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O ABC
FUTEBOL CLUBE,
Recordista absoluto em competições estaduais, o ABC está no
Guinness Book como o maior papão de títulos do País. Ao
todo, foi 49 vezes campeão
(VEJA
OS TÍTULOS) no futebol do Rio grande do
Norte, além de ter, também, a maior torcida do Estado, cerca
de 70% da população. Na capital, o time alvinegro conta com
mais de 80% dos torcedores. O ABC É O atual Recordista
Brasileiro de títulos, Incluindo um DECACAMPEONATO.
Estes números já servem para colocar o ABC, sem sombra
de dúvidas, entre os maiores times do Brasil. Mas outros
detalhes curiosos cercam a história do clube. O ABC é,
possivelmente, o único time brasileiro (ou no mundo) que
teve hora marcada para nascer: 13h do dia 29 de junho de
1915. A reunião que decidiu a fundação do time aconteceu na
casa do Coronel Avelino Alves Freire. Jovens potiguares
empolgados com o futebol decidiram criar o primeiro clube
para a prática do esporte no Estado. Ao contrário do que
muita gente pensa, o ABC da equipe não significam as
primeiras três letras do alfabeto e sim as iniciais de
Argentina, Brasil e Chile. Naquele ano os três países
assinaram um tratado de amizade.
Na primeira década de vida o time disputava o campeonato
estadual palmo a palmo com o maior rival, o América. Mas nos
anos 30 o ABC iniciou a maior série de títulos da futebol no
Brasil. Foram dez anos com a equipe brilhando sozinha.
A façanha do decacampeonato colocou o ABC no
livro
dos recordes.
No final dos anos 50 de novo o alvinegro se impôs no futebol
norte-riograndense, conseguindo outra série de títulos
impressionante. O time, liderado pelo habilidoso meia
Jorginho, dono de dribles rápidos e desconcertantes, foi
pentacampeão entre os anos de 59 e 62. Tantas vitórias
fizeram do time o mais popular do Estado e um dos mais
conhecidos do Nordeste. Nos anos 70, mais uma série de
conquistas e de 70 a 73 o ABC foi tetra. Aquela equipe
revelou o craque Marinho. Lateral esquerdo refinado, que
passou por grandes equipes, como Fluminense e Botafogo.
Marinho foi convocado por Zagalo para a Copa de 74, na
Alemanha, e acabou sendo escalado na seleção do Mundial,
pela imprensa estrangeira. Mas Marinho deixou Natal em 70,
foi quando começou a brilhar a estrela do uruguaio Danilo
Menezes, que vestiu a camisa do time de 72 a 79. O meia
cerebral era dono de passes precisos e excelente visão de
jogo. O timaço do ABC ainda contava com o meia Alberí,
considerado o melhor jogador do País em 72. Naquela época
lendas como Gérson, Rivelino, Jairzinho e Tostão estavam em
plena atividade.
Nos anos 90 o ABC continuou a colecionar troféus. Foram sete
títulos na década. A equipe recentemente fez uma excelente
campanha na Copa do Brasil, sendo desclassificada sem perder
uma única partida.
O COMEÇO
Às 13h do dia 29 de junho de 1915, na residência do
Cel. Avelino Alves Freire, na avenida Rio Branco, fundo do
antigo Teatro Carlos Gomes, hoje Alberto Maranhão, era
fundado o primeiro clube de futebol do estado. Na reunião
que aconteceu em um dos quartos de estudos dos filhos do
anfitrião, muitos jovens da melhor sociedade e residentes no
bairro, tomaram decisões importantes: a primeira delas, por
unanimidade, elegeu João Emílio Freire como o primeiro
presidente do clube. Na mesma reunião por proposição do
sócio José Potiguar Pinheiro, a nova agremiação adotou o
nome de ABC FUTEBOL CLUBE. As três letras representam as
iniciais dos países sul-americanos, Argentina, Brasil e
Chile, que assinaram naquela época um tratado de amizade
fraternal e cujo nome mereceu a sigla de ABC.
