 O
Clube enfrenta oposição e vai construir o estádio.
Terreno
permutado se transformará em um condomínio.
Consolidar o patrimônio do ABC.
Com esse objetivo a diretoria do clube garante
que construirá o Estádio "Frasqueirão", de acordo com o
que foi aprovado, por maioria absoluta, pelo Conselho Deliberativo
alvinegro, na última reunião, realizada terça-feira passada, na
AABB.
A
polêmica permuta de 3,75 hectares do terreno da Vila Olímpica,
hoje com 15 hectares, foi o caminho escolhido pelos dirigentes
abecedistas, para tornar real um antigo sonho e que hoje, para
grande parte dos clubes do país, se tornou uma necessidade. Os
altos custos das folhas de campo dos grandes estádios espalhados
pelo Brasil fazem parte dos itens mais onerosos para os clubes.
Em
cada partida disputada no Estádio João Machado - "Machadão",
os clubes chegam a pagar aproximadamente 40 % da arrecadação bruta
com despesas de campo, além das equipes não terem direito a
receberem nada pela publicidade exibida dentro do estádio, com
placas e outros eventos que ocorrem, por exemplo, nos intervalos dos
jogos.
Esses
são os principais pontos defendidos pelo Conselheiro e presidente
da Comissão Jurídica de construção do "Frasqueirão",
advogado José Wílson. "Queremos criar uma estrutura de clube,
pois o ABC está refém do Machadão, além disso, depois que deixei
a presidência, em 1993, muitos problemas judiciais, com o INSS,
Fundo de Garantia e outros, abriram a possibilidade de nossa sede
ser leiloada, com isso, o terreno, da forma como está poderia ser
vendido a preço de banana. Evitado o risco dos leilões, o que foi
feito nessa administração (Judas Tadeu), o que nós temos que
fazer é consolidar o patrimônio do ABC", comenta.
José
Wílson revela que a idéia de construir o estádio é antiga.
"Na minha administração pensei em fazer um estádio para oito
mil pessoas, lentamente", revela. No entanto, o conselheiro
garante que a tentativa de erguer uma obra de tamanha proporção
apenas com doações dos abnegados alvinegros é uma tarefa impossível.
Segundo
José Wílson, na negociação com a construtora Ecocil, o ABC não
estará perdendo patrimônio, mas sim garantindo a manutenção de
boa parte do que possui, além de conseguir uma boa forma de
arrecadar fundos, seja diretamente através das rendas dos jogos que
passarão a ser realizados no "Frasqueirão", totalmente
revertidas para o clube, ou com o dinheiro proveniente das locações
das lojas construídas em áreas adjacentes, bem como da venda de
cadeiras cativas e camarotes.
"Até
o local da construção do estádio foi minunciosamente estudado. Nós
somos pessoas sérias e jamais iríamos colocar o patrimônio do ABC
em jogo, se não tivéssemos certeza do retorno com o negócio",
desabafa. Para garantir a lisura do contrato com a Ecocil, única
empresa que respondeu afirmativamente as 12 cartas convites
entregues pelo clube, e para fiscalizar o cronograma das obras, o
Conselho Deliberativo criou a Comissão Jurídica, composta pelos
advogados José Wílson, Walmir Rocha, Ricardo Furtado, Eider
Furtado e, a Comissão de Obras, da qual fazem parte os engenheiros
Gilberto Sá, Paulo Tarcísio, Norberto Faria, Arimatéia e Carlos
Augusto, todo membros do Conselho abecedista, presidido por Ernani
da Silveira, um dos mais antigos conselheiros do clube.
24
MIL TORCEDORES -
O
futuro estádio do ABC, apelidado carinhosamente pela torcida
alvinegra de "Frasqueirão", a terá capacidade para 24
mil espectadores, no entanto, na primeira parte da obra, o estádio
acomodará 16 mil torcedores, com prazo de construção de três
anos para essa etapa inicial, num valor de R$ 2,4 milhões,
garantidos pela permuta entre o clube a empresa Ecocil. O restante
da obra, orçada em R$ 4 milhões, terá recursos advindos da venda
de cadeiras cativas, camarotes e outras áreas comerciais da Vila
que poderão ser negociadas.
A
forma de construção escolhida pelos engenheiros e pelo arquiteto
da obra, Gley Karlys, foi a modular, onde o estádio vai sendo
erguido gradativamente, através de módulos, ou seja, uma nova
parte da obra só iniciada após a conclusão total de outra,
evitando, com isso, que o "esqueleto", ou seja a estrutura
da obra, fique exposta as intempéries. "É uma obra irreversível,
pois em qualquer ponto que parar estará pronta para estar
funcionando, em condições de uso", garante o arquiteto.
O
primeiro passo do projeto será a construção do campo de futebol,
garantindo os treinos da equipe abecedista, que, até que a obra do
campo esteja concluída, continuará ocupando o atual gramado da
Vila Olímpica. Segundo Gley Karlys, num primeiro momento, apenas o
campo de treinamento e o mini-campo serão transferidos. "Só
precisaremos deslocar a piscina do clube, do local atual, caso o estádio
precise ter sua capacidade aumentada de 21 mil para 24 mil
espectadores. Se estivermos com esse público todo, será um prazer
deslocar a piscina e aumentar nosso estádio, pois com a renda de
uma partida isso pode ser feito", fala.
O
engenheiro e conselheiro do ABC, Carlos Augusto afirma que os
opositores a obra, só o fazem por não estarem em contato direto
com os problemas atuais do alvinegro. "Estas pessoas não vivem
o dia a dia do nosso time e não sabem mensurar a importância de
uma construção destas para o ABC", desabafa. "O ABC não
tem condições de pedir emprestado dinheiro para fazer a obra e tem
que aumentar seu patrimônio de qualquer forma", acrescenta o
advogado e também membro do Conselho Deliberativo, José Wílson.
Segundo Carlos Augusto, o ABC poderá mandar 90 % dos seus jogos no
novo estádio, evitando os alto custos do Machadão.
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