes ídolos do futebol potiguar.
Apesar de estar afastado do campo há bastante tempo, Alberi permanece na lembrança dos abecedistas, uma vez que foi um dos maiores craques que o mais querido teve até hoje.

Alberi não está desaparecido por completo. Quem quiser encontrá-lo para conversar e relembrar o futebol do passado é só aparecer aos sábados pela manhã no campo do quartel da Base Naval, nas Quintas. É lá, que ele se reúne com os amigos para bater uma pelada e mostrar que ainda é bom de bola. Ele também é funcionário da Secretaria de Esportes e Lazer, de Natal.

Dos bons momentos que passou no futebol, Alberi lembra que começou jogando no Santa Cruz, de Recife, sua cidade natal.Aos 18 anos veio para o ABC a convite do ex-diretor, José Prudêncio.  "Isso foi em 1969. Passei uns tempos no ABC, depois voltei para Recife e em 1970 o ABC comprou meu passe difinitivo", conta o craque.
Além do ABC, Alberi jogou n Rio Negro, em Manaus, no Sergipe, no Campinense e n Ícara, em Juazeiro do Ceará.  Retornando ao Estado, jogou no ABC, América, Alecrim e Baraúnas, de Mossoró.

Alberi conta que nesta época os clubes não tinham dinheiro e os jogadores eram pagos com móveis. "Eu mesmo recebi uma geladeira e uma radiola da diretoria do ABC que também me prometeu uns discos de Waldick Soriano e estou esperando até hoje", lembra, afirmando ser fã do intérprete de "Eu não sou cachorro não", um dos grandes sucessos da época.

Só no ABC Futebol Clube, Alberi marcou oficialmente 79 gols em campeonatos.
Ele conta que todas as partidas foram boas, mas a que ficou na lembrança dos torcedores foram as que o ABC jogou contra a Seleção da Rússia, contra o Flamengo e contra o Atlético Mineiro.
O pernambucano residente em Natal, garante não ter mágoa de nenhum dos treinadores ou diretores do clube alvinegro, mas confessa que gostaria de ter sido treinador do mais querido, seu time de coração. "O meu único time no mundo é o ABC.  Gostaria muito de ter sido técnico do clube, mas nunca me deram oportunidade. Enquanto isso, colocaram treinadores que não entendem nada de futebol", desabafa. Alberi lembra que um dos presidentes do ABC, o Paiva Torres, uma vez falou que ele (Alberi) entende muito de futebol e que merecia uma chance. "Mas ele nunca me deu essa chance, afirma.

O mesmo não aconteceu com o técnico Célio de Souza. Segundo Alberi, Célio era gente boa e dava oportunidade aos jogadores. "Ele trouxe o time dele, mas  gente que jogava, não é como hoje que os jogadores são de marketing", explica.
Uma das grandes lembranças de Alberi foi a viagem que o ABC fez a Europa e África. "Nos países da Europa os brasileiros são respeitados. Fomos muito bem recebidos. Gostei da França e da Turquia. Na África eu me recordo com saudades da Tanzânia, lá o clima é tropical" lembra.
Nesta viagem à Europa e África, Alberi marcou 16 gols e foi considerado o artilheiro internacional. Alberi e o ABC ficaram conhecidos internacionalmente.

Do futebol ele conta que ganhou experiência e conhecimento. "Tudo que eu fiz faria de novo. Não costumo me arrepender do que faço", assegura. Perguntado sobre qual foi sua maior emoção Alberi saiu com essa: "sou igual a Roberto Carlos. A minha vida é cheia de emoções".

Voltando ao passado, Alberi disse que escalaria para o ABC, a mesma seleção de 1972, que contava com Danilo Menezes, o goleiro Erivan, o próprio Alberi e tantos outros bons de bola. " A seleção de 72 foi o melhor time que o ABC teve até os dias de hoje. Ela se comparava com a Seleção Brasileira", acrescenta.
O ex-jogador do mais querido é totalmente contra o futebol sem ponta. Segundo ele, todo time tem que ter a sua posição. "Jogador tem que ter ponta", esclarece. Para Alberi, o futebol não mudou. Ele garante que o futebol é o mesmo, o que falta, porém, é talento.
Além de ser funcionário antigo da SEL, Alberi também ministrava uma escolinha de futebol, que funcionava no 16 RI.

"Cheguei a conclusão que deveria deixar a escolinha. Percebi que aqui em Natal, o errado é o certo", comenta o ex-craque do ABC, lembrando que quem não entende nada de futebol, hoje são professores do esporte mais praticado no Brasil. Apesar de ter jogado em vários clubes, inclusive no América e no Alecrim, foi no ABC que Alberi ficou conhecido e se tornou um dos maiores jogadores do futebol potiguar. Quem é abecedista não esquece dos grandes lances e grandes gols deste mulato de quase 2 metros de altura e que fez o possível e o impossível para que o ABC não fosse derrubado. São de jogadores assim que o alvinegro está precisando.

O seu amor por Natal é tanto, que Alberi podia ter voltado para sua cidade depois que deixou de jogar. Ele permanece na capital potiguar atéhoje e diz que: "Escolhi Natal para morar porque é uma das melhores cidades do Brasil. É uma cidade acolhedora e de uma povo acolhedor", ressalta.
Alberi joga pelada todo sábado. Não fuma, gosta de uma cervejinha, mas garante que nunca passou uma noite de sono. Casou em 1969, com Marluce Gomes. Hoje, com 32 anos de casado, diz ser pai de 7 filhos e avô de 9 netos. Ele exerce a função de técnico desportivo da Secretaria de Esportes e Lazer, desde 1988.