Por proposta de João Emílio Freire, foram adotadas as
cores preto e branco como oficiais do clube. O uniforme
composto de camisas preta e branca em listas verticais e
calção preto, foi uma idéia do jornalista Manoel Dantas
Moura. A bandeira oficial do ABC, tem as cores no sentido
horizontal, com três faixas, sendo a superior e a inferior
brancas e a do centro, preta, ficando o nome do clube em
branco.
Campo: O ABC construiu o seu primeiro campo de
futebol numa área nobre da cidade, onde hoje localiza-se o
Ateneu e a Biblioteca Pública Câmara Cascudo. Dotado de
arquibancadas, vestiários e sanitários, recebeu o nome de
"Estádio Maria Farache", em homenagem à família Farache, que
fez a doação do terreno para a construção do patrimônio.
Posteriormente, toda a área foi vendida e o clube teve que
se transferir para Morro Branco. Hoje, o clube tem seu
patrimônio edificado na Vila Olímpica, na Praia de Ponta
Negra.
PRESENTES NA MEMORÁVEL REUNIÃO DE FUNDAÇÃO DO ABC FUTEBOL
CLUBE
Alexandre Bigois, Artur Coelho, Alvaro Borges, Avelino Alves
Freire Filho (Lili), Antonio Alves Ferreira, Avelino Alves
Freire, Cipriano Rocha Filho, Caros Noronha, Cícero Aranha,
Francisco Deão, Francisco Antonio, Frederico Murtinho Braga,
Francisco Mororó, José Potiguar Pinheiro, José Cabral de
Macedo (Tarugo), Júlio Meira e Sá, Josafá dos Santos, João
Cirineu de Vasconcelos (Babuá), João Emílio Freire (Primeiro
presidente), João dos Santos Filho, José Pedro (Pé de Ouro),
José Aurino da Rocha, Luiz Nóbrega, Manuel Dantas
Cavalcanti, Manoel Avelino do Amaral, Manoel Bezerra da
Silva (Paraguay), Marciano Freire, Mário Eugênio Lira,
Silvério Carlos de Noronha e Solon Rufino Aranha. (Nossos
agradecimentos ao Desportista Luiz G.M. Bezerra que nos
forneceu este material)
AS QUATRO ESTRELAS DO ESCUDO
No longínquo ano de 1954, a Federação
Norte-rio-grandense de Futebol, na época presidida por João
Cláudio de Vasconcelos Machado, resolveu promover, de
fevereiro a dezembro, um campeonato gigante em quatro
categorias infantil, juvenil, aspirante e titular. O ABC
brilhou de ponta-a-ponta e conquistou os quatro campeonatos,
destacando-se a atuação do time infantil que terminou a
competição com apenas quatro pontos perdidos. Teve ainda o
ataque mais positivo com 15 gols e a defesa menos vazada com
cinco tentos. Para glória dos abecedistas, registramos os
nomes daqueles que fizeram a história do clube naquele ano e
originaram as estrelas que até hoje o alvinegro ostenta em
seus uniformes e na sua gloriosa bandeira.
INFANTIL - Bigode, Mário e Medeiros; Dedé, Danilo e
João; Aroni, Geraldo, Guedes, Rômulo, Nivaldo, Marcos Jacaré
e Otávio Larmartine de Paiva (Peninha), jogando ainda
Xavier, Geovane e Rosálio.
JUVENIL - Erivan, Zé Wilson e Mauro; Paca, Zeca e
Cleudo; Zé Nunes, Gileno; Tarcísio, Wilson e Pingo.
ASPIRANTE - Zózimo, Biró e Argentino; Dedé, Cabral e
Marques; Sabará e Jurandir; Miranda, Alcino e Albano,
jogando ainda Severino, Mauro, Tarcísio e Béu.
TITULAR - Edson, Toré e Tatá, Badidiu, Gonzaga e Ney.
