Frasqueirão

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Tribuna do Norte 22/08/1999

Frasqueirão   INÍCIO DO SONHO DA FRASQUEIRA - O FUTURO (em construção)

O  Clube enfrenta oposição e vai construir o estádio.
Terreno permutado se transformará em um condomínio.

Consolidar o patrimônio do ABC
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Com esse objetivo a diretoria do clube garante que construirá o Estádio "Frasqueirão", de acordo com o que foi aprovado, por maioria absoluta, pelo Conselho Deliberativo alvinegro, na última reunião, realizada terça-feira passada, na AABB.

A polêmica permuta de 3,75 hectares do terreno da Vila Olímpica, hoje com 15 hectares, foi o caminho escolhido pelos dirigentes abecedistas, para tornar real um antigo sonho e que hoje, para grande parte dos clubes do país, se tornou uma necessidade. Os altos custos das folhas de campo dos grandes estádios espalhados pelo Brasil fazem parte dos itens mais onerosos para os clubes.
Em cada partida disputada no Estádio João Machado - "Machadão", os clubes chegam a pagar aproximadamente 40 % da arrecadação bruta com despesas de campo, além das equipes não terem direito a receberem nada pela publicidade exibida dentro do estádio, com placas e outros eventos que ocorrem, por exemplo, nos intervalos dos jogos.

Esses são os principais pontos defendidos pelo Conselheiro e presidente da Comissão Jurídica de construção do "Frasqueirão", advogado José Wílson. "Queremos criar uma estrutura de clube, pois o ABC está refém do Machadão, além disso, depois que deixei a presidência, em 1993, muitos problemas judiciais, com o INSS, Fundo de Garantia e outros, abriram a possibilidade de nossa sede ser leiloada, com isso, o terreno, da forma como está poderia ser vendido a preço de banana. Evitado o risco dos leilões, o que foi feito nessa administração (Judas Tadeu), o que nós temos que fazer é consolidar o patrimônio do ABC", comenta.

José Wílson revela que a idéia de construir o estádio é antiga. "Na minha administração pensei em fazer um estádio para oito mil pessoas, lentamente", revela. No entanto, o conselheiro garante que a tentativa de erguer uma obra de tamanha proporção apenas com doações dos abnegados alvinegros é uma tarefa impossível.

Segundo José Wílson, na negociação com a construtora Ecocil, o ABC não estará perdendo patrimônio, mas sim garantindo a manutenção de boa parte do que possui, além de conseguir uma boa forma de arrecadar fundos, seja diretamente através das rendas dos jogos que passarão a ser realizados no "Frasqueirão", totalmente revertidas para o clube, ou com o dinheiro proveniente das locações das lojas construídas em áreas adjacentes, bem como da venda de cadeiras cativas e camarotes.

"Até o local da construção do estádio foi minunciosamente estudado. Nós somos pessoas sérias e jamais iríamos colocar o patrimônio do ABC em jogo, se não tivéssemos certeza do retorno com o negócio", desabafa. Para garantir a lisura do contrato com a Ecocil, única empresa que respondeu afirmativamente as 12 cartas convites entregues pelo clube, e para fiscalizar o cronograma das obras, o Conselho Deliberativo criou a Comissão Jurídica, composta pelos advogados José Wílson, Walmir Rocha, Ricardo Furtado, Eider Furtado e, a Comissão de Obras, da qual fazem parte os engenheiros Gilberto Sá, Paulo Tarcísio, Norberto Faria, Arimatéia e Carlos Augusto, todo membros do Conselho abecedista, presidido por Ernani da Silveira, um dos mais antigos conselheiros do clube.

24 MIL TORCEDORES - O futuro estádio do ABC, apelidado carinhosamente pela torcida alvinegra de "Frasqueirão", a terá capacidade para 24 mil espectadores, no entanto, na primeira parte da obra, o estádio acomodará 16 mil torcedores, com prazo de construção de três anos para essa etapa inicial, num valor de R$ 2,4 milhões, garantidos pela permuta entre o clube a empresa Ecocil. O restante da obra, orçada em R$ 4 milhões, terá recursos advindos da venda de cadeiras cativas, camarotes e outras áreas comerciais da Vila que poderão ser negociadas.

A forma de construção escolhida pelos engenheiros e pelo arquiteto da obra, Gley Karlys, foi a modular, onde o estádio vai sendo erguido gradativamente, através de módulos, ou seja, uma nova parte da obra só iniciada após a conclusão total de outra, evitando, com isso, que o "esqueleto", ou seja a estrutura da obra, fique exposta as intempéries. "É uma obra irreversível, pois em qualquer ponto que parar estará pronta para estar funcionando, em condições de uso", garante o arquiteto.

O primeiro passo do projeto será a construção do campo de futebol, garantindo os treinos da equipe abecedista, que, até que a obra do campo esteja concluída, continuará ocupando o atual gramado da Vila Olímpica. Segundo Gley Karlys, num primeiro momento, apenas o campo de treinamento e o mini-campo serão transferidos. "Só precisaremos deslocar a piscina do clube, do local atual, caso o estádio precise ter sua capacidade aumentada de 21 mil para 24 mil espectadores. Se estivermos com esse público todo, será um prazer deslocar a piscina e aumentar nosso estádio, pois com a renda de uma partida isso pode ser feito", fala.

O engenheiro e conselheiro do ABC, Carlos Augusto afirma que os opositores a obra, só o fazem por não estarem em contato direto com os problemas atuais do alvinegro. "Estas pessoas não vivem o dia a dia do nosso time e não sabem mensurar a importância de uma construção destas para o ABC", desabafa. "O ABC não tem condições de pedir emprestado dinheiro para fazer a obra e tem que aumentar seu patrimônio de qualquer forma", acrescenta o advogado e também membro do Conselho Deliberativo, José Wílson. Segundo Carlos Augusto, o ABC poderá mandar 90 % dos seus jogos no novo estádio, evitando os alto custos do Machadão.