Tribuna do Norte 29/07/2001
Everaldo Lopes
Repórter e Pesquisador
Arquivo  de
Ozastro Luiz da Silva

 

ÍNDICE

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

DECA - O ABC sagrou-se decacampeão em 1941

 


A grande mancada da imprensa no deca-campeonato do ABC

 


Jornais da época (1942) não deram o merecido destaque à conquista de título tão importante do alvinegro, tendo "A República" omitido qualquer notícia a respeito. 

No dia 05 de abril de 1942, valendo o campeonato do ano anterior, o ABC sagrava-se decacampeão de futebol, um título até então inédito no Brasil. Feito merecedor de tantas manifestações da torcida, por pouco não passou incógnito por toda a imprensa escrita da capital, já que não havia ainda cobertura radiofônica em Natal. Três eram os jornais de circulação diária, que eram "A República", órgão oficial do governo do estado, "A Ordem", jornal católico dirigido pelo comendador Ulysses de Góis, e "Diário de Natal", fundado em 1939.

No domingo, 5 de abril, dia da grande decisão, O Diário e A República noticiaram a realização do jogo ABC x Santa Cruz, os dois times igualados na soma de pontos ganhos. Enquanto algumas notícias davam a decisão numa melhor de três, A República esclarecia que o título sairia numa única partida, como de fato aconteceu, vitória alvinegra por 4 x 2.. O Diário era quem dava espaços mais generosos ao esporte, principalmente o futebol mas, contrariamente, A Ordem não mantinha noticiário esportivo. Na segunda-feira, o jornal oficial não circulava, tendo seu concorrente o DN dado um relativo destaque à vitória abecedista, apesar de omitir dados técnicos a partida, como autor dos gols (ABC 3x1), renda, arbitragem e outros pormenores.

OMISSÃO - A grande mancada de A República foi a omissão na edição da terça-feira, quando sequer abriu qualquer espaço para o futebol, apesar de contar com um grande número de assinantes que, com certeza, esperavam ler sobre a vitória do seu clube preferido. Na quarta-feira o jornal voltou a omitir qualquer registro do título alvinegro, por menor que fosse. As edições seguintes obedeceram à mesma rotina, sem qualquer referência ao deca inédito. Aliás, os substantivos decacampeonato, tricampeonato, penta não apareciam em qualquer texto sobre futebol. A imprensa se referia apenas como os 10 campeonatos seguidos do ABC.

Ressalte-se que, por não existirem ainda na imprensa de Natal jornalistas especializados em determinados assuntos, o futebol não seria uma exceção. Acredita-se que, nessa época era Valdemar Araujo o responsável pela cobertura do campeonato, o que fazia bem à vontade porque também jogava futebol defendendo o Santa Cruz. Diziam até que, quando redigia qualquer texto em que aparecia seu nome participando da partida, na apreciação individual costumava escrever que "Valdemar esteve com altos e baixos ...", uma forma de evitar elogios ou crítica desfavorável.

Hoje, quase 60 anos depois do decacampeonato do ABC, a omissão de A República ainda é vista com surpresa por pesquisadores que buscam nos velhos jornais notícias de um passado já bem distante. E, para os saudosistas, aqui está o time decacampeão: Edgard, Gageiro e Nezinho 2o., Zelins, Netinho e Joãozinho Emnéas, Albano, Saravotti , (Demóstenes), Tico e Hermes. Técnico, Vicente Farache.