Mota, Cadinha, Macau, Jorginho e Oliveira. Técnico: Saião.
O presidente da Federação, desportista João Cláudio
de Vasconcelos Machado, determinou que a premiação aos
vencedores, fosse feita coletivamente na FESTA DOS
CAMPEÕES, em solenidade que foi realizada no dia
09/01/1955, com um desfile no "Estádio Juvenal Lamartine" de
todos os clubes filiados à FND, evento que foi abrilhantado
com a presença do Governador Sylvio Piza Pedroza, do
Prefeito Wilson Miranda, do Major José Vasconcelos,
representante da CBD - Confederação Brasileira de Desportos,
além de dirigentes e outras autoridades desportivas do
Estado, culminando com disputas entre as equipes das quatro
categorias campeãs do ABC e as seleções correspondentes do
Rio Grande do Norte, festa que teve a renda recorde de
24.920 cruzeiros e que marcou época em nossa capital.
Inúmeros destes atletas das categorias inferiores do
ABC atingiram, posteriormente, posições destacadas nas
equipes de cima. O mesmo ocorrendo com os atletas titulares,
astros que brilharam nos nossos gramados, como foi o caso do
extraordinário Jorginho, um dos mais perfeitos "cracks" que
tivemos em todos os tempos do saudoso "Juvenal Lamartine". O
mesmo ocorreu com atletas que, atraídos pelos grandes
centros, tiveram destaque absoluto além fronteiras, como foi
o caso do notável médio Ney Andrade que brilhou em gramados
de todo o Nordeste e no exterior, elevando o bom nome
esportivo do Rio G.do Norte.
PUBLICAÇÕES NA IMPRENSA ESPORTIVA SOBRE O "ABC"
No norte e nordeste, é o único clube que possui 10 títulos
consecutivos em campeonatos estaduais. (Revista Placar 334,
de 03.09.76).
No nacional de 1972, o ABC, como estreante, não perdeu para
estes grandes times - Palmeiras/SP, o Campeão; Botafogo/RJ,
o vice campeão; Flamengo/RJ; Portuguesa/SP; Grêmio/RS;
Vitória/BA; América mineiro; Coritiba/PR; Santa Cruz/PE; CRB/AL;
Nacional/AM; e Sergipe. ( 5 vitórias e 7 empates). Nesse
ano, o ABC levou ao Castelão 198 mil pessoas a mais do que o
América, em 1973, conforme, foi publicado na "Tribuna do
Norte". Ainda, em 72, o Clube das 5 estrelas bateu o recorde
em público, jogando com o Santos, no referido Estádio.
Em 1973, no exterior, jogou 24 partidas em países do Velho
Mundo (Europa, África e Ásia), onde bateu dois recordes;
permanência de 102 dias, e 14 jogos consecutivos e invictos,
obtendo excelente resultado: 19 jogos sem perder e 5
derrotas (11 empates, 8 vitórias e 5 derrotas). Empatou até
com a seleção Romena por 1 a 1, em Bucareste (Revista Placar
de 28.12.73).
Em 1976, ganhou tudo; Campeão Estadual quase invicto - 22
vitórias, 2 empates e 1 derrota. Campeão da Taça "Cidade do
Natal", e o Quadro Juvenil sagrou-se tetracampeão da Cidade.
Nesse ano, 12 clubes disputaram a Taça "José Américo". O ABC
não foi campeão, mas saiu invicto. Coube-a ao Vitória/BA.
Em 1977, no Nacional, o ABC jogou 14 vezes, e
classificou-se. Não perdeu pra nenhum time no Castelão. Dos
62 participantes, foi o décimo-oitavo clube em renda
(Cr$5.190.988,00), superando, pois, 44 clubes. O América/RN
foi o trigésimo-oitavo. Nesse Nacional, o Clube do Povo
levou ao Castelão 74 mil pessoas a mais do que o América.
(Diário de Natal de 20.12.77). |